Podia dar mais exemplos. Mas estes estão mais presentes na minha memória, pois só passaram 48 horas.
Queria só dizer, que se eu fosse músico e tivesse uma banda, quando quisesse perceber o que querem dizer expressões como "entrega em palco", "garra em palco" ou, de uma forma mais simples, "atitude", daria um saltinho ao YouTube e veria, por exemplo, uns vídeos dos concertos no Rock In Rio 2012 de Bruce Springsteen, acompanhado dos restantes "capangas" da E Street Band ou do concerto que lhe antecedeu por parte dos Xutos. Independentemente de gostos musicais ( e eu assumo que gosto muito dos dois), penso que são dois excelente exemplos de palco, em que não são necessárias coreografias, grandes efeitos pirotécnicos ou de luzes, nem meninas com "curvas" generosas a dançar, para se ver um grande, mas grande espectáculo.
Sim, são ambas as bandas e artistas, muito experientes e com muitos anos a "virar frangos". Podem dar-se ao luxo, de fazerem alinhamentos com hits atrás de hits. Mas a tal "entrega", a tal ""garra" e a tal "atitude", não vêm dos anos de carreira, nem do número de discos no top ou do números de seguidores. Penso que se assim fosse, o efeito seria precisamente o contrário. A "atitude" desta gente, é a mesma que sempre foi. É a mesma que era no início das suas carreiras. O Springsteen de hoje, debita palavras com a mesma "força" com que debitava nos anos 70. O Kalú da actualidade, "ataca" a bateria com a mesma "fúria", com que "atacava" no início da carreira dos Xutos. É o que chamo o "rock sem merdas". Um rock n' roll sem truques, que vem das veias, das artérias, do coração e da alma. E isso meus amigos, só quem o tem e o sente, pode demonstrá-lo. Eles demonstram e é arrepiante ver rock tão genuíno e tão puro, debitado por gajos que já podiam estar a gozar a reforma (nomeadamente, o "Boss"...).
A frase poderá estar na galeria das "frases feitas". O rock é "alma" e "coração". A tão propalada "atitude" de uma banda, mede-se por isso. O Bruce, os capangas do Bruce e o "gang" Xutos & Pontapés, ainda a têm para dar e vender. Sem truques e sem merdas. Aprendam.
terça-feira, 5 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Gràcies Pep
Sei que há uma probabilidade muito reduzida de leres isto. Segundo sei, queres férias e deves ter mais que fazer do que ler cartas dirigidas a ti, muito menos uma carta minha. De qualquer modo, não ficaria bem comigo mesmo, se não deixasse estas palavras registadas na esperança que um dia, por obra do acaso, tu as encontres e percas tempo a lê-las. Agradecer não custa nada e acredita que estas palavras são sentidas.
Antes de mais, deixa-me esclarecer-te algumas coisas. Sou um rapaz português, adepto do único clube em Portugal com dimensão semelhante ao teu clube e à do seu rival mais directo. Em Espanha, não tenho nenhuma simpatia especial por nenhum dos seus dois grandes clubes. Admiro a história e a grandeza dos dois, mas a simpatia vai para o Atlético de Madrid (Futre é o culpado) e para o Athletic de Bilbau (o respeito por quem não cede ao futebol "moderno" e mantém tradições, assim o justificam).
Como disse atrás, aprendi a respeitar e a admirar o Real e o Barça ao longo destes vinte e poucos anos em que vejo bola. Já vi grandes equipas de uns e de outros. Numa dessas grandes equipas, eu vi-te jogar. Como jogador, foste do melhor que vi na tua posição. Muito à frente do teu tempo, definiste juntamente com Redondo, Albertini e Paulo Sousa, aquilo que viria a ser o "trinco" do futuro. "Destruir" jogo, por si só, já não era o único objectivo. Era preciso mais. "Destruir" e depois "construir". Saber jogar e sair a jogar. Ser o primeiro construtor de jogo de uma equipa. Tu, como jogador, foste isto tudo e fizeste-o melhor que ninguém à tua época, mesmo em comparação com os outros nomes que referi atrás. Logo aí deixas-te a tua marca. Uma marca de classe e que, passados todos estes anos, consigo perceber que eram a base da ideia de futebol que implementaste quando passaste a ser treinador.
Devo assumir-te isto, por mais ridículo que possa parecer hoje. Quando assumiste o cargo de treinador da equipa principal do Barcelona, não dava muito por ti. Achava-te demasiado "verde". Pensava que uma coisa é treinar uma equipa B e outra é treinar a equipa principal de um clube de topo. Hoje em dia, lembrar-me disto é embaraçoso, mas admito que duvidei e peço-te desculpa por ter sido tão céptico em relação a ti.
A tua herança não era fácil. O teu antecessor tinha conquistado quase tudo e pensava ser impossível ultrapassares o trabalho de Rijkaard e que serias um mero treinador de transição... Eu sei, fui ridículo. O tempo provou isso mesmo e provou muito mais. Não merece a pena pôr-me aqui a enumerar as vezes que me desmentiste. As vezes que ganhaste. Os recordes que bateste e, sobretude, as vezes que a tua equipa me encantou e deslumbrou.
Convém fazer um esclarecimento. Não foram os títulos que ganhaste (14 em 19 possíveis), nem os recordes que bateste que me fazem escrever este texto. Se fosse só por isso, já tinha escrito a outros. Por exemplo, ao meu compatriota Mourinho, já tinha escrito uma dezena de cartas. Aliás, devo dizer-te que desde que este e Ronaldo chegaram a Espanha, tenho tido alguns problemas com os meus compatriotas, por admirar o teu trabalho e o futebol da equipa que agora deixas. Sou, para alguns, uma espécie de "traidor da pátria". Chegaram ao ponto de dizer "sacrilégios", tais como, que o futebol do Barça é "aborrecido". Esquecem-se que diminuir o futebol da tua equipa, acaba por diminuir também o mérito daqueles que o conseguem derrotar.
