No futebol ou na vida, as opções devem ser tomadas. Podemos errar ou acertar. Podemos avaliar os prós e os contras. Mas há que tomar decisões. E depois de decidido, não há "ses".
Na minha opinião, Nélson Oliveira e Roderick, foram muito bem emprestados ao Corunha. No Benfica, não teriam o espaço suficiente para assumir a titularidade e sendo eles daqueles jogadores que não enganam e na idade em que estão, seria uma pena para eles, para o seu futuro e para o futuro do Benfica, que eles passassem um ano a jogar de vez em quando ou, numa outra opção, serem emprestados novamente a clubes de menor dimensão da nossa liga ou a clubes de outras ligas de menor dimensão. Qualquer uma destas hipóteses, certamente não ajudaria nada à sua evolução como jogadores e seriam opções que, provavelmente, poderiam desmotivá-los.
O Corunha, está longe de ser um grande em Espanha. Mas joga numa das melhores ligas do mundo, onde jogam os dois melhores jogadores do planeta e, certamente, é uma solução que os motiva e que poderá contribuir para a sua evolução e amadurecimento como jogadores.
E voltando à parte inicial deste texto, quem acredita como eu que esta foi a melhor solução, não poderá mudar a sua opinião, baseando-se naquilo que será a época do Benfica. Quem agora diz, como eu, que esta foi a melhor decisão, não poderá daqui a uns meses, caso as coisas corram mal, caso Cardozo ou Rodrigo não marquem, caso os centrais não correspondam, pôr em causa a mesma.
O cenário actual é este: Cardozo e Rodrigo, mesmo que não simpatizemos com os estilos destes e por mais que queiramos ver um jogador português e formado nas escolas do Benfica, como ponta-de-lança da nossa equipa, temos que admitir que nenhum destes dois fica atrás de Nélson Oliveira no rendimento e, no caso de Rodrigo, no potencial de futuro que também este poderá ter para o Benfica. No caso de Roderick, o caso ainda mais consensual me parece. Luisão e Garay, são os melhores centrais deste campeonato e ninguém põe em causa que serão estes os centrais titulares. Roderick poderia ser o central suplente. Uma segunda opção. Mas será que isso o ajudava a evoluir? Parece-me que não.
As decisões são tomadas, segundo os cenários que temos no presente. Há prós e contras sempre. Mas as decisões existem para serem decididas. E depois de tomadas e aceites, não deve haver segundas leituras. Aceito que não se concorde. Não aceito que se diga que a mesma não tem lógica. Não concordo com algumas opções tomadas na composição deste plantel, mas com esta concordo em absoluto. No final da época, aconteça o que acontecer, mesmo que tudo corra mal, repetirei que concordei com a decisão. A coerência é uma coisa bonita. A honestidade intelectual também. E lançar "bombas" só porque há que dizer mal, é feio. Mesmo que estejamos a falar de bola.
P.S.: A propósito daquilo que não concordo ou não entendo, para quê tanto extremo? Será tão difícil, encontrar, no mínimo, um "Dimas" para jogar a defesa-esquerdo?
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
Não os comparem. Eles são iguais.
Muito se tem falado e escrito sobre a licenciatura do Dr. Relvas. E sim, se ele tivesse vergonha na cara, o Dr. Relvas já se teria demitido (e nem sequer seria necessário o caso da licenciatura...).
A mim nunca me enganou. Já o tinha referido aqui, que a minha simpatia por este senhor é pouca ou nenhuma e é algo que já vem de trás, muito antes do Dr. Relvas estar no governo. Agora existem factos objectivos que confirmam a minha opinião, mas antes desses factos existirem, aquele "vozinha" cínica, aquele sorriso de "artista" e o percurso típico de "menino do aparelho", já me denunciavam que o Dr. Relvas era rapaz que não fazia falta nenhuma à vida pública e política do país.
Devido à questão da licenciatura do Dr. Relvas, surgiram logo inevitáveis comparações à licenciatura de outro "artista", o Eng. José Sócrates. Se um licenciou-se num ano, o outro licenciou-se fazendo exames ao Domingo. Os que defendem o Dr. Relvas e que defendem que tudo isto é uma cabala contra este, dizem que aqueles que agora o acusam, não tiveram a mesma atitude quando as dúvidas eram sobre a licenciatura do Eng. José Sócrates. Os defensores do Eng. José Sócrates que, também eles, defenderam que houve uma cabala contra este, dizem agora que aqueles que punham em causa a licenciatura "dominical" do Eng. Sócrates, não estão a ser coerentes quando agora se fala da licenciatura à "velocidade do som" do Dr. Relvas.
Pois bem. Para mim, é muito simples. Acho uma perca de tempo enorme debater quem é o menos mau ou quem foram ou são os menos ou mais coerentes na sua defesa ou acusação. É tudo "farinha do mesmo saco". "Farinha" dos aparelhos partidários, responsáveis maiores pelo estado a que este país chegou. Gente que passou a juventude na "carneirada" que são as "jotas" dos vários partidos e que um dia para terem um "canudo" de forma a justificar futuras colocações no aparelho do Estado, quiseram tirar um curso e como gente de bons conhecimentos que são, conseguiram-no e com facilidades e condições que, acredito, poucos alunos neste país tiveram.
Sinceramente, nesta história, só lamento o embaraço e a preocupação legítima que os actuais e antigos alunos da Lusófona estão a ter com algo que, não tendo eles culpa nenhuma, poderá dificultar a sua vida futura. Não será necessário ser "bruxo", para perceber que, nos próximos tempos, uma licenciatura na Lusófona, mesmo que tenha sido conseguida com todo o mérito e que a mesma tenha sido avaliada de uma forma justa e exigente, terá sempre o "carimbo" Relvas e será sempre posto em causa a forma e o rigor com que a mesma foi conseguida.
