quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O pior cego...

Este texto poderia muito bem ser a continuação do anterior. Continuo a ler e a ouvir determinados comentários (alguns deles, bastante aplaudidos ou com muito "likes"...), que continuam a fazer-me uma enorme confusão e que, inclusivê, me fazem pôr em causa a credibilidade de quem os faz.

E essa credibilidade, é somente posta em causa pela incoerência que os mesmos demonstram, depois da mentira de Lance Armstrong ter sido admitida pelo mesmo. Eram estas mesmas pessoas que eu ouvia ou lia há uns tempos atrás, em emissões em directo das diversas competições de ciclismo ou nas redes sociais, antes de Lance ter confessado o uso doping, que tudo isto não passava de uma "caça ás bruxas", que o homem nunca tinha tido um controlo positivo e que tudo não passava de inveja ou de uma cilada por parte de alguém para prejudicar o ciclismo e o próprio Lance. Para estes, Lance estava limpo e as vitórias no Tour, deviam-se ao enorme talento e às capacidades que adquiriu depois de ter vencido o cancro.

Posto isto e após a confissão de Lance, a conversa mudou. De repente, o ciclismo que era limpo, passou a ser sujo. Ou seja, antes da confissão de Lance, o ciclismo poderia ter casos de doping pontuais, mas na sua essência era um desporto onde os ciclistas não faziam batota. Depois da confissão e numa tentativa de defesa do americano, as mesmas pessoas que diziam que o ciclismo era limpo, dizem que Lance era só mais um e que todos se dopavam (ainda hoje, depois de Rasmussen, ter, também ele, confessado o uso de doping, vejo reputados comentadores que anteriormente diziam que o ciclismo era limpo de uma forma geral, a dizer algo do género "venham dizer que o mal continua a chamar-se Lance Armstrong"). Entao mas anteriormente não havia uma "caça às bruxas"? Não era o ciclismo um desporto, na sua generalidade, limpo? Lance Armstrong, o tal que nunca tinha tido um controlo positivo, não estava a ser alvo de uma campanha para o denegrir? Em que ficamos? De repente, a justificação passou a ser "eram todos dopados e o Lance não era excepção". Mas não eram as pessoas que dizem agora isto, que diziam no passado, que o ciclismo tinha casos pontuais de doping, como todos os desportos os têm, mas que a maioria dos corredores não utilizava esses meios? Onde está a coerência? Afinal são todos dopados, depois da confissão de Lance?

Se querem o bem do ciclismo e se querem que a modalidade continue a ter credibilidade, assumam que havia e há uma mentalidade, onde "vale tudo" para conseguir resultados. Assumam que é um problema que existe no ciclismo e que só o desmascarando e colocando uma nova mentalidade nos ciclistas (nomeadamente nos mais jovens) que as coisas podem mudar. Assumam que humanamente, há coisas impossíveis de serem feitas e talvez os organismos que lideram a modalidade, começem a "humanizar" os percursos das diversas etapas e competições. Como espectador, só consigo valorizar quem vence, se souber que foi com recurso ao seu talento, ao seu treino, à sua estratégia, à sua alimentação e à sua hidratação (e tomar suplementos energéticos, não é doping, ao contrário de alguns ridículos comentários que já vi por aí).

Por último, deixo um desafio aos antigos ciclistas profissionais. Aqueles que, neste momento, têm pouco a perder. Eles que conhecem o "pelotão" e os seus hábitos como poucos, contem-nos a verdade. Digam o que viram, o que viveram e o que fizeram ou viram fazer. Digam-nos tudo. Se gostam de ciclismo, se querem que o ciclismo continue a ser uma das modalidades mais queridas em todo o mundo, deitem a verdade toda para fora e façam com que este pesadelo acabe. Pelo contrário, caso prefiram defender o indefensável, só estão a atirar o ciclismo para um lodo ainda mais profundo, do que aquele onde a modalidade já se encontra.

O ciclismo sem espectadores e fãs, não é nada. E esses, querem heróis de verdade e com verdade. Já chega de mentira e batota.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Vão continuar a defender a mentira?