Mas como estava a dizer-te, não foi o que ganhaste que me faz admirar-te. Ou, pelo menos, só isso. O que me faz realmente admirar-te e respeitar-te como poucos no mundo da bola, é a equipa que construíste, a identidade que criaste na mesma e a "magia" que dela emanou. Fizeste-me acreditar em algo que eu já não julgava ser possível. Uma equipa ganhar, a jogar maravilhosamente bem e sempre com a mesma identidade, quer esteja a ganhar ou a perder. A jogar no chão, de pé para pé, seja na frente de ataque, seja na zona defensiva, sempre com os mesmos princípios de jogo. Dominando, esmagando e, muitas vezes, ridicularizando adversários poderosos, que se limitavam a defender no seu meio-campo, muitas vezes "enfiados", literalmente, na sua área. E tudo isto, sempre com a bola rodar, a circular, com técnica e com classe. Há que dizê-lo, meramente por curiosidade e para quem desconhece, que durante estes quatro anos, jogaste contra 247 equipas diferentes e nunca a tua equipa acabou um jogo com menos posse de bola que o adversário. Aliás, a tua equipa chegou a atingir posses de bola estratosféricas, nomeadamente no futebol actual, na ordem dos 70 a 80%. Muitas das vezes, contra as melhores equipas da Europa e do Mundo... O Barça teve uma posse de bola média durante estes quatro anos, na ordem dos 68% e isto diz muito acerca da identidade e, mais ainda, acerca da qualidade da equipa que construíste. Ter estes princípios de jogo, esta qualidade e ser bem sucedido, é algo sem precedentes e uma ideia quase "romântica" no futebol dos dias de hoje.
No fundo, foi este o futebol que eu sonhava ver, que nunca tinha visto e que já pensava ser impossível vê-lo. A última e única vez que vi algo parecido, foi no Barça treinado por Cruyff (acredito que seja a tua grande influência) no início dos anos 90 e da qual tu fazias parte. Pensava que o futebol feito, essencialmente, de habilidade e técnica tinha acabado e que a táctica e a força fisíca eram os grandes pilares para uma equipa ser bem sucedido neste futebol "moderno". Salvaste-me! E mesmo que alguns não saibam, salvaste o futebol.
Deste modo e por tudo isto, agradeço-te. Agradeço-te também pela tua postura. Por seres um gentleman (mesmo quando foste provocado). Por teres admitido que falhaste, quando isso aconteceu. Por teres sabido reconhecer mérito aos outros, nas poucas vezes em que foste derrotado, mesmo quando isso aconteceu contra os teus maiores rivais.
Pep, agradeço-te, sobretudo, por teres construído a equipa que me mostrou o melhor futebol que alguma vez vi na vida e que, provavelmente, nunca mais verei com tamanha qualidade. Acima de tudo, como adepto de futebol, agradeço-te teres-me proporcionado a oportunidade de um dia mais tarde poder dizer, em conversas sobre bola com os meus meus filhos e netos, que tive o prazer, o privilégio a a honra de ver jogar a melhor equipa de futebol de todos os tempos.
O meu muito obrigado e felicidades para ti.
Antes de mais, deixa-me esclarecer-te algumas coisas. Sou um rapaz português, adepto do único clube em Portugal com dimensão semelhante ao teu clube e à do seu rival mais directo. Em Espanha, não tenho nenhuma simpatia especial por nenhum dos seus dois grandes clubes. Admiro a história e a grandeza dos dois, mas a simpatia vai para o Atlético de Madrid (Futre é o culpado) e para o Athletic de Bilbau (o respeito por quem não cede ao futebol "moderno" e mantém tradições, assim o justificam).
Como disse atrás, aprendi a respeitar e a admirar o Real e o Barça ao longo destes vinte e poucos anos em que vejo bola. Já vi grandes equipas de uns e de outros. Numa dessas grandes equipas, eu vi-te jogar. Como jogador, foste do melhor que vi na tua posição. Muito à frente do teu tempo, definiste juntamente com Redondo, Albertini e Paulo Sousa, aquilo que viria a ser o "trinco" do futuro. "Destruir" jogo, por si só, já não era o único objectivo. Era preciso mais. "Destruir" e depois "construir". Saber jogar e sair a jogar. Ser o primeiro construtor de jogo de uma equipa. Tu, como jogador, foste isto tudo e fizeste-o melhor que ninguém à tua época, mesmo em comparação com os outros nomes que referi atrás. Logo aí deixas-te a tua marca. Uma marca de classe e que, passados todos estes anos, consigo perceber que eram a base da ideia de futebol que implementaste quando passaste a ser treinador.
Devo assumir-te isto, por mais ridículo que possa parecer hoje. Quando assumiste o cargo de treinador da equipa principal do Barcelona, não dava muito por ti. Achava-te demasiado "verde". Pensava que uma coisa é treinar uma equipa B e outra é treinar a equipa principal de um clube de topo. Hoje em dia, lembrar-me disto é embaraçoso, mas admito que duvidei e peço-te desculpa por ter sido tão céptico em relação a ti.
A tua herança não era fácil. O teu antecessor tinha conquistado quase tudo e pensava ser impossível ultrapassares o trabalho de Rijkaard e que serias um mero treinador de transição... Eu sei, fui ridículo. O tempo provou isso mesmo e provou muito mais. Não merece a pena pôr-me aqui a enumerar as vezes que me desmentiste. As vezes que ganhaste. Os recordes que bateste e, sobretude, as vezes que a tua equipa me encantou e deslumbrou.
Convém fazer um esclarecimento. Não foram os títulos que ganhaste (14 em 19 possíveis), nem os recordes que bateste que me fazem escrever este texto. Se fosse só por isso, já tinha escrito a outros. Por exemplo, ao meu compatriota Mourinho, já tinha escrito uma dezena de cartas. Aliás, devo dizer-te que desde que este e Ronaldo chegaram a Espanha, tenho tido alguns problemas com os meus compatriotas, por admirar o teu trabalho e o futebol da equipa que agora deixas. Sou, para alguns, uma espécie de "traidor da pátria". Chegaram ao ponto de dizer "sacrilégios", tais como, que o futebol do Barça é "aborrecido". Esquecem-se que diminuir o futebol da tua equipa, acaba por diminuir também o mérito daqueles que o conseguem derrotar.