Quanto á comparações, não percam tempo. Eles são iguais. Eles e outros que por aí andam. Sim, há muitos mais...
A mim nunca me enganou. Já o tinha referido aqui, que a minha simpatia por este senhor é pouca ou nenhuma e é algo que já vem de trás, muito antes do Dr. Relvas estar no governo. Agora existem factos objectivos que confirmam a minha opinião, mas antes desses factos existirem, aquele "vozinha" cínica, aquele sorriso de "artista" e o percurso típico de "menino do aparelho", já me denunciavam que o Dr. Relvas era rapaz que não fazia falta nenhuma à vida pública e política do país.
Devido à questão da licenciatura do Dr. Relvas, surgiram logo inevitáveis comparações à licenciatura de outro "artista", o Eng. José Sócrates. Se um licenciou-se num ano, o outro licenciou-se fazendo exames ao Domingo. Os que defendem o Dr. Relvas e que defendem que tudo isto é uma cabala contra este, dizem que aqueles que agora o acusam, não tiveram a mesma atitude quando as dúvidas eram sobre a licenciatura do Eng. José Sócrates. Os defensores do Eng. José Sócrates que, também eles, defenderam que houve uma cabala contra este, dizem agora que aqueles que punham em causa a licenciatura "dominical" do Eng. Sócrates, não estão a ser coerentes quando agora se fala da licenciatura à "velocidade do som" do Dr. Relvas.
Pois bem. Para mim, é muito simples. Acho uma perca de tempo enorme debater quem é o menos mau ou quem foram ou são os menos ou mais coerentes na sua defesa ou acusação. É tudo "farinha do mesmo saco". "Farinha" dos aparelhos partidários, responsáveis maiores pelo estado a que este país chegou. Gente que passou a juventude na "carneirada" que são as "jotas" dos vários partidos e que um dia para terem um "canudo" de forma a justificar futuras colocações no aparelho do Estado, quiseram tirar um curso e como gente de bons conhecimentos que são, conseguiram-no e com facilidades e condições que, acredito, poucos alunos neste país tiveram.
Sinceramente, nesta história, só lamento o embaraço e a preocupação legítima que os actuais e antigos alunos da Lusófona estão a ter com algo que, não tendo eles culpa nenhuma, poderá dificultar a sua vida futura. Não será necessário ser "bruxo", para perceber que, nos próximos tempos, uma licenciatura na Lusófona, mesmo que tenha sido conseguida com todo o mérito e que a mesma tenha sido avaliada de uma forma justa e exigente, terá sempre o "carimbo" Relvas e será sempre posto em causa a forma e o rigor com que a mesma foi conseguida.
Quanto á comparações, não percam tempo. Eles são iguais. Eles e outros que por aí andam. Sim, há muitos mais...
sexta-feira, 15 de junho de 2012
O "cronista social futebolistico" disfarçado
É algo que está na moda. O apelidado "jornalista desportivo", ganha confiança com um ou mais futebolistas famosos, começa tratar os atletas por "tu" e com isso consegue umas entrevistas em exclusivo, onde o famoso jogador mostra a piscina, o cão, os carros potentes que tem na garagem, etc.
Penso que o primeiro "cronista social futebolistíco" a surgir na imprensa portuguesa, terá sido Daniel Oliveira, que tal como quase os todos "cronistas sociais" que por aí existem, nunca percebi bem a utilidade e o porquê deste senhor se ter tornado digno de aparecer na TV. Contudo, honra lhe seja feita, foi o primeiro a "inaugurar" esta actividade e , além do mais, nunca precisou de ser jornalista do que quer que seja (pelo menos que eu tenha conhecimento), para conseguir exclusivos na intimidade dos futebolistas. Penso que é o único "cronista social futebolistíco" assumido.
O que me incomoda mais, são os jornalistas desportivos, os tais que se regem por um código doentológico de isenção e de imparcialidade e que, por consequência disso mesmo, devem manter algum distanciamento no tratamento daqueles que analisam e noticiam todos os dias, começarem a tratar por "tu", tudo o que é futebolista, nomeadamente, os da selecção, para com isto conseguirem uma relação mais próxima, de modo a obterem uns sempre "apetitosos" exclusivos. Nuno Luz, é o expoente máximo disto mesmo. Trata tudo o que é craque do Real Madrid por "tu" e depois é vê-lo nos bastidores da selecção, na casa do Ronaldo, do Coentrão, do Pepe, etc.
Não me incomoda nada que estes exclusivos aconteçam e existam pessoas na comunicação social com uma relação tão próxima com os nossos jogadores. Nada disso. O que me incomoda é chamarem a um tipo como Nuno Luz de jornalista, quando ele tem relações tão próximas com aqueles que, por obrigação profissional, deve analisar com distanciamento e isenção. Pergunto-me, que imparcialidade terá Nuno Luz, quando publicamente tem uma relação "tu cá tu lá" com Ronaldo, para, em caso de necessidade, criticá-lo ou revelar uma notícia que não abone a favor do rapaz? Irá Nuno Luz, sentir-se à vontade para fazê-lo, depois de Ronaldo lhe ter aberto as portas da sua mansão para mais do que um exclusivo e a quem este até trata por "tu"? Ou melhor, imaginemos que Ronaldo é criticado ou que sai uma notícia onde é posto em causa por algum motivo e que Nuno Luz, num trabalho jornalístico, vem contrariar dizendo que é tudo falso. Será que alguém acreditará nele? Será que essa "intimidade" não fará que a credibilidade dessa informação (mesmo sendo verdadeira) não seja posta em causa?
