Mostrar mensagens com a etiqueta Nelson Espada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nelson Espada. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de maio de 2012

Os verdadeiros "pingos" da questão

Desde ontem, tenho verificado nas redes sociais e nas conversas de "café", uma série de elogios ao facto da Jerónimo Martins pagar a 500% aos funcionários do Pingo Doce que trabalharam o feriado do dia 1 de Maio, além de lhes ser também permitido a compra de produtos com o desconto de 50%. Foi como se, de repente, todos quisessem ser funcionários da Jerónimo Martins.

Vamos ao fundo da questão. Os acordos que o Pingo Doce faz com os seus funcionários, só dizem respeito à entidade patronal e aos empregados. A mim, pouco me interessa se a Jerónimo Martins paga o feriado a 500% ou se os seus funcionários têm descontos na compra de produtos. Se foram bem pagos, fico contente por eles, mas não me diz respeito. Aliás, não é muito difícil perceber que isto só se torna notícia e é divulgado, para amenizar os efeitos negativos que tiveram na imagem da empresa, as notícias e o "falatório" que se seguiram à tão propalada promoção do dia 1 de Maio.

O outro lado da questão é a promoção propriamente dita. Ninguém pode criticar a política comercial que a Jerónimo Martins segue, nem ninguém tem o direito de julgar as decisões de gestão da empresa, a não ser os seus próprios accionistas. Eu, como consumidor, só tenho decidir se compro ou não produtos no Pingo Doce. E, por isso mesmo, ninguém deve condenar os milhares de pessoas que se dirigiram ao Pingo Doce tentando aproveitar uma promoção que, na sua óptica, era bastante vantajosa.

Posto isto, eu como consumidor e, sobretudo, como cidadão, só posso e devo condenar aquilo que se passou naquele dia, porque, segundo a ASAE, parece que houve mesmo dumping e porque, segundo o Diário Económico de hoje, parece que quem vai pagar os custos da promoção, são mesmo os produtores. E isto é suficiente para, como cidadão, ficar preocupado e achar condenável o modo como operam as grandes empresas de distribuição. Numa cadeia de valor, que começa no produtor e que acaba no consumidor final, o lucro deve ser proporcional para todos e, sobretudo, repartido de uma forma justa. E isso, se dúvidas ainda houvessem, não acontece (e nem sequer era preciso este caso para atestá-lo). As grandes empresas de distribuição (e não é só a Jerónimo Martins), fazem o que querem dos produtores e dos seus fornecedores, "jogando" com o facto de qualquer marca ver como grande "montra" para os seus produtos estas grandes superfícies e que a ausência dos lineares das mesmas, signifique quase a "morte" destas mesmas marcas e, por outro lado, "jogando" com os produtores, que veêm nos hipermercados o local de maior fluxo de escoamento e venda dos seus produtos, trabalhando muitos deles, praticamente, em regime de exclusividade para as grandes empresas de distribuição.  E, mesmo depois de tudo isto ter ficado provado, ficamos a saber que as multas para aqueles que vendem a baixo do preço de custo, quebrando as regras da concorrência saudável e da repartição justa dos lucros ao longo da cadeia de valor, são ridículas perante os proveitos que provêm deste tipo de práticas. Portanto, aqueles que ficaram muito impressionados com a percentagem com que a Jerónimo Martins pagou aos funcionários do Pingo Doce e com o desconto que os mesmos vão ter nos produtos da empresa, percebam que isso não lhes diz respeito. O que lhes diz respeito, como consumidores e (repito) como cidadãos, é saberem afinal, que a concorrência desleal existe no nosso país, que existem empresas completamente "reféns" das práticas de outras e que não têm qualquer margem de manobra para fazerem o que quer que seja e que, mesmo tudo isto sendo divulgado e provado, chegármos todos á conclusão que, afinal, o crime compensa.

Em relação aos consumidores que se deslocaram naquele dia ao Pingo Doce, não são dignos de crítica. Simplesmente, quiseram aproveitar o que lhes pareceu vantajoso. O que é preocupante, é que num país dito civilizado, terem surgido as situações de agressão e confrontos entre pessoas de forma a obter determinados produtos. Em tempos de crise, parece-me um sinal claro de que algo não vai bem na nossa sociedade. Quem agride e se confronta para obter um produto numa promoção, já não está lá, simplesmente, porque existe uma promoção. Está lá, porque precisa desesperadamente dela para sobreviver. E isto, são sinais que, na minha humilde opinião, merecem ser analisados com muita atenção.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Uma questão de identidade

Juro que não é para provocar ninguém. Quem me conhece, sabe que apoio sempre qualquer adversário que jogue contra o Sporting, com excepção dos jogos em que o meu clube possa beneficiar de uma vitória da colectividade de Alvalade ou dos jogos em que defronta o Porto (nesta última hipótese opto pelo resultado que melhor beneficie os interesses do meu clube ou, como segunda hipótese, opto por uma postura de total neutralidade). Escusado será dizer que a minha postura perante os jogos da colectividade das Antas, é em tudo semelhante. Portanto, hoje tanto podiam jogar com Athletic Bilbao, como com o Metalist, que a minha postura seria a mesma. Desde já, deixo um pedido de desculpa aos eventuais "patriotas" que se sintam ofendidos, por eu ter dito que não apoiava o Sporting ou o Porto, mesmo que em causa estejam jogos internacionais. Talvez eu não seja tão "patriota" quanto vocês, mas provavelmente fico mais tranquilo que muitos de vocês em relação ao meu nível de hipocrisia ("aprecio" aquela rapaziada que se põe com a conversa do "temos que apoiar os clubes portugueses contra os estrangeiros" e, no dia seguinte a uma derrota europeia do clube rival, demonstram o seu gozo e regojizo perante o resultado. O "patriotismo" desta malta é enorme...).

Vamos a questão que me fez escrever umas linhas. Não tenho qualquer tipo de ideal separatista e a causa basca a mim pouco me diz. Confesso que nunca procurei investigar o assunto, de modo a ter uma opinião sobre a legitimidade ou não da luta separatista do povo basco. Mas em relação ao clube de Bilbao, não nego a admiração e o respeito que tenho por ele. Um clube que no meio deste "futebol moderno", consegue respeitar e manter uma identidade muito própria, é de realçar e de sublinhar.