Mas como estava a dizer-te, não foi o que ganhaste que me faz admirar-te. Ou, pelo menos, só isso. O que me faz realmente admirar-te e respeitar-te como poucos no mundo da bola, é a equipa que construíste, a identidade que criaste na mesma e a "magia" que dela emanou. Fizeste-me acreditar em algo que eu já não julgava ser possível. Uma equipa ganhar, a jogar maravilhosamente bem e sempre com a mesma identidade, quer esteja a ganhar ou a perder. A jogar no chão, de pé para pé, seja na frente de ataque, seja na zona defensiva, sempre com os mesmos princípios de jogo. Dominando, esmagando e, muitas vezes, ridicularizando adversários poderosos, que se limitavam a defender no seu meio-campo, muitas vezes "enfiados", literalmente, na sua área. E tudo isto, sempre com a bola rodar, a circular, com técnica e com classe. Há que dizê-lo, meramente por curiosidade e para quem desconhece, que durante estes quatro anos, jogaste contra 247 equipas diferentes e nunca a tua equipa acabou um jogo com menos posse de bola que o adversário. Aliás, a tua equipa chegou a atingir posses de bola estratosféricas, nomeadamente no futebol actual, na ordem dos 70 a 80%. Muitas das vezes, contra as melhores equipas da Europa e do Mundo... O Barça teve uma posse de bola média durante estes quatro anos, na ordem dos 68% e isto diz muito acerca da identidade e, mais ainda, acerca da qualidade da equipa que construíste. Ter estes princípios de jogo, esta qualidade e ser bem sucedido, é algo sem precedentes e uma ideia quase "romântica" no futebol dos dias de hoje.
No fundo, foi este o futebol que eu sonhava ver, que nunca tinha visto e que já pensava ser impossível vê-lo. A última e única vez que vi algo parecido, foi no Barça treinado por Cruyff (acredito que seja a tua grande influência) no início dos anos 90 e da qual tu fazias parte. Pensava que o futebol feito, essencialmente, de habilidade e técnica tinha acabado e que a táctica e a força fisíca eram os grandes pilares para uma equipa ser bem sucedido neste futebol "moderno". Salvaste-me! E mesmo que alguns não saibam, salvaste o futebol.
Deste modo e por tudo isto, agradeço-te. Agradeço-te também pela tua postura. Por seres um gentleman (mesmo quando foste provocado). Por teres admitido que falhaste, quando isso aconteceu. Por teres sabido reconhecer mérito aos outros, nas poucas vezes em que foste derrotado, mesmo quando isso aconteceu contra os teus maiores rivais.
Pep, agradeço-te, sobretudo, por teres construído a equipa que me mostrou o melhor futebol que alguma vez vi na vida e que, provavelmente, nunca mais verei com tamanha qualidade. Acima de tudo, como adepto de futebol, agradeço-te teres-me proporcionado a oportunidade de um dia mais tarde poder dizer, em conversas sobre bola com os meus meus filhos e netos, que tive o prazer, o privilégio a a honra de ver jogar a melhor equipa de futebol de todos os tempos.
O meu muito obrigado e felicidades para ti.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Um campeão ridículo
Esta mensagem é so mesmo para desabafar. Não aceito isto e não aceito sequer que alguém diga que foi justo. Peço desculpa, mas não consigo aceitar que uma equipa como este Chelsea, seja campeã da Europa.
Uma equipa que não mereceu as meias-finais, que não mereceu a final e que não mereceu nem o prolongamento, nem os penaltys da mesma, não pode ganhar a mais importante competição europeia de clubes. Bem sei que é futebol, que é esta a imprevisibilidade que lhe dá piada, blá, blá, mas até para isso deve haver limites.
Habituei-me que as finais da Champions, são disputadas entre duas equipas de topo. Dois colossos. Pode até acontecer que o mais favorito, não seja o campeão. Pode até acontecer que o mais favorito, não chegue sequer à final. Mas quem ganha esta competição, mesmo não sendo o mais favorito, tem que ser uma equipa muito forte. Tem que ser uma das potências do futebol europeu de uma determinada época. O Chelsea de Mourinho (e depois de Avram Grant), teria sido um campeão europeu "normal". Este Chelsea não. Este Chelsea não é potência nenhuma. É uma equipa banal, que mudou de treinador a meio da época e que ficou em sexto lugar na Liga inglesa. Um sexto classificado da Liga inglesa, pode, eventualmente, ganhar uma Liga Europa. A Champions não.
E, repito, não me venham falar de justiça. Justiça na bola é jogar bem, jogar melhor que o adversário e ser premiado por isso. Defender bem, ter capacidade de sofrimento e ser eficaz, são méritos indesmentíveis que qualquer equipa deve ter. Mas por si só, não devem garantir justiça no resultado. Nomeadamente, quando falamos numa final da Liga dos Campeões. Quando assim for, não vale a pena haver bons jogadores, equipas a jogar bem e com vocação ofensiva. Basta ter bons defesas e ter um avançado que, nas poucas vezes em que a bola lhe surgir para finalizar, concretiza as oportunidades. Nada mais. E foi só isto que o Chelsea teve nos últimos cinco jogos da Champions, além de uma sorte descomunal nos momentos em que marca os golos (quem tiver dúvidas, que analise os minutos em que o Chelsea marcou nos jogos com o Benfica, Barcelona e Bayern).
Costuma-se dizer que no final ganham os melhores. Esta Champions, só veio confirmar que nem sempre é assim. Este Chelsea é, provavelmente, o campeão europeu mais sortudo e ridículo da história da competição.