Portanto, o que proponho, é que se deixe de chamar jornalista a Nuno Luz. Ela era jornalista (bom ou mau), quando levava com sacos de água no estágio da selecção, mas que mesmo assim, continuava a fazer o seu directo e a denunciar a situação. Aí sim, o homem era jornalista. Agora não. E não é só este Nuno Luz que já não é jornalista. Há por aí mais. Aliás, quando estamos em fases finais de Europeus ou Mundiais, há uma espécie de epidemia de "pseudo jornalistas".
Um jornalista desportivo, não é, de todo, compatível com a actividade de "cronista social desportivo". Daniel Oliveira é um "cronista social desportivo" assumido. Nada contra. Nuno Luz também o é, mas disfarçado de "jornalista desportivo". E isso sim, é mau. Digam ao homem que se assuma.
Penso que o primeiro "cronista social futebolistíco" a surgir na imprensa portuguesa, terá sido Daniel Oliveira, que tal como quase os todos "cronistas sociais" que por aí existem, nunca percebi bem a utilidade e o porquê deste senhor se ter tornado digno de aparecer na TV. Contudo, honra lhe seja feita, foi o primeiro a "inaugurar" esta actividade e , além do mais, nunca precisou de ser jornalista do que quer que seja (pelo menos que eu tenha conhecimento), para conseguir exclusivos na intimidade dos futebolistas. Penso que é o único "cronista social futebolistíco" assumido.
O que me incomoda mais, são os jornalistas desportivos, os tais que se regem por um código doentológico de isenção e de imparcialidade e que, por consequência disso mesmo, devem manter algum distanciamento no tratamento daqueles que analisam e noticiam todos os dias, começarem a tratar por "tu", tudo o que é futebolista, nomeadamente, os da selecção, para com isto conseguirem uma relação mais próxima, de modo a obterem uns sempre "apetitosos" exclusivos. Nuno Luz, é o expoente máximo disto mesmo. Trata tudo o que é craque do Real Madrid por "tu" e depois é vê-lo nos bastidores da selecção, na casa do Ronaldo, do Coentrão, do Pepe, etc.
Não me incomoda nada que estes exclusivos aconteçam e existam pessoas na comunicação social com uma relação tão próxima com os nossos jogadores. Nada disso. O que me incomoda é chamarem a um tipo como Nuno Luz de jornalista, quando ele tem relações tão próximas com aqueles que, por obrigação profissional, deve analisar com distanciamento e isenção. Pergunto-me, que imparcialidade terá Nuno Luz, quando publicamente tem uma relação "tu cá tu lá" com Ronaldo, para, em caso de necessidade, criticá-lo ou revelar uma notícia que não abone a favor do rapaz? Irá Nuno Luz, sentir-se à vontade para fazê-lo, depois de Ronaldo lhe ter aberto as portas da sua mansão para mais do que um exclusivo e a quem este até trata por "tu"? Ou melhor, imaginemos que Ronaldo é criticado ou que sai uma notícia onde é posto em causa por algum motivo e que Nuno Luz, num trabalho jornalístico, vem contrariar dizendo que é tudo falso. Será que alguém acreditará nele? Será que essa "intimidade" não fará que a credibilidade dessa informação (mesmo sendo verdadeira) não seja posta em causa?
Portanto, o que proponho, é que se deixe de chamar jornalista a Nuno Luz. Ela era jornalista (bom ou mau), quando levava com sacos de água no estágio da selecção, mas que mesmo assim, continuava a fazer o seu directo e a denunciar a situação. Aí sim, o homem era jornalista. Agora não. E não é só este Nuno Luz que já não é jornalista. Há por aí mais. Aliás, quando estamos em fases finais de Europeus ou Mundiais, há uma espécie de epidemia de "pseudo jornalistas".
Um jornalista desportivo, não é, de todo, compatível com a actividade de "cronista social desportivo". Daniel Oliveira é um "cronista social desportivo" assumido. Nada contra. Nuno Luz também o é, mas disfarçado de "jornalista desportivo". E isso sim, é mau. Digam ao homem que se assuma.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Genuinamente rock n' roll
Podia dar mais exemplos. Mas estes estão mais presentes na minha memória, pois só passaram 48 horas.
Queria só dizer, que se eu fosse músico e tivesse uma banda, quando quisesse perceber o que querem dizer expressões como "entrega em palco", "garra em palco" ou, de uma forma mais simples, "atitude", daria um saltinho ao YouTube e veria, por exemplo, uns vídeos dos concertos no Rock In Rio 2012 de Bruce Springsteen, acompanhado dos restantes "capangas" da E Street Band ou do concerto que lhe antecedeu por parte dos Xutos. Independentemente de gostos musicais ( e eu assumo que gosto muito dos dois), penso que são dois excelente exemplos de palco, em que não são necessárias coreografias, grandes efeitos pirotécnicos ou de luzes, nem meninas com "curvas" generosas a dançar, para se ver um grande, mas grande espectáculo.
Sim, são ambas as bandas e artistas, muito experientes e com muitos anos a "virar frangos". Podem dar-se ao luxo, de fazerem alinhamentos com hits atrás de hits. Mas a tal "entrega", a tal ""garra" e a tal "atitude", não vêm dos anos de carreira, nem do número de discos no top ou do números de seguidores. Penso que se assim fosse, o efeito seria precisamente o contrário. A "atitude" desta gente, é a mesma que sempre foi. É a mesma que era no início das suas carreiras. O Springsteen de hoje, debita palavras com a mesma "força" com que debitava nos anos 70. O Kalú da actualidade, "ataca" a bateria com a mesma "fúria", com que "atacava" no início da carreira dos Xutos. É o que chamo o "rock sem merdas". Um rock n' roll sem truques, que vem das veias, das artérias, do coração e da alma. E isso meus amigos, só quem o tem e o sente, pode demonstrá-lo. Eles demonstram e é arrepiante ver rock tão genuíno e tão puro, debitado por gajos que já podiam estar a gozar a reforma (nomeadamente, o "Boss"...).