No futebol actual, um clube ter como filosofia a obrigatoriedade de ter como jogadores do seu plantel, jogadores naturais da sua região, formados em clubes dessa mesma região ou, em última hipótese, jogadores que não sendo naturais da sua região, tenham uma forte ligação de ascendência ou de identificação com a mesma, eu diria que é quase "romântico". E eu como nestas coisa da bola, segundo me dizem, sou um bocado para o "romântico", tenho que fazer a minha vénia a quem ainda pratica este tipo de atitude.

Deixo só esta questão: não seria lógico que os príncipios que o Athletic Bilbao utiliza para a composição do seu plantel, fossem aplicados na Federação Portuguesa de Futebol para as selecções nacionais? Confesso a confusão que me faz, que um jogador brasileiro (ou de outra nacionalidade qualquer) que veio para Portugal jogar, que em nada se identifica com o país e que só por ser bom jogador e útil numa determinada posição, vista a camisola da selecção nacional. Não me consigo identificar com aquele jogador. Não o sinto como um dos "meus". E, atenção, não estou a pedir que joguem na selecção, exclusivamente, jogadores nascidos em Portugal. Não. Mas perturba-me que alguém com 26 anos, proveniente de um qualquer Santo André do Brasil e que aparece a jogar num qualquer clube do nosso campeonato, seja merecedor de jogar na selecção, pelo simples facto de ser bom jogador ou jogar numa posição em que a nossa selecção não está bem servida. Não consigo aceitar. Se temos "defeitos" que sejam remediados por alguém que sinta a camisola e a cultura do país e não por um gajo que na sua selecção de origem não tem lugar e vê ali a oportunidade de jogar um Mundial ou um Europeu.

Prefiro perder com os "meus" do que ganhar com os "dos outros". Uma saudação e uma vénia para o Athletic Bilbao e para todos aqueles que ainda têm e defendem uma identidade dentro deste "futebol moderno"

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O polícia que escreve livros

Podia chamar-lhe "polícia cowboy", alcunha que lhe foi colocada por alguém muito mais insuspeito que eu, o sportinguista Daniel Oliveira. Eu, desde sempre, que lhe chamo "o polícia que escreve livros". Não dá tanto jeito para dizer e, muito menos, para escrever, mas foi sempre assim com que me referi ao senhor.

Não me esquecendo da sempre muito referenciada (e bem) presunção de inocência, não nego o sorriso malandro que fiz ao ouvir nas notícias que o senhor tinha sido constítuido arguido por uma alegada "armadilha" ao fiscal de linha Cardinal.

Não faço ideia se a coisa se confirma ou não. Aliás, nem sequer estou muito interessado no assunto. Não me diz respeito. Sei que nos próximos dias vão surgir as habituais teorias da "cabala" (algo me diz, que ainda vai sobrar para o Benfica...), vai falar-se que o fiscal de linha é o mesmo da final da Taça da Liga em que o Sporting foi derrotado pelo Benfica (um autêntico trauma no mundo lagarto. O que não deixa de ser curioso, quando passam a vida a desvalorizar esta mesma competição, que em duas finais consecutivas conseguiram perder...) e que tudo isto não passa de uma manobra para desestabilizar o Sporting numa altura em que desportivamente estão melhor, depois de alcançadas a final da Taça de Portugal, a meia-final da Liga Europa e, sobretudo, depois da vitória sobre o Benfica. Vão ser estas, certamente, as cenas dos próximos episódios, numa história que envolve o vice-presidente do "auto-proclamado" clube da verdade desportiva, da boa moral, da ética, blá, blá, blá...

O que sei e o que posso dizer, é que nunca gostei de polícias (ou de profissionais com responsabilidades semelhantes) que escrevem livros e depois se tornam em estrelas da televisão matinal. Cheira-me mal. O que sei, é que nunca gostei de gente na bola que fala para o adepto, recorrendo ao populismo básico. O que sei, é que não gosto de gente na bola que fala para os topos do estádio, recorrendo à demagogia e, sobretudo, "ateando fogos" (literalmente), desculpando os erros e os fracassos das administrações de que fazem parte. O que sei, é que o "polícia que escreve livros", a mim, nunca me enganou.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Orgulho, o prazer de ganhar e conversa da treta

Começemos pela grande notícia do dia de ontem. O Estádio da Luz vai ser o palco da final da Liga dos Campeões em 2014. E isso, ao contrário da vitória na meia-final da Taça da Liga, é motivo de orgulho. A nossa casa (sim, sem aspas), ficará imortalizada na galeria dos estádios que foram palcos da final da mais importante competição de clubes do planeta. Uma honra.

Sobre o jogo da noite passada, fica o prazer de ganhar. Primeiro e mais importante, o prazer de ganhar uma meia-final de uma competição que, não sendo uma prioridade, é sempre melhor estar na sua decisão do que não estar. Segundo, o prazer de ganhar a um rival e afastar alguns "fantasmas" que pairavam, nomeadamente, nos jogos em casa com aqueles senhores. Murphy e a sua lei ainda fizeram a sua aparição na primeira parte (o primeiro golo do Porto e as três bolas nos ferros são sinais bem evidentes da sua presença ) mas felizmente desapareceram na segunda. Vitória justa.

A "conversa da treta", foi um constante antes e após o jogo de ontem. Antes do jogo, para os senhores de azul, o jogo não era importante e o grande objectivo seria o campeonato. Nada contra. Servia para eles e servia para o Benfica. Agora dizer-se que é indiferente ganhar ou perder, é que é "conversa da treta" da mais pura (sim, sr. Miguel Guedes). A fúria patenteada, tanto na conferência de imprensa de Vítor Pereira (rídiculo!) e na "fina" ironia do seu presidente, ao dizerem, cada um ao seu estilo, que o jogo foi ganho pelo Benfica devido a erros do árbitro, tem tanto de cómico, como de hipócrita, tendo em conta que, há uns dias atrás, saíram da Luz com uma vitória com um golo ilegal. E estes comentários, são só a prova que, afinal, o jogo era mesmo para ganhar, que chegar a uma final é sempre melhor do que não chegar, que ganhar a um rival é sempre saboroso e que, quando isso não acontece, causa sempre "mossa" na equipa que perde.