Uma equipa que não mereceu as meias-finais, que não mereceu a final e que não mereceu nem o prolongamento, nem os penaltys da mesma, não pode ganhar a mais importante competição europeia de clubes. Bem sei que é futebol, que é esta a imprevisibilidade que lhe dá piada, blá, blá, mas até para isso deve haver limites.
Habituei-me que as finais da Champions, são disputadas entre duas equipas de topo. Dois colossos. Pode até acontecer que o mais favorito, não seja o campeão. Pode até acontecer que o mais favorito, não chegue sequer à final. Mas quem ganha esta competição, mesmo não sendo o mais favorito, tem que ser uma equipa muito forte. Tem que ser uma das potências do futebol europeu de uma determinada época. O Chelsea de Mourinho (e depois de Avram Grant), teria sido um campeão europeu "normal". Este Chelsea não. Este Chelsea não é potência nenhuma. É uma equipa banal, que mudou de treinador a meio da época e que ficou em sexto lugar na Liga inglesa. Um sexto classificado da Liga inglesa, pode, eventualmente, ganhar uma Liga Europa. A Champions não.
E, repito, não me venham falar de justiça. Justiça na bola é jogar bem, jogar melhor que o adversário e ser premiado por isso. Defender bem, ter capacidade de sofrimento e ser eficaz, são méritos indesmentíveis que qualquer equipa deve ter. Mas por si só, não devem garantir justiça no resultado. Nomeadamente, quando falamos numa final da Liga dos Campeões. Quando assim for, não vale a pena haver bons jogadores, equipas a jogar bem e com vocação ofensiva. Basta ter bons defesas e ter um avançado que, nas poucas vezes em que a bola lhe surgir para finalizar, concretiza as oportunidades. Nada mais. E foi só isto que o Chelsea teve nos últimos cinco jogos da Champions, além de uma sorte descomunal nos momentos em que marca os golos (quem tiver dúvidas, que analise os minutos em que o Chelsea marcou nos jogos com o Benfica, Barcelona e Bayern).
Costuma-se dizer que no final ganham os melhores. Esta Champions, só veio confirmar que nem sempre é assim. Este Chelsea é, provavelmente, o campeão europeu mais sortudo e ridículo da história da competição.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Os verdadeiros "pingos" da questão
Desde ontem, tenho verificado nas redes sociais e nas conversas de "café", uma série de elogios ao facto da Jerónimo Martins pagar a 500% aos funcionários do Pingo Doce que trabalharam o feriado do dia 1 de Maio, além de lhes ser também permitido a compra de produtos com o desconto de 50%. Foi como se, de repente, todos quisessem ser funcionários da Jerónimo Martins.
Vamos ao fundo da questão. Os acordos que o Pingo Doce faz com os seus funcionários, só dizem respeito à entidade patronal e aos empregados. A mim, pouco me interessa se a Jerónimo Martins paga o feriado a 500% ou se os seus funcionários têm descontos na compra de produtos. Se foram bem pagos, fico contente por eles, mas não me diz respeito. Aliás, não é muito difícil perceber que isto só se torna notícia e é divulgado, para amenizar os efeitos negativos que tiveram na imagem da empresa, as notícias e o "falatório" que se seguiram à tão propalada promoção do dia 1 de Maio.
O outro lado da questão é a promoção propriamente dita. Ninguém pode criticar a política comercial que a Jerónimo Martins segue, nem ninguém tem o direito de julgar as decisões de gestão da empresa, a não ser os seus próprios accionistas. Eu, como consumidor, só tenho decidir se compro ou não produtos no Pingo Doce. E, por isso mesmo, ninguém deve condenar os milhares de pessoas que se dirigiram ao Pingo Doce tentando aproveitar uma promoção que, na sua óptica, era bastante vantajosa.
Posto isto, eu como consumidor e, sobretudo, como cidadão, só posso e devo condenar aquilo que se passou naquele dia, porque, segundo a ASAE, parece que houve mesmo dumping e porque, segundo o Diário Económico de hoje, parece que quem vai pagar os custos da promoção, são mesmo os produtores. E isto é suficiente para, como cidadão, ficar preocupado e achar condenável o modo como operam as grandes empresas de distribuição. Numa cadeia de valor, que começa no produtor e que acaba no consumidor final, o lucro deve ser proporcional para todos e, sobretudo, repartido de uma forma justa. E isso, se dúvidas ainda houvessem, não acontece (e nem sequer era preciso este caso para atestá-lo). As grandes empresas de distribuição (e não é só a Jerónimo Martins), fazem o que querem dos produtores e dos seus fornecedores, "jogando" com o facto de qualquer marca ver como grande "montra" para os seus produtos estas grandes superfícies e que a ausência dos lineares das mesmas, signifique quase a "morte" destas mesmas marcas e, por outro lado, "jogando" com os produtores, que veêm nos hipermercados o local de maior fluxo de escoamento e venda dos seus produtos, trabalhando muitos deles, praticamente, em regime de exclusividade para as grandes empresas de distribuição. E, mesmo depois de tudo isto ter ficado provado, ficamos a saber que as multas para aqueles que vendem a baixo do preço de custo, quebrando as regras da concorrência saudável e da repartição justa dos lucros ao longo da cadeia de valor, são ridículas perante os proveitos que provêm deste tipo de práticas. Portanto, aqueles que ficaram muito impressionados com a percentagem com que a Jerónimo Martins pagou aos funcionários do Pingo Doce e com o desconto que os mesmos vão ter nos produtos da empresa, percebam que isso não lhes diz respeito. O que lhes diz respeito, como consumidores e (repito) como cidadãos, é saberem afinal, que a concorrência desleal existe no nosso país, que existem empresas completamente "reféns" das práticas de outras e que não têm qualquer margem de manobra para fazerem o que quer que seja e que, mesmo tudo isto sendo divulgado e provado, chegármos todos á conclusão que, afinal, o crime compensa.