A frase poderá estar na galeria das "frases feitas". O rock é "alma" e "coração". A tão propalada "atitude" de uma banda, mede-se por isso. O Bruce, os capangas do Bruce e o "gang" Xutos & Pontapés, ainda a têm para dar e vender. Sem truques e sem merdas. Aprendam.
Queria só dizer, que se eu fosse músico e tivesse uma banda, quando quisesse perceber o que querem dizer expressões como "entrega em palco", "garra em palco" ou, de uma forma mais simples, "atitude", daria um saltinho ao YouTube e veria, por exemplo, uns vídeos dos concertos no Rock In Rio 2012 de Bruce Springsteen, acompanhado dos restantes "capangas" da E Street Band ou do concerto que lhe antecedeu por parte dos Xutos. Independentemente de gostos musicais ( e eu assumo que gosto muito dos dois), penso que são dois excelente exemplos de palco, em que não são necessárias coreografias, grandes efeitos pirotécnicos ou de luzes, nem meninas com "curvas" generosas a dançar, para se ver um grande, mas grande espectáculo.
Sim, são ambas as bandas e artistas, muito experientes e com muitos anos a "virar frangos". Podem dar-se ao luxo, de fazerem alinhamentos com hits atrás de hits. Mas a tal "entrega", a tal ""garra" e a tal "atitude", não vêm dos anos de carreira, nem do número de discos no top ou do números de seguidores. Penso que se assim fosse, o efeito seria precisamente o contrário. A "atitude" desta gente, é a mesma que sempre foi. É a mesma que era no início das suas carreiras. O Springsteen de hoje, debita palavras com a mesma "força" com que debitava nos anos 70. O Kalú da actualidade, "ataca" a bateria com a mesma "fúria", com que "atacava" no início da carreira dos Xutos. É o que chamo o "rock sem merdas". Um rock n' roll sem truques, que vem das veias, das artérias, do coração e da alma. E isso meus amigos, só quem o tem e o sente, pode demonstrá-lo. Eles demonstram e é arrepiante ver rock tão genuíno e tão puro, debitado por gajos que já podiam estar a gozar a reforma (nomeadamente, o "Boss"...).
A frase poderá estar na galeria das "frases feitas". O rock é "alma" e "coração". A tão propalada "atitude" de uma banda, mede-se por isso. O Bruce, os capangas do Bruce e o "gang" Xutos & Pontapés, ainda a têm para dar e vender. Sem truques e sem merdas. Aprendam.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Gràcies Pep
Sei que há uma probabilidade muito reduzida de leres isto. Segundo sei, queres férias e deves ter mais que fazer do que ler cartas dirigidas a ti, muito menos uma carta minha. De qualquer modo, não ficaria bem comigo mesmo, se não deixasse estas palavras registadas na esperança que um dia, por obra do acaso, tu as encontres e percas tempo a lê-las. Agradecer não custa nada e acredita que estas palavras são sentidas.
Antes de mais, deixa-me esclarecer-te algumas coisas. Sou um rapaz português, adepto do único clube em Portugal com dimensão semelhante ao teu clube e à do seu rival mais directo. Em Espanha, não tenho nenhuma simpatia especial por nenhum dos seus dois grandes clubes. Admiro a história e a grandeza dos dois, mas a simpatia vai para o Atlético de Madrid (Futre é o culpado) e para o Athletic de Bilbau (o respeito por quem não cede ao futebol "moderno" e mantém tradições, assim o justificam).
Como disse atrás, aprendi a respeitar e a admirar o Real e o Barça ao longo destes vinte e poucos anos em que vejo bola. Já vi grandes equipas de uns e de outros. Numa dessas grandes equipas, eu vi-te jogar. Como jogador, foste do melhor que vi na tua posição. Muito à frente do teu tempo, definiste juntamente com Redondo, Albertini e Paulo Sousa, aquilo que viria a ser o "trinco" do futuro. "Destruir" jogo, por si só, já não era o único objectivo. Era preciso mais. "Destruir" e depois "construir". Saber jogar e sair a jogar. Ser o primeiro construtor de jogo de uma equipa. Tu, como jogador, foste isto tudo e fizeste-o melhor que ninguém à tua época, mesmo em comparação com os outros nomes que referi atrás. Logo aí deixas-te a tua marca. Uma marca de classe e que, passados todos estes anos, consigo perceber que eram a base da ideia de futebol que implementaste quando passaste a ser treinador.
Devo assumir-te isto, por mais ridículo que possa parecer hoje. Quando assumiste o cargo de treinador da equipa principal do Barcelona, não dava muito por ti. Achava-te demasiado "verde". Pensava que uma coisa é treinar uma equipa B e outra é treinar a equipa principal de um clube de topo. Hoje em dia, lembrar-me disto é embaraçoso, mas admito que duvidei e peço-te desculpa por ter sido tão céptico em relação a ti.
A tua herança não era fácil. O teu antecessor tinha conquistado quase tudo e pensava ser impossível ultrapassares o trabalho de Rijkaard e que serias um mero treinador de transição... Eu sei, fui ridículo. O tempo provou isso mesmo e provou muito mais. Não merece a pena pôr-me aqui a enumerar as vezes que me desmentiste. As vezes que ganhaste. Os recordes que bateste e, sobretude, as vezes que a tua equipa me encantou e deslumbrou.