Parece que a Taça da Liga foi apelidada pelo presidente do rival, como a "taça deles". Por mim, nada contra. Repito que prefiro continuar a ganhá-la, do que o contrário. Isso não invalida que o Benfica  não tenha objectivos maiores e mais importantes. Aliás, um dos grandes problemas desta taça, é o Benfica ter três troféus e os nossos rivais, não terem nenhum. E isso tem servido para a desvalorizar. Da minha parte, pode continuar assim. Tenho, claramente, outras preferências se tivesse que escolher entre ganhar este troféu ou ganhar as outras competições em que o Benfica está envolvido. Mas se puder ganhar esta também, não me importo nada. Quem diz o contrário, é mentiroso e hipócrita.

terça-feira, 13 de março de 2012

A 12 de Março eu queria verdade

Há um ano atrás, eu fui um dos trezentos mil que desceram a Avenida da Liberdade. Os motivos (pelo menos, os meus e para mim) eram nobres. Mais do que discutir esta ou aquela medida, mais do que pôr em causa o governo que estava em funções, o que me levou ali era chamar à atenção, de uma forma veemente, pacífica e em massa, para a necessidade imperiosa da moralização da nossa classe política. Por uma classe política com sentido de Estado, com ética e fora dos lobbies partidários. Por novas formas de fazer política, em que o país está à frente das disputas partidárias. Por uma nova forma de fazer política, em que ganhar eleições não seja o objectivo final e único dos aparelhos partidários (aparelhos esses, carregados de "jotinhas" à procura de "tacho", sem o mínimo apelo pelo bem público). Por uma nova forma de fazer política, assente em ideias, que realmente tenham como intenção mudar o país para melhor. Pelo fim do "carneirismo" que existe nos tais aparelhos partidários, em que das duas uma: ou se segue a opinião vigente ou então os divergentes, são "excomungados" ou colocados na "prateleira". Foi por isto, essencialmente, que eu lá estive. Foi isto que eu interpretei que seria o motivo daquela manifestação. E, por isto, eu voltaria a marcar presença.

Recordo-me que fiquei orgulhoso e feliz por tamanha participação. Uma manifestação com trezentas mil pessoas em Portugal, não é uma manifestação de partidos de esquerda ou de direita. Tal dimensão só foi atingida, porque era, de facto, uma manifestação apartidária e com propósitos nobres que, acima de tudo, passavam por demonstrar que estávamos fartos dos aparelhos, dos "tachos" e do "joguinho" político do costume, enquanto o país já estava enterrado na lama.

Passado um ano e com pena minha, o movimento que deu azo a esta manifestação, tornou-se um braço da esquerda demagógica deste país. Não perceberam que trezentas mil pessoas numa manifestação, não congregavam somente apoiantes do PCP ou do Bloco de Esquerda, mas sim votantes de todos os partidos, votantes em branco, não votantes, anarquistas, monárquicos, etc. Não perceberam que, independentemente dos sacríficios que cada um terá que fazer e passar, o país tem que mudar. O mundo e o país, não são os mesmos de Abril de 1974. Acima de tudo, os trezentos mil (ou parte deles...) querem que os políticos digam a verdade. Mesmo que essa verdade não seja agradável de ouvir, em vez de dizerem mentiras "agradáveis" aos ouvidos, mas que no futuro terão custos irreparáveis para o país.

Foi pena que o embalo daquela manifestação não tenha sido aproveitado de uma forma positiva e não demagógica. Continua a haver necessidade (a mesma que havia o ano passado) de demonstrar a quem governa e a quem faz oposição, que não há lugar para mentiras, demagogias e tácticas partidárias, baseadas na "filha da putisse" do poder pelo poder.

Eu não estive lá para que me dissessem que o caminho era fácil. Estive lá para que me dissessem a verdade. E a verdade, é que o paradigma mudou, o mundo mudou e o país também vai ter que mudar, independentemente da forma de o fazer e do caminho para lá chegar. Não nascem as mesmas pessoas que nasciam em 1974. Existem mais idosos. A nossa Segurança Social está falida. O país tem que preparar o futuro. Quem não quer ver isto, está a ser igual a quem, supostamente, combate. Está, simplesmente, a ser demagógico, mentiroso e irresponsável. Se queremos ser governados com responsabilidade, temos nós mesmos que ser responsáveis. A propósito, já viram o resultado do referendo na Suiça, em que questionava o alargamento das férias de 4 para 6 semanas? Pois é, os suiços recusaram o alargamento. Não será um bom exemplo de responsabilidade?

Tenho muito respeito e orgulho pela revolução de Abril. A maior homenagem que podemos fazer a quem a fez e a quem, posteriormente, a consolidou e a tornou, efectivamente, uma revolução democrática, é continuarmos a ser participativos, exigentes e a pedir, única e exclusivamente, a verdade. Mesmo que a verdade tenha custos e seja dura. Sem verdade, não há qualquer possibilidade de existir uma verdadeira democracia. É nisto que eu acredito e foi por isto que, orgulhosamente, lá estive. Na avenida. A 12 de Março de 2011.

sábado, 3 de março de 2012

A Lei de Murphy em 40 minutos

- Minuto 52: Aimar sai lesionado. Primeira substituição forçada e Jesus escolhe Rodrigo para entrar. Com o resultado em 2-1 para o Benfica, não mandaria a prudência apostar no reforço do meio-campo, com a entrada de Matic?;

- Minuto 63: primeiro cartão amarelo a Emerson;

- Minuto 64: Gaitan perde a bola e, ingenuamente, não faz a chamada falta "inteligente" de modo a impedir o contra-ataque do adversário. Empate do Porto;

- Minuto 70: segunda substituição forçada no Benfica. Garay lesiona-se e entra Miguel Vítor;

- Minuto 77: Emerson, de forma pouco inteligente, comete falta sobre Hulk e é expulso. Benfica com menos um jogador e a constatação de mais um erro de Jesus. Se o lateral-esquerdo do Benfica, seria o jogador que mais vezes iria enfrentar um jogador chamado Hulk, não seria prudente ter Capdevila no banco, para prevenir uma eventual expulsão ou outra situação que pudesse ocorrer com Emerson?;

- Minuto 87: livre à entrada da área, Artur sai mal da baliza e Maicon, em posição de fora-de-jogo, faz o golo da vitória do Porto.