Em relação aos consumidores que se deslocaram naquele dia ao Pingo Doce, não são dignos de crítica. Simplesmente, quiseram aproveitar o que lhes pareceu vantajoso. O que é preocupante, é que num país dito civilizado, terem surgido as situações de agressão e confrontos entre pessoas de forma a obter determinados produtos. Em tempos de crise, parece-me um sinal claro de que algo não vai bem na nossa sociedade. Quem agride e se confronta para obter um produto numa promoção, já não está lá, simplesmente, porque existe uma promoção. Está lá, porque precisa desesperadamente dela para sobreviver. E isto, são sinais que, na minha humilde opinião, merecem ser analisados com muita atenção.
Vamos ao fundo da questão. Os acordos que o Pingo Doce faz com os seus funcionários, só dizem respeito à entidade patronal e aos empregados. A mim, pouco me interessa se a Jerónimo Martins paga o feriado a 500% ou se os seus funcionários têm descontos na compra de produtos. Se foram bem pagos, fico contente por eles, mas não me diz respeito. Aliás, não é muito difícil perceber que isto só se torna notícia e é divulgado, para amenizar os efeitos negativos que tiveram na imagem da empresa, as notícias e o "falatório" que se seguiram à tão propalada promoção do dia 1 de Maio.
O outro lado da questão é a promoção propriamente dita. Ninguém pode criticar a política comercial que a Jerónimo Martins segue, nem ninguém tem o direito de julgar as decisões de gestão da empresa, a não ser os seus próprios accionistas. Eu, como consumidor, só tenho decidir se compro ou não produtos no Pingo Doce. E, por isso mesmo, ninguém deve condenar os milhares de pessoas que se dirigiram ao Pingo Doce tentando aproveitar uma promoção que, na sua óptica, era bastante vantajosa.
Posto isto, eu como consumidor e, sobretudo, como cidadão, só posso e devo condenar aquilo que se passou naquele dia, porque, segundo a ASAE, parece que houve mesmo dumping e porque, segundo o Diário Económico de hoje, parece que quem vai pagar os custos da promoção, são mesmo os produtores. E isto é suficiente para, como cidadão, ficar preocupado e achar condenável o modo como operam as grandes empresas de distribuição. Numa cadeia de valor, que começa no produtor e que acaba no consumidor final, o lucro deve ser proporcional para todos e, sobretudo, repartido de uma forma justa. E isso, se dúvidas ainda houvessem, não acontece (e nem sequer era preciso este caso para atestá-lo). As grandes empresas de distribuição (e não é só a Jerónimo Martins), fazem o que querem dos produtores e dos seus fornecedores, "jogando" com o facto de qualquer marca ver como grande "montra" para os seus produtos estas grandes superfícies e que a ausência dos lineares das mesmas, signifique quase a "morte" destas mesmas marcas e, por outro lado, "jogando" com os produtores, que veêm nos hipermercados o local de maior fluxo de escoamento e venda dos seus produtos, trabalhando muitos deles, praticamente, em regime de exclusividade para as grandes empresas de distribuição. E, mesmo depois de tudo isto ter ficado provado, ficamos a saber que as multas para aqueles que vendem a baixo do preço de custo, quebrando as regras da concorrência saudável e da repartição justa dos lucros ao longo da cadeia de valor, são ridículas perante os proveitos que provêm deste tipo de práticas. Portanto, aqueles que ficaram muito impressionados com a percentagem com que a Jerónimo Martins pagou aos funcionários do Pingo Doce e com o desconto que os mesmos vão ter nos produtos da empresa, percebam que isso não lhes diz respeito. O que lhes diz respeito, como consumidores e (repito) como cidadãos, é saberem afinal, que a concorrência desleal existe no nosso país, que existem empresas completamente "reféns" das práticas de outras e que não têm qualquer margem de manobra para fazerem o que quer que seja e que, mesmo tudo isto sendo divulgado e provado, chegármos todos á conclusão que, afinal, o crime compensa.
Em relação aos consumidores que se deslocaram naquele dia ao Pingo Doce, não são dignos de crítica. Simplesmente, quiseram aproveitar o que lhes pareceu vantajoso. O que é preocupante, é que num país dito civilizado, terem surgido as situações de agressão e confrontos entre pessoas de forma a obter determinados produtos. Em tempos de crise, parece-me um sinal claro de que algo não vai bem na nossa sociedade. Quem agride e se confronta para obter um produto numa promoção, já não está lá, simplesmente, porque existe uma promoção. Está lá, porque precisa desesperadamente dela para sobreviver. E isto, são sinais que, na minha humilde opinião, merecem ser analisados com muita atenção.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Falem no sobrenatural. Falem em eficácia. Não falem em justiça.
Há quem diga que, nos últimos tempos, só falo aqui de bola. Não sendo propositado, é verdade que tem sido o tema mais visto por aqui.
Contudo, o futebol muitas vezes é uma metáfora da vida e ensina-nos que não há nada garantido, que não há impossíveis e que nem sempre o talento é suficiente para ultrapassar as dificuldades e alcançar o sucesso.
O jogo desta noite, é um belo exemplo. Aliás, toda a eliminatória entre o Barcelona e o Chelsea, é o melhor dos exemplos. Confesso, que depois do primeiro jogo afirmei que nunca mais este Chelsea venceria este Barcelona. Enganei-me. Nada é garantido.
Hoje vi o pior Messi. Nem sequer seria necessário falar do penalty falhado. Bastaria mencionar o anormal número de passes falhados durante o jogo. Vi um Ramires fantástico. Um atleta magnífico e um golo de uma enorme classe (o melhor jogador brasileiro a jogar na Europa?). Vi um Chelsea, sem dúvida, solidário, a correr muito e com jogadores com muitos anos de bola, a lutarem para chegarem a uma final que lhes fugiu durante os seus melhores anos. Honra lhes seja feita.
Mas não me venham falar de justiça. O Chelsea correu muito. O Chelsea fez o que podia. O Chelsea jogou hoje durante muitos minutos com um jogador a menos. O Chelsea jogou da única forma com que poderia bater o Barcelona. É verdade e não discuto os méritos da equipa inglesa. Mas não me lixem, com a história que tudo isto basta para se falar num vencedor justo. O Chelsea andou 180 minutos encostado no "buraco", a "cheirar" a bola e à espera de um momento para atacar. O Chelsea viu 3 ou 4 bolas nos ferros durante a eliminatória, viu um penalty falhado, viu oportunidades a serem falhadas de baliza aberta. Não há impossíveis, de facto.