Convém fazer um esclarecimento. Não foram os títulos que ganhaste (14 em 19 possíveis), nem os recordes que bateste que me fazem escrever este texto. Se fosse só por isso, já tinha escrito a outros. Por exemplo, ao meu compatriota Mourinho, já tinha escrito uma dezena de cartas. Aliás, devo dizer-te que desde que este e Ronaldo chegaram a Espanha, tenho tido alguns problemas com os meus compatriotas, por admirar o teu trabalho e o futebol da equipa que agora deixas. Sou, para alguns, uma espécie de "traidor da pátria". Chegaram ao ponto de dizer "sacrilégios", tais como, que o futebol do Barça é "aborrecido". Esquecem-se que diminuir o futebol da tua equipa, acaba por diminuir também o mérito daqueles que o conseguem derrotar.
Mas como estava a dizer-te, não foi o que ganhaste que me faz admirar-te. Ou, pelo menos, só isso. O que me faz realmente admirar-te e respeitar-te como poucos no mundo da bola, é a equipa que construíste, a identidade que criaste na mesma e a "magia" que dela emanou. Fizeste-me acreditar em algo que eu já não julgava ser possível. Uma equipa ganhar, a jogar maravilhosamente bem e sempre com a mesma identidade, quer esteja a ganhar ou a perder. A jogar no chão, de pé para pé, seja na frente de ataque, seja na zona defensiva, sempre com os mesmos princípios de jogo. Dominando, esmagando e, muitas vezes, ridicularizando adversários poderosos, que se limitavam a defender no seu meio-campo, muitas vezes "enfiados", literalmente, na sua área. E tudo isto, sempre com a bola rodar, a circular, com técnica e com classe. Há que dizê-lo, meramente por curiosidade e para quem desconhece, que durante estes quatro anos, jogaste contra 247 equipas diferentes e nunca a tua equipa acabou um jogo com menos posse de bola que o adversário. Aliás, a tua equipa chegou a atingir posses de bola estratosféricas, nomeadamente no futebol actual, na ordem dos 70 a 80%. Muitas das vezes, contra as melhores equipas da Europa e do Mundo... O Barça teve uma posse de bola média durante estes quatro anos, na ordem dos 68% e isto diz muito acerca da identidade e, mais ainda, acerca da qualidade da equipa que construíste. Ter estes princípios de jogo, esta qualidade e ser bem sucedido, é algo sem precedentes e uma ideia quase "romântica" no futebol dos dias de hoje.
No fundo, foi este o futebol que eu sonhava ver, que nunca tinha visto e que já pensava ser impossível vê-lo. A última e única vez que vi algo parecido, foi no Barça treinado por Cruyff (acredito que seja a tua grande influência) no início dos anos 90 e da qual tu fazias parte. Pensava que o futebol feito, essencialmente, de habilidade e técnica tinha acabado e que a táctica e a força fisíca eram os grandes pilares para uma equipa ser bem sucedido neste futebol "moderno". Salvaste-me! E mesmo que alguns não saibam, salvaste o futebol.
Deste modo e por tudo isto, agradeço-te. Agradeço-te também pela tua postura. Por seres um gentleman (mesmo quando foste provocado). Por teres admitido que falhaste, quando isso aconteceu. Por teres sabido reconhecer mérito aos outros, nas poucas vezes em que foste derrotado, mesmo quando isso aconteceu contra os teus maiores rivais.
Pep, agradeço-te, sobretudo, por teres construído a equipa que me mostrou o melhor futebol que alguma vez vi na vida e que, provavelmente, nunca mais verei com tamanha qualidade. Acima de tudo, como adepto de futebol, agradeço-te teres-me proporcionado a oportunidade de um dia mais tarde poder dizer, em conversas sobre bola com os meus meus filhos e netos, que tive o prazer, o privilégio a a honra de ver jogar a melhor equipa de futebol de todos os tempos.
O meu muito obrigado e felicidades para ti.
Antes de mais, deixa-me esclarecer-te algumas coisas. Sou um rapaz português, adepto do único clube em Portugal com dimensão semelhante ao teu clube e à do seu rival mais directo. Em Espanha, não tenho nenhuma simpatia especial por nenhum dos seus dois grandes clubes. Admiro a história e a grandeza dos dois, mas a simpatia vai para o Atlético de Madrid (Futre é o culpado) e para o Athletic de Bilbau (o respeito por quem não cede ao futebol "moderno" e mantém tradições, assim o justificam).
Como disse atrás, aprendi a respeitar e a admirar o Real e o Barça ao longo destes vinte e poucos anos em que vejo bola. Já vi grandes equipas de uns e de outros. Numa dessas grandes equipas, eu vi-te jogar. Como jogador, foste do melhor que vi na tua posição. Muito à frente do teu tempo, definiste juntamente com Redondo, Albertini e Paulo Sousa, aquilo que viria a ser o "trinco" do futuro. "Destruir" jogo, por si só, já não era o único objectivo. Era preciso mais. "Destruir" e depois "construir". Saber jogar e sair a jogar. Ser o primeiro construtor de jogo de uma equipa. Tu, como jogador, foste isto tudo e fizeste-o melhor que ninguém à tua época, mesmo em comparação com os outros nomes que referi atrás. Logo aí deixas-te a tua marca. Uma marca de classe e que, passados todos estes anos, consigo perceber que eram a base da ideia de futebol que implementaste quando passaste a ser treinador.
Devo assumir-te isto, por mais ridículo que possa parecer hoje. Quando assumiste o cargo de treinador da equipa principal do Barcelona, não dava muito por ti. Achava-te demasiado "verde". Pensava que uma coisa é treinar uma equipa B e outra é treinar a equipa principal de um clube de topo. Hoje em dia, lembrar-me disto é embaraçoso, mas admito que duvidei e peço-te desculpa por ter sido tão céptico em relação a ti.