3ª feira há mais. Que se emendem os erros e que o Murphy desapareça.

Nota: não quero dar grande revelância aos erros do árbitro. Não sou perito em "arquivos". De qualquer modo, os "arautos" da verdade desportiva e os "coitadinhos" do costume que analisem as arbitragens que o Benfica teve nos últimos três jogos do campeonato.

Nota 2: festejar vitórias, eu entendo. Faz sentido. Festejar derrotas de outros, que nos possam beneficiar, também me parece legítimo. Festejar o desaire alheio sem retirar beneficio algum com isso, só demonstra pequenez, mediocridade, complexo de inferioridade e uma profunda falta de ambição. Quem o faz, é digno de pena. Nada mais.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Com mais 5 ou menos 5, confiança!

Não, não estou a dizer que não seria melhor entrar com 5 pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Óbvio que o jogo seria encarado de outra forma e a margem de erro seria maior. Mas, sinceramente, não entro na depressão que assolou alguns depois dos desaires em Guimarães e Coimbra. Da mesma forma que não achava que o Benfica já seria campeão tendo os 5 pontos de avanço, também não acho que seja motivo, agora que estamos iguais (iguais amigos, iguais! Igual não significa atrás!) ao rival na pontuação, para pensarmos que está tudo perdido.

Continuo a achar, inequivocamente, que o Benfica, esta época, voltou a ser a melhor equipa portuguesa, com melhores jogadores e mais bem orientada. E como melhor equipa portuguesa que é, se houver humildade e em condições normais, o Benfica poderá ganhar o jogo de amanhã. E se não o ganhar, não me parece que seja decisivo. O Benfica perdeu 5 pontos em duas jornadas e o Porto também os pode perder.  É importante vencer, pois além da vantagem pontual, o confronto directo em caso de igualdade na classificação, torna os 3 pontos de vantagem, efectivamente, em 4. Além disso, não esqueço o Braga, que poderá alcançar quem perder o jogo de amanhã ou, em caso de empate, aproximar-se ainda mais do primeiro lugar.

Mas importante não significa decisivo. Nós temos jogos difíceis e os outros também. E nem sequer ponho aqui a questão do Benfica, caso passe o Zenit, estar na Liga dos Campeões. Isso é bom e não pode ser, nunca, visto com uma desvantagem. As grandes equipas têm que estar em todas as frentes e o Benfica se o é, não pode desculpar-se com essa questão.

Portanto, amanhã estarei na bancada Sagres com a confiança e a fé de sempre. E se ganhar, o prazer de vencer o rival, será também ele o de sempre, não querendo com isso dizer que o Benfica já será campeão. Ainda falta muito e tudo pode acontecer. Agora em depressões não entro, ainda mais, quando tenho para mim que o Benfica tem a melhor equipa portuguesa da actualidade.

A humildade é sempre boa conselheira. Mas confiança amigos benfiquistas, confiança!

O Cerco não continua. O Cerco é eterno.

O segundo álbum dos Xutos é, talvez, o melhor álbum da carreira da banda. Se não for o melhor, será certamente o mais emblemático. Para quem não sabe o motivo, basta transcrever o texto que se encontra no livro do disco original:

"Este disco tem o nome de "Cerco" porque todas as grandes editoras recusaram o trabalho nele contido. Foi, por isso, gravado com raiva e determinação em pouco mais de uma semana. É o primeiro disco gravado com o João e o Gui. Dedicado a todos os fãs que esgotaram os concertos do Rock Rendez Vous."

Pelos motivos acima mencionados, o Cerco assume uma importância fulcral naquilo que viria ser o futuro dos Xutos & Pontapés. Foi uma espécie de "vai ou racha" na carreira da banda, numa altura em que os Xutos já eram uma banda de enorme culto para muitos melómanos, principalmente, aqueles que frequentavam o mítico Rock Rendez Vous. Foi digamos que o preparativo para o que viria ser o reconhecimento nacional, atingido com Circo de Feras, 88 e Triplo Ao Vivo.

As músicas são, todas elas, grandes canções. Começando por "Barcos Gregos", acabando em "Sexo", está lá tudo o que viria ser a imagem de marca dos Xutos. Grandes canções, letras que o comum dos mortais se revê e grande atitude. Musicalmente falando, a entrada do saxofone de Gui e dos riffs da guitarra de João Cabeleira, são as peças que faltavam para compor aquele que viria ser o som com o "carimbo" Xutos. A própria maneira como o disco foi gravado (num curtíssimo espaço de tempo) e em condições que não eram as ideais, dá um toque muito particular ao som do disco original.

Agora com edição de O Cerco Continua, penso ser intenção da banda homenagear um álbum que foi fundamental no percurso dos Xutos e do próprio rock nacional (rio-me, quando se fazem listas de melhores álbuns do rock nacional e Cerco não é mencionado. Incoerências de senhoras e senhores "pseudo-indies", que não suportam bandas que conseguem atingir um sucesso e uma unanimidade enormes). Os Xutos fizeram uma revisão do disco, tocando as músicas da mesma forma que as mesmas são hoje apresentadas ao vivo, sendo que a gravação tem, obviamente, uma qualidade muito superior ao disco original. E isto não faz com que esta nova revisão, seja melhor que a gravação original. Faz, simplesmente, que seja diferente. Os Xutos são hoje uma banda consagrada e em que os seus elementos são, naturalmente, muito melhores musicos do que o eram em 1985. Por outro lado, na versão original, o que faltava em técnica, sobrava em atitude e é engraçado notar esta diferença ouvindo os dois discos.