Portanto, falem-me que o "sobrenatural" e a sorte fazem parte do futebol e eu aceito. Falem-me em eficácia e eu assino por baixo. Agora, não me venham dizer que jogar assim e ganhar, é justo. Não é. Justo é ganharem aqueles que durante um jogo são melhores e jogam mais e isso não aconteceu. Nem sempre o talento é suficiente, para se ser o melhor e é bem verdade.
Por último, não faço ideia se um ciclo está a acabar ou se esta época será uma excepção ao actual domínio do futebol mundial por parte do Barça. O que sei e repito, é que tenho a certeza que o Barça é (foi?) a melhor equipa de futebol que alguma vez vi jogar na vida, que tenho sérias dúvidas que não seja mesmo a melhor da história do futebol e que me sinto um privilegiado por um dia ter visto tamanha ideia de futebol ter sido posta em prática.
Aqui ficam as estatísticas dos dois jogos, para que cada um tire as suas conclusões.
Estatística do jogo da 1ª mão:
Chelsea/Barcelona
Golos marcados 1/0
Remates à baliza 1/6
Remates para fora 3 /13
Cantos 1/8
Foras-de-jogo 5/2
Faltas cometidas 11/9
Cartões amarelos 2/2
Cartões vermelhos 0/0
Posse de bola (%) 28/72
Estatística do jogo da 2ª mão:
Barcelona/Chelsea
Golos marcados 2/2
Remates à baliza 5/3
Remates para fora 12/4
Cantos 10/1
Foras-de-jogo 1/1
Faltas cometidas 8/10
Cartões amarelos 2/6
Cartões vermelhos 0/1
Posse de bola (%) 72/28
PS: Sei que há por aí uns "patriotas" que acham que para exaltar os talentos extraordinários de Mourinho (o melhor treinador do mundo, provavelmente, o melhor de todos os tempos) e Ronaldo (a próxima Bola de Ouro é dele e foi ganha sábado e hoje), têm necessidade de dizer mal do Barcelona, de Guardiola e de Messi, sentindo uma vontade enorme de sair para o Marquês para festejar as derrotas do Barça e as conquistas do Real. Não conseguem perceber que diminuir o Barcelona e o futebol que pratica, acaba por diminuir, injustamente, o mérito que tanto Mourinho, como Ronaldo têm tido esta época. Enfim... Sejam felizes e talvez um dia tenham um discernimento de perceber o privilégio que foi ver este Barça jogar futebol. Aliás, quero acreditar que isso vai mesmo acontecer. Afinal, a verdade é como o azeite...
PS2: Um esclarecimento: eu não sou do Barcelona, nem do Real Madrid. Sou do Benfica. Se fosse o Real Madrid a fazer o jogo que o Barcelona faz, eu diria do Real Madrid o que digo do Barcelona. O "patriotismo" (atenção às aspas...) não me cega.
Contudo, o futebol muitas vezes é uma metáfora da vida e ensina-nos que não há nada garantido, que não há impossíveis e que nem sempre o talento é suficiente para ultrapassar as dificuldades e alcançar o sucesso.
O jogo desta noite, é um belo exemplo. Aliás, toda a eliminatória entre o Barcelona e o Chelsea, é o melhor dos exemplos. Confesso, que depois do primeiro jogo afirmei que nunca mais este Chelsea venceria este Barcelona. Enganei-me. Nada é garantido.
Hoje vi o pior Messi. Nem sequer seria necessário falar do penalty falhado. Bastaria mencionar o anormal número de passes falhados durante o jogo. Vi um Ramires fantástico. Um atleta magnífico e um golo de uma enorme classe (o melhor jogador brasileiro a jogar na Europa?). Vi um Chelsea, sem dúvida, solidário, a correr muito e com jogadores com muitos anos de bola, a lutarem para chegarem a uma final que lhes fugiu durante os seus melhores anos. Honra lhes seja feita.
Mas não me venham falar de justiça. O Chelsea correu muito. O Chelsea fez o que podia. O Chelsea jogou hoje durante muitos minutos com um jogador a menos. O Chelsea jogou da única forma com que poderia bater o Barcelona. É verdade e não discuto os méritos da equipa inglesa. Mas não me lixem, com a história que tudo isto basta para se falar num vencedor justo. O Chelsea andou 180 minutos encostado no "buraco", a "cheirar" a bola e à espera de um momento para atacar. O Chelsea viu 3 ou 4 bolas nos ferros durante a eliminatória, viu um penalty falhado, viu oportunidades a serem falhadas de baliza aberta. Não há impossíveis, de facto.
Portanto, falem-me que o "sobrenatural" e a sorte fazem parte do futebol e eu aceito. Falem-me em eficácia e eu assino por baixo. Agora, não me venham dizer que jogar assim e ganhar, é justo. Não é. Justo é ganharem aqueles que durante um jogo são melhores e jogam mais e isso não aconteceu. Nem sempre o talento é suficiente, para se ser o melhor e é bem verdade.
Por último, não faço ideia se um ciclo está a acabar ou se esta época será uma excepção ao actual domínio do futebol mundial por parte do Barça. O que sei e repito, é que tenho a certeza que o Barça é (foi?) a melhor equipa de futebol que alguma vez vi jogar na vida, que tenho sérias dúvidas que não seja mesmo a melhor da história do futebol e que me sinto um privilegiado por um dia ter visto tamanha ideia de futebol ter sido posta em prática.
Aqui ficam as estatísticas dos dois jogos, para que cada um tire as suas conclusões.