A tua herança não era fácil. O teu antecessor tinha conquistado quase tudo e pensava ser impossível ultrapassares o trabalho de Rijkaard e que serias um mero treinador de transição... Eu sei, fui ridículo. O tempo provou isso mesmo e provou muito mais. Não merece a pena pôr-me aqui a enumerar as vezes que me desmentiste. As vezes que ganhaste. Os recordes que bateste e, sobretude, as vezes que a tua equipa me encantou e deslumbrou.
Convém fazer um esclarecimento. Não foram os títulos que ganhaste (14 em 19 possíveis), nem os recordes que bateste que me fazem escrever este texto. Se fosse só por isso, já tinha escrito a outros. Por exemplo, ao meu compatriota Mourinho, já tinha escrito uma dezena de cartas. Aliás, devo dizer-te que desde que este e Ronaldo chegaram a Espanha, tenho tido alguns problemas com os meus compatriotas, por admirar o teu trabalho e o futebol da equipa que agora deixas. Sou, para alguns, uma espécie de "traidor da pátria". Chegaram ao ponto de dizer "sacrilégios", tais como, que o futebol do Barça é "aborrecido". Esquecem-se que diminuir o futebol da tua equipa, acaba por diminuir também o mérito daqueles que o conseguem derrotar.
Mas como estava a dizer-te, não foi o que ganhaste que me faz admirar-te. Ou, pelo menos, só isso. O que me faz realmente admirar-te e respeitar-te como poucos no mundo da bola, é a equipa que construíste, a identidade que criaste na mesma e a "magia" que dela emanou. Fizeste-me acreditar em algo que eu já não julgava ser possível. Uma equipa ganhar, a jogar maravilhosamente bem e sempre com a mesma identidade, quer esteja a ganhar ou a perder. A jogar no chão, de pé para pé, seja na frente de ataque, seja na zona defensiva, sempre com os mesmos princípios de jogo. Dominando, esmagando e, muitas vezes, ridicularizando adversários poderosos, que se limitavam a defender no seu meio-campo, muitas vezes "enfiados", literalmente, na sua área. E tudo isto, sempre com a bola rodar, a circular, com técnica e com classe. Há que dizê-lo, meramente por curiosidade e para quem desconhece, que durante estes quatro anos, jogaste contra 247 equipas diferentes e nunca a tua equipa acabou um jogo com menos posse de bola que o adversário. Aliás, a tua equipa chegou a atingir posses de bola estratosféricas, nomeadamente no futebol actual, na ordem dos 70 a 80%. Muitas das vezes, contra as melhores equipas da Europa e do Mundo... O Barça teve uma posse de bola média durante estes quatro anos, na ordem dos 68% e isto diz muito acerca da identidade e, mais ainda, acerca da qualidade da equipa que construíste. Ter estes princípios de jogo, esta qualidade e ser bem sucedido, é algo sem precedentes e uma ideia quase "romântica" no futebol dos dias de hoje.
No fundo, foi este o futebol que eu sonhava ver, que nunca tinha visto e que já pensava ser impossível vê-lo. A última e única vez que vi algo parecido, foi no Barça treinado por Cruyff (acredito que seja a tua grande influência) no início dos anos 90 e da qual tu fazias parte. Pensava que o futebol feito, essencialmente, de habilidade e técnica tinha acabado e que a táctica e a força fisíca eram os grandes pilares para uma equipa ser bem sucedido neste futebol "moderno". Salvaste-me! E mesmo que alguns não saibam, salvaste o futebol.
Deste modo e por tudo isto, agradeço-te. Agradeço-te também pela tua postura. Por seres um gentleman (mesmo quando foste provocado). Por teres admitido que falhaste, quando isso aconteceu. Por teres sabido reconhecer mérito aos outros, nas poucas vezes em que foste derrotado, mesmo quando isso aconteceu contra os teus maiores rivais.
Pep, agradeço-te, sobretudo, por teres construído a equipa que me mostrou o melhor futebol que alguma vez vi na vida e que, provavelmente, nunca mais verei com tamanha qualidade. Acima de tudo, como adepto de futebol, agradeço-te teres-me proporcionado a oportunidade de um dia mais tarde poder dizer, em conversas sobre bola com os meus meus filhos e netos, que tive o prazer, o privilégio a a honra de ver jogar a melhor equipa de futebol de todos os tempos.
O meu muito obrigado e felicidades para ti.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Um campeão ridículo
Esta mensagem é so mesmo para desabafar. Não aceito isto e não aceito sequer que alguém diga que foi justo. Peço desculpa, mas não consigo aceitar que uma equipa como este Chelsea, seja campeã da Europa.
Uma equipa que não mereceu as meias-finais, que não mereceu a final e que não mereceu nem o prolongamento, nem os penaltys da mesma, não pode ganhar a mais importante competição europeia de clubes. Bem sei que é futebol, que é esta a imprevisibilidade que lhe dá piada, blá, blá, mas até para isso deve haver limites.
Habituei-me que as finais da Champions, são disputadas entre duas equipas de topo. Dois colossos. Pode até acontecer que o mais favorito, não seja o campeão. Pode até acontecer que o mais favorito, não chegue sequer à final. Mas quem ganha esta competição, mesmo não sendo o mais favorito, tem que ser uma equipa muito forte. Tem que ser uma das potências do futebol europeu de uma determinada época. O Chelsea de Mourinho (e depois de Avram Grant), teria sido um campeão europeu "normal". Este Chelsea não. Este Chelsea não é potência nenhuma. É uma equipa banal, que mudou de treinador a meio da época e que ficou em sexto lugar na Liga inglesa. Um sexto classificado da Liga inglesa, pode, eventualmente, ganhar uma Liga Europa. A Champions não.