Às músicas do original, acrescentaram ainda "Vossa Excelência", (uma versão dos Xutos para o original dos Titãs), "Tonto" (com Kalú na voz e com algumas diferenças para a versão original de Direito Ao Deserto), "Perfeito Vazio" e "Quem É Quem".

Foi bom voltar a ouvir este "novo" Cerco, agora revisto pelos Xutos actuais, necessariamente diferentes dos Xutos de Novembro de 85. Foi também bom, ter vontade de ouvir, de novo, o Cerco original, com um som menos bom, mas com uma atitude e, sobretudo com as canções, que foram a base do sucesso da maior banda de sempre do rock nacional. O Cerco é eterno.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Limitemo-nos a desfrutar

Nós temos essa coisa "provinciana", sempre que um dos nossos que brilha por esse mundo fora tem uma jornada mal sucedida, de acharmos que há sempre algo obscuro por trás a fazer com que isso aconteça. Ou então, em alternativa, acharmos que o eventual sucesso de um dos nossos lá fora (ou cá dentro), tenha como razão principal, uma cunha ou algo do género (seremos uma cambada de invejosos?). Parece que há sempre algo de estranho a incidir sobre o sucesso ou insucesso de um português. No caso em questão neste texto, aplica-se a primeira hipótese.

Vem a isto a propósito dos comentários que ouço e leio, a seguir aos jogos entre Real Madrid e Barcelona, nomeadamente, quando o Real Madrid perde (ou é eliminado) e tem razões de queixa da arbitragem como foi o caso de ontem.

Sim, o Real Madrid foi melhor que o Barça ontem e poderia ter eliminado os catalães com um pouco mais de sorte e eficácia. Sim, o Real Madrid tem razões de queixa da arbitragem no jogo de ontem. Indiscutível.

Mas será que já ninguém se lembra do "banho" de bola que o Real levou na 1ª mão? Só com muita sorte, o Real foi para o jogo de ontem ainda com possibilidades de discutir a passagem à próxima eliminatória. E em relação à arbitragem do primeiro jogo, não terá o Barça razões de queixa da mesma? Não deveria Pepe ter sido expulso? Não deveria Coentrão ter sido expulso? Isto não teve influência no desfecho do primeiro jogo e, consequentemente, no segundo, tendo em conta que ambos os jogadores não poderiam jogar ontem?

Ainda há umas semanas atrás, o Barcelona perdeu um jogo para o campeonato (que, quiçá, lhe terá custado o título desta época), onde nos minutos finais há um penalty escandaloso a favor dos catalães que não é assinalado. Não houve registo dos jogadores e treinador do Barcelona, terem mencionado alguma "cabala" contra eles de forma a que perdessem o jogo.

Sinceramente, estou farto da conversa acerca da conspiração com a UEFA, com a UNICEF e afins. Mourinho, Ronaldo e os outros portugueses que treinam e jogam no Real, já estão no topo. No futebol, a seguir a isto, não há mais nada. Não vejo necessidade alguma de os defender com conversas da treta e com, supostas, conspirações, que não passam de mesquinhez pura. O Barça só ganha mais vezes ao Real, na actualidade, porque ainda é a melhor equipa do mundo (na minha opinião, a melhor de sempre da história o futebol). E isto, só vem dar um mérito ainda maior ao Real Madrid, pois além de estar já a um nível muito próximo do Barça (mais ainda, quando Mourinho põe a equipa a jogar com a sua identidade habitual), é muito provável que o Real seja, já este ano, o campeão de Espanha. Se assim for, é porque foi melhor e mais regular que o Barcelona. Nada mais.

Penso ser bem mais divertido para todos que gostam de bola, apreciar este momento único na história deste desporto, em que há um duelo gigante e constante ao longo da época, entre os dois melhores jogadores do mundo, entre os dois melhores treinadores do mundo e entre as duas melhores equipas do mundo.

Acreditem, nós que gostamos de bola, somos uns privilegiados por podermos assistir a isto tudo. Está a fazer-se história. É o topo e o melhor futebol que alguma veremos na vida. É melhor aproveitarmos, pois não durará para sempre.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dois génios injustiçados

Agora que vejo Del Piero, a fazer mais um golo monumental à Roma, dou comigo a pensar como nem sempre o futebol é realmente justo (talvez uma metáfora da vida...) com quem o engradece e lhe dá o toque mágico que o distingue de outros desportos.

Penso para mim, como é possível um verdadeiro génio como Del Piero (a propósito, tal como eu, grande fã de Oasis), nunca ter ganho uma Bola de Ouro? Como é possível ter havido sempre alguém a ofuscar o talento deste senhor? E quando pensei no italiano, outro nome me surgiu, exactamente, com o mesmo talento e com a mesma injustiça a pairar sobre ele. Refiro-me a Raúl. Outro génio. Outro mestre do golo e da classe pura, que por terras germânicas, ainda factura, joga e faz jogar como poucos.

Pensar que dois jogadores, símbolos de duas das maiores equipas do mundo, ambos campeões europeus, génios do melhor que o futebol já viu, nunca ganharam uma Bola de Ouro, é estranho. O futebol tal como a vida, nem sempre é justo.  

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O "meu" melhor onze

Do Benfica, claro. Antes porém, algumas breves notas. As primeiras lembranças que tenho de ver futebol remontam, precisamente, à época 89-90. Época essa em que o Porto foi campeão, o também "meu" grande Estrela foi o vencedor da Taça de Portugal e em que o Benfica jogaria a sua última final europeia (perdida para o Milan), conseguida através da mão de Vata. Magnusson (o meu primeiro ídolo do Benfica) foi o melhor marcador do campeonato e esta época acabaria com o primeiro Mundial que acompanhei a sério, Itália 90.