Acabaram-se as dúvidas. Lance Armstrong confessou. Tomou doping. Assumiu-o. Foi até mais longe do que aquilo que eu poderia pensar. Admitiu que o fez desde o início da sua carreira e que as sete vitórias no Tour, foram todas elas sob efeito de doping. Enganou-me. Traiu-me e, mais do que tudo, pôs uma modalidade no lodo. Lodo esse, diga-se, em que ela já "nadava" a algum tempo, por casos semelhantes, muitos deles oriundos de uma geração (existirão, certamente, honrosas excepções), onde essa prática era considerada "normal" e aceite por quase todos no "pelotão".

Mais vale tarde do que nunca? É verdade. Assumir um erro, fica sempre bem e, de certa forma, acaba sempre por dar uma dimensão mais humana a quem, durante anos, agiu friamente, não olhando meios para alcançar os seus fins (ideia reforçada pelo próprio). A mentira alimentou financeiramente muita gente? Também é verdade. Marcas, imprensa, fundações, etc, foram alimentadas por ela. Até Oprah e a televisão onde o seu programa é exibido, ganharam com o desmascarar da mesma. Vão devolver o dinheiro, todos os que ganharam com a mentira? Certamente que não e muitos deles vão até exigir mais dinheiro ainda, por verem os seus nomes associados a Lance e por, alegadamente, terem sido enganados todos estes anos.

Tudo isto, é verdade, mas mesmo assim, parece que continua a não ser verdade para todos. Como amante da modalidade, no Facebook estou associado a muita gente ligada ao ciclismo, desde actuais e ex-ciclistas, a páginas de equipas, a directores desportivos, jornalistas, comentadores, etc, e fico, sinceramente, perplexo com a forma como reagem a todo este caso. Que antes de Armstrong confessar, eu ainda admitisse que houvessem dúvidas, eu aceito. Eu próprio as tinha, apesar de nos últimos meses, as mesmas terem sido quase dissipadas. Agora depois de tudo o que pudemos ouvir na entrevista de Lance, ainda haver gente a desculpabilizá-lo, faz-me sinceramente confusão e faz-me questionar até que ponto essas pessoas querem realmente um ciclismo limpo, dentro daquilo que é permitido numa modalidade de extrema exigência como esta o é.

Já li que o Armstrong deu dinheiro a ganhar a muita gente (é verdade, mas não terá ele ganho muito também?). Já ouvi que devemos valorizá-lo, não por esta questão, mas sim pela luta contra o cancro (toda esta ideia de luta contra o cancro, não foi suportada pela ideia de alguém que depois de ter a força de curar um cancro, voltou ainda mais forte e conseguiu tornar-se um vencedor desportivo?). Já li que era um pelotão de "dopados" e que ele era só mais um (se quem me rodear roubar e eu roubar também, não serei também eu um ladrão?). Já li que são pedidas coisas humanamente impossíveis aos ciclistas e que a "sobrevivência profissional", faz com que haja a tentação de sucumbir a estes comportamentos (é verdade e eu já o escrevi aqui, anteriormente). Enfim, já li e ouvi muita coisa a desculpabilizar Armstrong, como se ele afinal fosse o "coitadinho" desta questão, por parte de pessoas com responsabilidade, algumas delas referências na modalidade a nível nacional. Honra seja feita a Joaquim Gomes (vencedor de duas Voltas a Portugal e actual director da mesma), que foi o única pessoa directamente ligada a modalidade, que eu ouvi a ter um discurso duro com Lance e com os próprias autoridades que regem a modalidade (concordo que não pode ser só uma cabeça a rolar) e que foi até mais longe ao admitir, que ainda hoje, apesar de um muito maior controlo, continuam a haver algumas mentalidades na modalidade, que continuam a mover-se com base no "vale tudo" para ganhar.

Lance Armstrong, enganou o ciclismo, enganou os seus fãs e enganou aqueles que ainda acreditam que podem haver heróis e referências. Mais do que tudo, enganou aqueles que acreditaram numa história maravilhosa ("perfeita", citando-o), em que alguém vence uma doença horrível e depois disso ainda consegue tornar-se num dos maiores desportistas de todos os tempos. Pelo contrário, tudo não passou de uma fraude. Aqueles que usam a pulseira Livestrong no pulso, como se sentirão hoje?