Estatística do jogo da 1ª mão:
Chelsea/Barcelona
Golos marcados 1/0
Remates à baliza 1/6
Remates para fora 3 /13
Cantos 1/8
Foras-de-jogo 5/2
Faltas cometidas 11/9
Cartões amarelos 2/2
Cartões vermelhos 0/0
Posse de bola (%) 28/72
Estatística do jogo da 2ª mão:
Barcelona/Chelsea
Golos marcados 2/2
Remates à baliza 5/3
Remates para fora 12/4
Cantos 10/1
Foras-de-jogo 1/1
Faltas cometidas 8/10
Cartões amarelos 2/6
Cartões vermelhos 0/1
Posse de bola (%) 72/28
PS: Sei que há por aí uns "patriotas" que acham que para exaltar os talentos extraordinários de Mourinho (o melhor treinador do mundo, provavelmente, o melhor de todos os tempos) e Ronaldo (a próxima Bola de Ouro é dele e foi ganha sábado e hoje), têm necessidade de dizer mal do Barcelona, de Guardiola e de Messi, sentindo uma vontade enorme de sair para o Marquês para festejar as derrotas do Barça e as conquistas do Real. Não conseguem perceber que diminuir o Barcelona e o futebol que pratica, acaba por diminuir, injustamente, o mérito que tanto Mourinho, como Ronaldo têm tido esta época. Enfim... Sejam felizes e talvez um dia tenham um discernimento de perceber o privilégio que foi ver este Barça jogar futebol. Aliás, quero acreditar que isso vai mesmo acontecer. Afinal, a verdade é como o azeite...
PS2: Um esclarecimento: eu não sou do Barcelona, nem do Real Madrid. Sou do Benfica. Se fosse o Real Madrid a fazer o jogo que o Barcelona faz, eu diria do Real Madrid o que digo do Barcelona. O "patriotismo" (atenção às aspas...) não me cega.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Uma questão de identidade
Juro que não é para provocar ninguém. Quem me conhece, sabe que apoio sempre qualquer adversário que jogue contra o Sporting, com excepção dos jogos em que o meu clube possa beneficiar de uma vitória da colectividade de Alvalade ou dos jogos em que defronta o Porto (nesta última hipótese opto pelo resultado que melhor beneficie os interesses do meu clube ou, como segunda hipótese, opto por uma postura de total neutralidade). Escusado será dizer que a minha postura perante os jogos da colectividade das Antas, é em tudo semelhante. Portanto, hoje tanto podiam jogar com Athletic Bilbao, como com o Metalist, que a minha postura seria a mesma. Desde já, deixo um pedido de desculpa aos eventuais "patriotas" que se sintam ofendidos, por eu ter dito que não apoiava o Sporting ou o Porto, mesmo que em causa estejam jogos internacionais. Talvez eu não seja tão "patriota" quanto vocês, mas provavelmente fico mais tranquilo que muitos de vocês em relação ao meu nível de hipocrisia ("aprecio" aquela rapaziada que se põe com a conversa do "temos que apoiar os clubes portugueses contra os estrangeiros" e, no dia seguinte a uma derrota europeia do clube rival, demonstram o seu gozo e regojizo perante o resultado. O "patriotismo" desta malta é enorme...).
Vamos a questão que me fez escrever umas linhas. Não tenho qualquer tipo de ideal separatista e a causa basca a mim pouco me diz. Confesso que nunca procurei investigar o assunto, de modo a ter uma opinião sobre a legitimidade ou não da luta separatista do povo basco. Mas em relação ao clube de Bilbao, não nego a admiração e o respeito que tenho por ele. Um clube que no meio deste "futebol moderno", consegue respeitar e manter uma identidade muito própria, é de realçar e de sublinhar.
No futebol actual, um clube ter como filosofia a obrigatoriedade de ter como jogadores do seu plantel, jogadores naturais da sua região, formados em clubes dessa mesma região ou, em última hipótese, jogadores que não sendo naturais da sua região, tenham uma forte ligação de ascendência ou de identificação com a mesma, eu diria que é quase "romântico". E eu como nestas coisa da bola, segundo me dizem, sou um bocado para o "romântico", tenho que fazer a minha vénia a quem ainda pratica este tipo de atitude.
Deixo só esta questão: não seria lógico que os príncipios que o Athletic Bilbao utiliza para a composição do seu plantel, fossem aplicados na Federação Portuguesa de Futebol para as selecções nacionais? Confesso a confusão que me faz, que um jogador brasileiro (ou de outra nacionalidade qualquer) que veio para Portugal jogar, que em nada se identifica com o país e que só por ser bom jogador e útil numa determinada posição, vista a camisola da selecção nacional. Não me consigo identificar com aquele jogador. Não o sinto como um dos "meus". E, atenção, não estou a pedir que joguem na selecção, exclusivamente, jogadores nascidos em Portugal. Não. Mas perturba-me que alguém com 26 anos, proveniente de um qualquer Santo André do Brasil e que aparece a jogar num qualquer clube do nosso campeonato, seja merecedor de jogar na selecção, pelo simples facto de ser bom jogador ou jogar numa posição em que a nossa selecção não está bem servida. Não consigo aceitar. Se temos "defeitos" que sejam remediados por alguém que sinta a camisola e a cultura do país e não por um gajo que na sua selecção de origem não tem lugar e vê ali a oportunidade de jogar um Mundial ou um Europeu.
Prefiro perder com os "meus" do que ganhar com os "dos outros". Uma saudação e uma vénia para o Athletic Bilbao e para todos aqueles que ainda têm e defendem uma identidade dentro deste "futebol moderno"
Vamos a questão que me fez escrever umas linhas. Não tenho qualquer tipo de ideal separatista e a causa basca a mim pouco me diz. Confesso que nunca procurei investigar o assunto, de modo a ter uma opinião sobre a legitimidade ou não da luta separatista do povo basco. Mas em relação ao clube de Bilbao, não nego a admiração e o respeito que tenho por ele. Um clube que no meio deste "futebol moderno", consegue respeitar e manter uma identidade muito própria, é de realçar e de sublinhar.