Isto tudo para dizer, que, obviamente, o meu melhor 11 de sempre do Benfica (e respectivo banco de suplentes), irá somente mencionar os jogadores que eu vi jogar, nomeadamente, jogadores que vi jogar no auge das suas carreiras. Certamente, os mais velhos, dir-me-ão que falta um Chalana, um Diamantino (isto para não recuar muito no tempo) e outros. Estes dois casos, por exemplo, são pertinentes, pois ainda faziam parte do plantel do Benfical em 89-90 e ainda me lembro de os ver jogar, mas já numa fase final das suas carreiras, não fazendo por isso sentido colocá-los nesta lista.

Óbvio que estas escolhas são sempre discutíveis e como qualquer lista que faça, amanhã já poderia ser sujeita a alterações (muitas vezes, por nos esquecermos de um ou outro nome fundamental). Não vou justificá-los um a um, porque penso não haver necessidade. Não houve preocupações tácticas (sim, eu sei que com esta disposição táctica seria dificil ter uma equipa defensivamente consistente) e a única preocupação com os números da camisola que tive, foi com o 7 de Vitor Paneira, o 8 de João Pinto e o 10 de Aimar. Queria só referir que neste "plantel", Veloso seria o natural capitão, mas na sua ausência do onze, a braçadeira seria de João Pinto. Aqui ficam os meus magníficos:

1- Michel Preud'homme

2- Maxi Pereira

3-Mozer

4-Ricardo

5-Fábio Coentrão

6-Valdo

7- Vitor Paneira

8-João Pinto

9-Miccoli

10-Pablo Aimar

11-Simão

Este é o meu melhor 11 do Benfica. Provavemente, amanhã retiraria um e colocava outro. Há alguns que, na minha opinião, são intocáveis e indiscutíveis nesta lista. Preud'homme, Ricardo, Valdo, Vitor Paneira, Pablo Aimar e João Pinto, têm esse estatuto. Quanto aos restantes, admito que existam outras alternativas.

Arrisquei ainda um banco de suplentes e poderia ainda ter feito mais dois ou três alternativos, tendo em conta outros grandes jogadores que ficam de fora (inclusivé do plantel actual). Aqui ficam os meus suplentes de luxo:

12-Artur

13-Veloso

14- Luisão

15-Javi Garcia

16-Rui Costa

17-Isaias

18-Rui Águas



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Um erro (meu) e uma injustiça (minha) colossais

A semana passada coloquei aqui no blog, as minhas escolhas musicais do ano. E cometi um erro crasso...

Quando escolhi a minha música preferida estrangeira, coloquei "Video Games" de Lana Del Rey. Pois bem, eu sei que é uma canalhice hedionda premiar algo ou alguém e depois retirar-lhe o prémio (mesmo que esse alguém, obviamente, não faça ideia da escolha de que foi alvo e tenha mais que fazer do que olhar para as minhas escolhas). Mas também é feio premiar algo ou alguém e ter a noção que existe algo ou alguém que merece mais essa distinção.

Assim sendo, sinto-me na obrigação de corrigir o erro que cometi. A minha canção do ano é, sem dúvida, "Sadness Is a Blessing" de Lykke Li. Aliás, se eu me tivesse lembrado, poderia ter colocado também a escolha de "vídeo do ano" e seria também o vídeo desta canção o vencedor.

O motivo do erro é simples. Quando fiz a minha pesquisa para elaborar a minha lista, por esquecimento (que injustiça...), não coloquei esta canção como hípotese. Ainda mais estranho se torna, quando no texto que aqui fiz sobre o SBSR deste ano, quando me referia ao concerto de Lykke Li, escrevi que assumia por antecipação que "Sadness Is a Blessing" iria ser a malhor canção de 2011.

Não vou corrigir o texto anterior, para que a minha idiotice fique bem exposta. De qualquer modo, que fique claro que a minha canção internacional do ano (as minhas desculpas Lana, mas devolve-me a estatueta por favor...) não é "Video Games" (Lana, não fiques triste. Fizeste a segunda melhor canção do ano...), mas sim "Sadness Is a Blessing" de Lykke Li.

Aqui fica o maravilhoso vídeo desta canção:

http://www.youtube.com/watch?v=Xu-b3u5jDiU

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O meu 2011 musical

Canção nacional do ano:
Márcia com JP Simões -  "A Pele Que Há Em Mim (Quando o dia entardeceu)";

Canção internacional do ano:
Lana Del Rey - "Video Games";

Disco nacional do ano:
Os Velhos - Os Velhos;

Disco internacional do ano:
The Strokes - Angles;

Concerto do ano:
The Strokes no Meco;

Desilusão do ano:
O fim d'Os Golpes;

Alegria do ano:
A edição do primeiro disco d'Os Capitães da Areia, O Verão Eterno.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Um título que diz tudo


Refiro-me ao título escolhido pela edição de hoje do jornal A Bola, para retratar o clássico de ontem à noite, em Espanha (canto inferior direito).

Reafirmo que, qualquer que seja o desfecho da época em Espanha e na Europa (e eu acho que o Real Madrid, com um jogo a menos do que o rival, tem tudo para ser campeão), o Barça ainda é a melhor equipa do mundo. Reafirmo também as minhas poucas dúvidas, em relação ao facto deste Barça, ser a melhor equipa de futebol de todos os tempos e que todos nós que gostamos deste desporto, sermos uns privilegiados por um dia termos assistido a um futebol tão fantástico, perfeito e sublime.

Tenho dito.

sábado, 12 de novembro de 2011

Os Capitães Da Areia e da minha presunção


A noite foi de orgulho. Talvez seja exagerado, talvez seja ridículo e talvez esteja a ser presunçoso. É bem possível que sim.

Ao ver ontem à noite, Os Capitães da Areia, banda que acompanho desde o seu primeiro concerto e que, logo nessa noite, fiz questão de escrever sobre a sua actuação, senti uma ponta de orgulho, por logo naquela noite de 2009, ter acreditado que algo maior poderia sair dali.

Acertei em cheio. Os "míudos cheios de pinta", tornaram-se uma banda a sério, com um disco pronto e capazes até de fazerem a primeira parte de uns tais de GNR, numa sala com a importância do Coliseu dos Recreios.