E, repito, não me venham falar de justiça. Justiça na bola é jogar bem, jogar melhor que o adversário e ser premiado por isso. Defender bem, ter capacidade de sofrimento e ser eficaz, são méritos indesmentíveis que qualquer equipa deve ter. Mas por si só, não devem garantir justiça no resultado. Nomeadamente, quando falamos numa final da Liga dos Campeões. Quando assim for, não vale a pena haver bons jogadores, equipas a jogar bem e com vocação ofensiva. Basta ter bons defesas e ter um avançado que, nas poucas vezes em que a bola lhe surgir para finalizar, concretiza as oportunidades. Nada mais. E foi só isto que o Chelsea teve nos últimos cinco jogos da Champions, além de uma sorte descomunal nos momentos em que marca os golos (quem tiver dúvidas, que analise os minutos em que o Chelsea marcou nos jogos com o Benfica, Barcelona e Bayern).
Costuma-se dizer que no final ganham os melhores. Esta Champions, só veio confirmar que nem sempre é assim. Este Chelsea é, provavelmente, o campeão europeu mais sortudo e ridículo da história da competição.
Uma equipa que não mereceu as meias-finais, que não mereceu a final e que não mereceu nem o prolongamento, nem os penaltys da mesma, não pode ganhar a mais importante competição europeia de clubes. Bem sei que é futebol, que é esta a imprevisibilidade que lhe dá piada, blá, blá, mas até para isso deve haver limites.
Habituei-me que as finais da Champions, são disputadas entre duas equipas de topo. Dois colossos. Pode até acontecer que o mais favorito, não seja o campeão. Pode até acontecer que o mais favorito, não chegue sequer à final. Mas quem ganha esta competição, mesmo não sendo o mais favorito, tem que ser uma equipa muito forte. Tem que ser uma das potências do futebol europeu de uma determinada época. O Chelsea de Mourinho (e depois de Avram Grant), teria sido um campeão europeu "normal". Este Chelsea não. Este Chelsea não é potência nenhuma. É uma equipa banal, que mudou de treinador a meio da época e que ficou em sexto lugar na Liga inglesa. Um sexto classificado da Liga inglesa, pode, eventualmente, ganhar uma Liga Europa. A Champions não.
E, repito, não me venham falar de justiça. Justiça na bola é jogar bem, jogar melhor que o adversário e ser premiado por isso. Defender bem, ter capacidade de sofrimento e ser eficaz, são méritos indesmentíveis que qualquer equipa deve ter. Mas por si só, não devem garantir justiça no resultado. Nomeadamente, quando falamos numa final da Liga dos Campeões. Quando assim for, não vale a pena haver bons jogadores, equipas a jogar bem e com vocação ofensiva. Basta ter bons defesas e ter um avançado que, nas poucas vezes em que a bola lhe surgir para finalizar, concretiza as oportunidades. Nada mais. E foi só isto que o Chelsea teve nos últimos cinco jogos da Champions, além de uma sorte descomunal nos momentos em que marca os golos (quem tiver dúvidas, que analise os minutos em que o Chelsea marcou nos jogos com o Benfica, Barcelona e Bayern).
Costuma-se dizer que no final ganham os melhores. Esta Champions, só veio confirmar que nem sempre é assim. Este Chelsea é, provavelmente, o campeão europeu mais sortudo e ridículo da história da competição.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Os verdadeiros "pingos" da questão
Desde ontem, tenho verificado nas redes sociais e nas conversas de "café", uma série de elogios ao facto da Jerónimo Martins pagar a 500% aos funcionários do Pingo Doce que trabalharam o feriado do dia 1 de Maio, além de lhes ser também permitido a compra de produtos com o desconto de 50%. Foi como se, de repente, todos quisessem ser funcionários da Jerónimo Martins.
Vamos ao fundo da questão. Os acordos que o Pingo Doce faz com os seus funcionários, só dizem respeito à entidade patronal e aos empregados. A mim, pouco me interessa se a Jerónimo Martins paga o feriado a 500% ou se os seus funcionários têm descontos na compra de produtos. Se foram bem pagos, fico contente por eles, mas não me diz respeito. Aliás, não é muito difícil perceber que isto só se torna notícia e é divulgado, para amenizar os efeitos negativos que tiveram na imagem da empresa, as notícias e o "falatório" que se seguiram à tão propalada promoção do dia 1 de Maio.
O outro lado da questão é a promoção propriamente dita. Ninguém pode criticar a política comercial que a Jerónimo Martins segue, nem ninguém tem o direito de julgar as decisões de gestão da empresa, a não ser os seus próprios accionistas. Eu, como consumidor, só tenho decidir se compro ou não produtos no Pingo Doce. E, por isso mesmo, ninguém deve condenar os milhares de pessoas que se dirigiram ao Pingo Doce tentando aproveitar uma promoção que, na sua óptica, era bastante vantajosa.