No futebol actual, um clube ter como filosofia a obrigatoriedade de ter como jogadores do seu plantel, jogadores naturais da sua região, formados em clubes dessa mesma região ou, em última hipótese, jogadores que não sendo naturais da sua região, tenham uma forte ligação de ascendência ou de identificação com a mesma, eu diria que é quase "romântico". E eu como nestas coisa da bola, segundo me dizem, sou um bocado para o "romântico", tenho que fazer a minha vénia a quem ainda pratica este tipo de atitude.
Deixo só esta questão: não seria lógico que os príncipios que o Athletic Bilbao utiliza para a composição do seu plantel, fossem aplicados na Federação Portuguesa de Futebol para as selecções nacionais? Confesso a confusão que me faz, que um jogador brasileiro (ou de outra nacionalidade qualquer) que veio para Portugal jogar, que em nada se identifica com o país e que só por ser bom jogador e útil numa determinada posição, vista a camisola da selecção nacional. Não me consigo identificar com aquele jogador. Não o sinto como um dos "meus". E, atenção, não estou a pedir que joguem na selecção, exclusivamente, jogadores nascidos em Portugal. Não. Mas perturba-me que alguém com 26 anos, proveniente de um qualquer Santo André do Brasil e que aparece a jogar num qualquer clube do nosso campeonato, seja merecedor de jogar na selecção, pelo simples facto de ser bom jogador ou jogar numa posição em que a nossa selecção não está bem servida. Não consigo aceitar. Se temos "defeitos" que sejam remediados por alguém que sinta a camisola e a cultura do país e não por um gajo que na sua selecção de origem não tem lugar e vê ali a oportunidade de jogar um Mundial ou um Europeu.
Prefiro perder com os "meus" do que ganhar com os "dos outros". Uma saudação e uma vénia para o Athletic Bilbao e para todos aqueles que ainda têm e defendem uma identidade dentro deste "futebol moderno"
quinta-feira, 12 de abril de 2012
O polícia que escreve livros
Podia chamar-lhe "polícia cowboy", alcunha que lhe foi colocada por alguém muito mais insuspeito que eu, o sportinguista Daniel Oliveira. Eu, desde sempre, que lhe chamo "o polícia que escreve livros". Não dá tanto jeito para dizer e, muito menos, para escrever, mas foi sempre assim com que me referi ao senhor.
Não me esquecendo da sempre muito referenciada (e bem) presunção de inocência, não nego o sorriso malandro que fiz ao ouvir nas notícias que o senhor tinha sido constítuido arguido por uma alegada "armadilha" ao fiscal de linha Cardinal.
Não faço ideia se a coisa se confirma ou não. Aliás, nem sequer estou muito interessado no assunto. Não me diz respeito. Sei que nos próximos dias vão surgir as habituais teorias da "cabala" (algo me diz, que ainda vai sobrar para o Benfica...), vai falar-se que o fiscal de linha é o mesmo da final da Taça da Liga em que o Sporting foi derrotado pelo Benfica (um autêntico trauma no mundo lagarto. O que não deixa de ser curioso, quando passam a vida a desvalorizar esta mesma competição, que em duas finais consecutivas conseguiram perder...) e que tudo isto não passa de uma manobra para desestabilizar o Sporting numa altura em que desportivamente estão melhor, depois de alcançadas a final da Taça de Portugal, a meia-final da Liga Europa e, sobretudo, depois da vitória sobre o Benfica. Vão ser estas, certamente, as cenas dos próximos episódios, numa história que envolve o vice-presidente do "auto-proclamado" clube da verdade desportiva, da boa moral, da ética, blá, blá, blá...
O que sei e o que posso dizer, é que nunca gostei de polícias (ou de profissionais com responsabilidades semelhantes) que escrevem livros e depois se tornam em estrelas da televisão matinal. Cheira-me mal. O que sei, é que nunca gostei de gente na bola que fala para o adepto, recorrendo ao populismo básico. O que sei, é que não gosto de gente na bola que fala para os topos do estádio, recorrendo à demagogia e, sobretudo, "ateando fogos" (literalmente), desculpando os erros e os fracassos das administrações de que fazem parte. O que sei, é que o "polícia que escreve livros", a mim, nunca me enganou.
Não me esquecendo da sempre muito referenciada (e bem) presunção de inocência, não nego o sorriso malandro que fiz ao ouvir nas notícias que o senhor tinha sido constítuido arguido por uma alegada "armadilha" ao fiscal de linha Cardinal.
Não faço ideia se a coisa se confirma ou não. Aliás, nem sequer estou muito interessado no assunto. Não me diz respeito. Sei que nos próximos dias vão surgir as habituais teorias da "cabala" (algo me diz, que ainda vai sobrar para o Benfica...), vai falar-se que o fiscal de linha é o mesmo da final da Taça da Liga em que o Sporting foi derrotado pelo Benfica (um autêntico trauma no mundo lagarto. O que não deixa de ser curioso, quando passam a vida a desvalorizar esta mesma competição, que em duas finais consecutivas conseguiram perder...) e que tudo isto não passa de uma manobra para desestabilizar o Sporting numa altura em que desportivamente estão melhor, depois de alcançadas a final da Taça de Portugal, a meia-final da Liga Europa e, sobretudo, depois da vitória sobre o Benfica. Vão ser estas, certamente, as cenas dos próximos episódios, numa história que envolve o vice-presidente do "auto-proclamado" clube da verdade desportiva, da boa moral, da ética, blá, blá, blá...
O que sei e o que posso dizer, é que nunca gostei de polícias (ou de profissionais com responsabilidades semelhantes) que escrevem livros e depois se tornam em estrelas da televisão matinal. Cheira-me mal. O que sei, é que nunca gostei de gente na bola que fala para o adepto, recorrendo ao populismo básico. O que sei, é que não gosto de gente na bola que fala para os topos do estádio, recorrendo à demagogia e, sobretudo, "ateando fogos" (literalmente), desculpando os erros e os fracassos das administrações de que fazem parte. O que sei, é que o "polícia que escreve livros", a mim, nunca me enganou.
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