Assim sendo, que o verão seja eterno e que o, já antigo, sonho de uma cultura pop (ou, se preferirem, pope) "à portuguesa", prossiga.

PS: Em 2009, na tal primeira actuação d'Os Capitães da Areia, alguém escreveu isto:  http://blitz.aeiou.pt/os-golpes-vao-ser-grandes=f44895

sábado, 15 de outubro de 2011

Não Fui

A 12 de Março fui e iria novamente. Hoje não.

A diferença (que admito ser discutível) é que a 12 de Março a manifestação não tinha uma agenda política. Acima de tudo, segundo o que interpretei das intenções dos seus mentores, era uma manifestação que pedia credibilidade e, acima de tudo, verdade aos agentes politícos. Foi uma manifestação, onde a população de uma forma totalmente espontânea (talvez até ingénua), condenava uma certa foma de fazer politíca que tomou conta de todos os aparelhos partidários deste país e, ao mesmo tempo, condenava uma economia baseada em especulação e com uma falta de ética e escrúpulos, gritantes. Foi uma manifestação promovida por uma geração que se sente injustiçada por que aquilo que lhe prometeram e que não foi cumprido. Foi uma manifestação sem ideologias. Nem a esquerda, nem a direita deste país, põem nas ruas de Lisboa, 300 mil pessoas. Estavam lá todas as facções. Orgulho-me muito de ter lá estado e da minha geração ter sido o "motor" da mesma.

Hoje não fui. Pensei no assunto mas decidi não ir. Mesmo concordando com muitos pontos que hoje foram defendidos nas ruas, esta manifestação tinha uma agenda política clara. Isso não é censurável, de todo. De qualquer modo, neste momento, prefiro ter um Primeiro-Ministro que diga a verdade sobre o país, do que um que minta constantemente, como o anterior fazia. Sempre o disse e repito, que prefiro um candidato que em eleições, diga que vai aumentar impostos, se for isso que o país precisa, do que um que diga que tudo vai ser uma maravilha daí para frente. O candidato Passos Coelho, não referiu que estas medidas iriam ser tomadas caso fosse eleito. Aliás, até rejeitou algumas delas. É verdade. Isso é censurável? É, sem dúvida. Também mentiu? Mentiu. De qualquer modo, independentemente de eu concordar ou não com as medidas dramáticas que foram tomadas (e muitas delas, não concordo, de facto), não me parece que o Primeio-Ministro e os partidos que compõem a actual coligação governamental, ganhem algum tipo de popularidade com as mesmas. Daí, o meu benefício da dúvida, não pelas medidas em concreto que foram tomadas (repito, que não concordo com muitas ou quase todas), mas, no minímo, pela coragem em assumi-las.

Talvez por estas e outras razões, a manifestação de hoje, apesar de bastante considerável, não teve, nem de perto nem de longe, a participação fantástica, daquela que ocorreu a 12 de Março.

Não votei PSD, nem CDS e neste momento, nada me liga a partidos. De todo. São "máquinas", que no seu todo, funcionam com um único objectivo, que é o poder e isso enoja-me profundamente. Contudo, espero que num momento tão grave como o que vivemos, impere o sentido de Estado. Espero que, além de ir ao "bolso" das pessoas (uma inevitibilidade, tendo em conta a decadente situação do país), o governo, finalmente, apresente medidas de redução da despesa pública e aponte uma estratégia de crescimento económico sustentado para o país.

Não sei se estarei a ser ingénuo ou utópico, mas 4 meses de governo, ainda me merecem o benefício da dúvida. Acho, sinceramente, demagógico, culpar este governo pela situação terrível em que nos encontramos. Contudo, se o caminho continuar a ser o de ir ao "bolso" da população, sem que resultados positivos sejam alcançados, sem que nada seja feito para o Estado deixar de gastar mais do que aquilo que tem ou para que este país recupere economicamente e de uma forma sustentada, o meu benefício da dúvida irá acabar, certamente. E, aí sim, saírei á rua com os nobres propósitos de 12 de Março na mente, mas também com uma agenda política a defender. Temo, sinceramente, que seja isto que vai acontecer. A ver vamos.

P.S.: Também pertenço ao grupo que aguarda, impacientemente, pelo julgamento daqueles que fizeram negócios ruinosos para o Estado e que colocaram o país e a sua população, neste triste estado. É uma questão de ética e de decência.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Anormais

Num país normal, quem ocultasse dívida pública, não iria a votos. Num país normal, o Presidente da República faria tudo o que estivesse ao seu alcance (mesmo que pouco ou nada possa fazer), para que tal não acontecesse. Num país normal o Primeiro-Ministro, seria ainda mais veemente nas críticas a quem oculta dívida pública.

Num país normal o PSD nacional, faria tudo o que fosse possivel (e eu não faço ideia o que poderia fazer) para que o senhor que ontem ganhou as eleições na Madeira, não fosse a votos com as cores do seu partido. Num país normal, o PSD que, por acaso, é um dos partidos da coligação governamental, teria, no mínimo, criticado de forma muito dura, a actuação do Governo Regional (Passos Coelhos, na minha opinião, foi só um "bocadinho" duro). Num país normal, o PSD nacional, não teria feito um discurso de vitória na noite de ontem (mesmo que a mesma tenha sido recebida, segundo os próprios, de uma forma "humilde"). Num país normal, seria assim que os partidos ganhariam credibilidade para governar e pedir sacríficios. Ontem foi desperdiçada uma grande oportunidade...

Num país normal, não seriam permitidas constantes irregularidades nos vários processos eleitorais de uma determinada região autónoma do país, ao longo de décadas. Num país normal, um processo eleitoral, com cerca de trinta queixas de irregularidades (e, ao que parece, até foi o ano em que houve menos...), não seria validado. Num país normal, o Presidente do Governo Regional da Madeira, não diria que se está nas tintas para a Comissão Nacional de Eleições, com uma impunidade total.

Mas, acima de tudo, num país dito normal, o povo teria derrotado nas urnas, quem o enganou, endividou e hipotecou o seu futuro.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bravo Rapazes!

Por vezes ganho e sinto que perdi. Outras vezes perco ou empato e sinto que ganhei.