Posto isto, eu como consumidor e, sobretudo, como cidadão, só posso e devo condenar aquilo que se passou naquele dia, porque, segundo a ASAE, parece que houve mesmo dumping e porque, segundo o Diário Económico de hoje, parece que quem vai pagar os custos da promoção, são mesmo os produtores. E isto é suficiente para, como cidadão, ficar preocupado e achar condenável o modo como operam as grandes empresas de distribuição. Numa cadeia de valor, que começa no produtor e que acaba no consumidor final, o lucro deve ser proporcional para todos e, sobretudo, repartido de uma forma justa. E isso, se dúvidas ainda houvessem, não acontece (e nem sequer era preciso este caso para atestá-lo). As grandes empresas de distribuição (e não é só a Jerónimo Martins), fazem o que querem dos produtores e dos seus fornecedores, "jogando" com o facto de qualquer marca ver como grande "montra" para os seus produtos estas grandes superfícies e que a ausência dos lineares das mesmas, signifique quase a "morte" destas mesmas marcas e, por outro lado, "jogando" com os produtores, que veêm nos hipermercados o local de maior fluxo de escoamento e venda dos seus produtos, trabalhando muitos deles, praticamente, em regime de exclusividade para as grandes empresas de distribuição. E, mesmo depois de tudo isto ter ficado provado, ficamos a saber que as multas para aqueles que vendem a baixo do preço de custo, quebrando as regras da concorrência saudável e da repartição justa dos lucros ao longo da cadeia de valor, são ridículas perante os proveitos que provêm deste tipo de práticas. Portanto, aqueles que ficaram muito impressionados com a percentagem com que a Jerónimo Martins pagou aos funcionários do Pingo Doce e com o desconto que os mesmos vão ter nos produtos da empresa, percebam que isso não lhes diz respeito. O que lhes diz respeito, como consumidores e (repito) como cidadãos, é saberem afinal, que a concorrência desleal existe no nosso país, que existem empresas completamente "reféns" das práticas de outras e que não têm qualquer margem de manobra para fazerem o que quer que seja e que, mesmo tudo isto sendo divulgado e provado, chegármos todos á conclusão que, afinal, o crime compensa.
Em relação aos consumidores que se deslocaram naquele dia ao Pingo Doce, não são dignos de crítica. Simplesmente, quiseram aproveitar o que lhes pareceu vantajoso. O que é preocupante, é que num país dito civilizado, terem surgido as situações de agressão e confrontos entre pessoas de forma a obter determinados produtos. Em tempos de crise, parece-me um sinal claro de que algo não vai bem na nossa sociedade. Quem agride e se confronta para obter um produto numa promoção, já não está lá, simplesmente, porque existe uma promoção. Está lá, porque precisa desesperadamente dela para sobreviver. E isto, são sinais que, na minha humilde opinião, merecem ser analisados com muita atenção.
Vamos ao fundo da questão. Os acordos que o Pingo Doce faz com os seus funcionários, só dizem respeito à entidade patronal e aos empregados. A mim, pouco me interessa se a Jerónimo Martins paga o feriado a 500% ou se os seus funcionários têm descontos na compra de produtos. Se foram bem pagos, fico contente por eles, mas não me diz respeito. Aliás, não é muito difícil perceber que isto só se torna notícia e é divulgado, para amenizar os efeitos negativos que tiveram na imagem da empresa, as notícias e o "falatório" que se seguiram à tão propalada promoção do dia 1 de Maio.
O outro lado da questão é a promoção propriamente dita. Ninguém pode criticar a política comercial que a Jerónimo Martins segue, nem ninguém tem o direito de julgar as decisões de gestão da empresa, a não ser os seus próprios accionistas. Eu, como consumidor, só tenho decidir se compro ou não produtos no Pingo Doce. E, por isso mesmo, ninguém deve condenar os milhares de pessoas que se dirigiram ao Pingo Doce tentando aproveitar uma promoção que, na sua óptica, era bastante vantajosa.
Posto isto, eu como consumidor e, sobretudo, como cidadão, só posso e devo condenar aquilo que se passou naquele dia, porque, segundo a ASAE, parece que houve mesmo dumping e porque, segundo o Diário Económico de hoje, parece que quem vai pagar os custos da promoção, são mesmo os produtores. E isto é suficiente para, como cidadão, ficar preocupado e achar condenável o modo como operam as grandes empresas de distribuição. Numa cadeia de valor, que começa no produtor e que acaba no consumidor final, o lucro deve ser proporcional para todos e, sobretudo, repartido de uma forma justa. E isso, se dúvidas ainda houvessem, não acontece (e nem sequer era preciso este caso para atestá-lo). As grandes empresas de distribuição (e não é só a Jerónimo Martins), fazem o que querem dos produtores e dos seus fornecedores, "jogando" com o facto de qualquer marca ver como grande "montra" para os seus produtos estas grandes superfícies e que a ausência dos lineares das mesmas, signifique quase a "morte" destas mesmas marcas e, por outro lado, "jogando" com os produtores, que veêm nos hipermercados o local de maior fluxo de escoamento e venda dos seus produtos, trabalhando muitos deles, praticamente, em regime de exclusividade para as grandes empresas de distribuição. E, mesmo depois de tudo isto ter ficado provado, ficamos a saber que as multas para aqueles que vendem a baixo do preço de custo, quebrando as regras da concorrência saudável e da repartição justa dos lucros ao longo da cadeia de valor, são ridículas perante os proveitos que provêm deste tipo de práticas. Portanto, aqueles que ficaram muito impressionados com a percentagem com que a Jerónimo Martins pagou aos funcionários do Pingo Doce e com o desconto que os mesmos vão ter nos produtos da empresa, percebam que isso não lhes diz respeito. O que lhes diz respeito, como consumidores e (repito) como cidadãos, é saberem afinal, que a concorrência desleal existe no nosso país, que existem empresas completamente "reféns" das práticas de outras e que não têm qualquer margem de manobra para fazerem o que quer que seja e que, mesmo tudo isto sendo divulgado e provado, chegármos todos á conclusão que, afinal, o crime compensa.
Em relação aos consumidores que se deslocaram naquele dia ao Pingo Doce, não são dignos de crítica. Simplesmente, quiseram aproveitar o que lhes pareceu vantajoso. O que é preocupante, é que num país dito civilizado, terem surgido as situações de agressão e confrontos entre pessoas de forma a obter determinados produtos. Em tempos de crise, parece-me um sinal claro de que algo não vai bem na nossa sociedade. Quem agride e se confronta para obter um produto numa promoção, já não está lá, simplesmente, porque existe uma promoção. Está lá, porque precisa desesperadamente dela para sobreviver. E isto, são sinais que, na minha humilde opinião, merecem ser analisados com muita atenção.
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