Vejamos a diferença. Por exemplo, o ano passado, sentia muitas vezes, que o Benfica, mesmo ganhando, não demonstrava ser uma equipa coesa e com soluções individuais e tácticas, para ter uma época ao nível de 2009/2010 e que, infelizmente, se veio a confirmar. Ontem, pelo contrário e de uma forma muito clara para mim, senti a minha equipa forte, coesa e com um leque muito maior de soluções para enfrentar o que aí vem. E o Benfica ontem não ganhou...

Foi grande a atitude, a coragem e a concentração dos rapazes. Jogaram olhos nos olhos, com aquela que considero ser a terceira melhor equipa do Mundo da actualidade, respeitando o valor do adversário mas sem medo ou submissão (sim Jesus, é possível ter respeito pelo adversário, sem jogar com medo do mesmo... E tu até sabes como se faz como poucos). Uma defesa mais que segura, um meio campo com uma entreajuda impressionante (mais uma vez, ficou provado que Ruben Amorim é um dos grandes "reforços" deste Benfica, nomeadamente, em jogos como o de ontem) e um ataque entregue a génios como Aimar ou Gaitán (ontem, talvez a sua melhor exibição com a camisola do Maior), com um Cardozo, definitivamente, de volta à confiança perdida e que, teimosamente, cala as contantes e incompreensíveis críticas de que é alvo por parte dos seus próprios adeptos (quem faz um golo como o de ontem, não é tosco meus amigos).

Depois do jogo, ouvi alguns cronistas da nossa praça. Uma das "desculpas" para a grande exibição do Benfica que alguns apresentaram, era que o Manchester United não teria jogado com o seu melhor onze. Não concordo de todo. Talvez a equipa no Mundo que faz a maior rotação de jogadores ao longo da época, é o United. E tanto o faz num jogo da Champions, como na Premier League, independentemente da importância do mesmo, mantendo, normalmente, a qualidade que se sabe. Se virmos bem, o único jogador claramente titular (e durante o resto da época, vamos verificar  isso) é Rooney. Os outros vão sendo substituídos, consoante a estratégia e a gestão de esforço que Fergusson (a propósito, se não tivesse legendas, eu não conseguiria perceber nada do que o homem diz...) tão bem faz.

Com bom benfiquista, não estou feliz. A vitória é sempre o objectivo e festejar empates e vitórias morais, deixo para os vizinhos... Contudo, estou contente e orgulhoso da equipa. Comentava no final do jogo com os meus comparsas de ida à bola, que o Benfica provou, claramente, que tem melhor plantel que o ano passado e que, acima de tudo, ontem tinhamos ganho uma equipa que se bate, sem receios, com qualquer adversário. Não foi uma vitória, é certo, mas deixa esperança para o que aí vem. Além disso, empatar com o favorito do grupo, não é um resultado negativo, num grupo onde acho as outras duas equipas, claramente, inferiores (não confundir com desrespeito).

Agora voltemos aos assuntos internos. Venha a promissora Académica (cuidado...) e a ida ao campo de golfe das Antas, onde acredito que, com uma atitude igual à de ontem, a vitória pode acontecer (perder é mesmo proibido).

Costumo dizer que no Benfica, tenho sempre fé. Com o que demonstraram ontem, a fé do costume fica redobrada. Força rapazes!

PS: Desde muito menino, que estou e vejo o Estadio da Luz (o velho e o novo) cheio e com um ambiente infernal. Contudo, a sensação de estar no meio daquilo, é sempre como se fosse a primeira vez. Impressionante!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Pó. A Sensual. A Celebração. O Deus. Os Cool.

Sim, o título é horrível. Mas apeteceu-me. Ajuda-me a explanar em retrospectiva, as minhas 3 noites do Meco (ou mais ou menos lá...).

Começemos pelo pó. Não é agradável, de facto. De qualquer modo, ali não se pode esperar outra coisa e como eu acho que quem quer estar naquele ambiente e, sobretudo, quem gosta das bandas que passaram e passarão (diz-se, pelo menos, nos próximos 10 anos) por aquele local, não se importa muito de ficar castanho, com os olhos vermelhos e com uma ranhoca preta. Suporte-se ou não, é a imagem de marca deste festival e pronto.

Vamos à música. A sensual Lykke Li, encheu-me as medidas na primeira noite. Um espectáculo muito bom, visualmente muito interessante e canções que talvez merecessem mais o palco principal, do que outros que por lá passaram. De resto, Lykke Li, tem a melhor canção de 2011 (assumo por antecipação isto), "Sadness Is A Blessing".

A celebração foi no dia seguinte. O concerto de Arcade Fire, tal como desabafei noutro local, foi daqueles que ficam na memória para todo o sempre e só quem lá esteve o pode perceber. Uma festa magnífica, hinos incontornáveis, coros assombrosos e uma banda maravilhosa em palco, que dá tudo, mas mesmo tudo, em cima dele. Fantásticos!

Ontem vi um deus. Um deus com uma guitarra. Slash é um figurão. Estar a escassos metros de alguém que desde putos, vemos como um ícone, não é todos os dias. Óbvio, que foi com os temas dos Guns que a coisa aqueceu. Se "Nightrain" deu o mote para o início do pó a sério, "Sweet Child O'Mine" emocionou. Ver aquele gajo a tocar à minha frente, uma das canções mais perfeitas da história do rock n' roll, é um momento único e inesquecível.

A seguir, The Strokes. A banda pela qual mais ansiei e o principal motivo para me ter sujado. Grande concerto. Simples mas eficaz. O rock n' roll mais cool que se ouviu nos últimos 10 anos. Tal como li algures hoje, foi um concerto para "duros". Um concerto de rock a sério, com os clássicos (sim, já o são) de uma geração que cresceu a ouvi-los. Faltou uma ou outra. Mas foi bom e não há razões de queixa. O rock n' roll quer-se directo. Se for cool, melhor. E esta será, provavelmente, a banda mais cool e iconográfica dos últimos 10 anos.

Para o ano, há mais. Com pó, com certeza.