Quem gosta de ciclismo a sério, puro e limpo, não pode defender ou desculpar tamanha fraude. Agora, resta ao ciclismo tentar capitalizar o lado bom desta declaração de Lance. Que sirva de reflexão sobre a mentalidade das pessoas que o campõem. Que sirva para perceber, também, que não se pode exigir a humanos, coisas desumanas, em nome de audiências e contratos. Mas que, acima de tudo, sirva para os directores desportivos e ciclistas profissionais aprenderem que quem "alimenta" a modalidade, são os adeptos. E esses nunca podem ser enganados, em circunstância alguma.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Era o "eco", estúpido!

Ontem na rubrica "Canções Com História", na Antena 3, o tema escolhido foi "I Wiil Follow", dos U2.

Além de explicar o enquadramento da letra e de mencionar a guitarra de The Edge como um dos "carimbos" do "som U2", Pedro Costa falou do eco. Aquele eco que saía, acima de tudo, da voz de Bono, mas que também saía da guitarra, da bateria e do baixo e que se ouvia nos primeiros discos da banda (nomeadamente nos primeiros três).

Talvez seja mesmo essa diferença do som dos U2 de inícios de oitenta, para os U2 dos últimos anos. Talvez não. De certeza que é essa a diferença. De certeza que é este o pormenor. E um pormenor na forma como se produz um disco, faz, de facto, toda a diferença. Era mesmo o eco e era o eco que fazia dos U2 uma banda irresistível.

http://www.youtube.com/watch?v=Jj9py-YgN6Y


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O meu 2012 musical

Este ano decidi não incluir a escolha de melhor disco do ano. Não ouvi discos novos suficientes, para ter matéria prima em número razoável para opinar. Assim sendo, as minhas escolhas são estas:

- Canção nacional do ano:
Corsage - "Adeus Europa" / Wraygunn - "Don't You Wanna Dance";

- Canção internacional do ano:
The Walkmen - "Heaven";

- Concerto do ano:
The Black Keys no Pavilhão Atlântico;

- Celebração musical do ano:
O regresso dos Ornatos Violeta (concerto de 26 de Outubro, no Coliseu dos Recreios).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A(s) oportunidade(s) perdida(s)

Ainda a digerir o empate de ontem e as suas consequências, fica claro que não foi ontem que o Benfica condicionou a sua continuidade na Champions. O mal maior, aconteceu em Moscovo, onde o Benfica fez uma exibição miserável e sem atitude. 

Ontem o Benfica, teve a oportunidade que talvez mais nenhuma equipa teve nos últimos anos,  não só de ganhar ao Barcelona mas também de humilhar a melhor equipa do mundo de futebol. Até porque ontem, a melhor equipa do mundo de futebol, simplesmente, não estava em campo e isso, parecendo que não, facilita em muito as coisas... Tal como disse um amigo meu ontem, o Barça jogou com alguns jogadores, que nós nunca mais vamos ouvir falar deles. O Barcelona jogou com uma autêntica equipa B e acabou o jogo com 10.

O Benfica rematou 18 vezes e teve 5 oportunidades em frente ao guarda-redes Pinto (como é possível o Barça ter um suplente tão fraco?). Jesus fez o que tinha a fazer e até as substituições que fez durante o jogo, apesar de no momento as ter criticado, friamente, consigo entendê-las. Quando Messi entrou, o Barcelona ficou por cima no jogo e tendo em conta o resultado do jogo de Glasgow, entendo que Jesus tivesse pensado que também seria importante não sofrer golos. Óbvio que é arriscado jogar com o resultado de um jogo que não depende de nós, mas quando as circunstâncias do nosso jogo mudam, é natural que se caia na tentação de jogar com o resultado de terceiros. 

Acima de tudo, o que penso e o que me custa, é que o Benfica empatou ontem porque falhou 5(!) oportunidades de golo claras e fáceis de concretizar. E essa é a história do jogo. Nada mais. O pior de Jesus ontem, foi nas declarações depois do jogo. É desonesto dizer que não viu nenhuma equipa fazer ao Barça aquilo que o Benfica fez ontem. Certamente, também ninguém nos últimos anos, teve a oportunidade de jogar com um Barcelona tão fraco e com tantos jogadores da equipa B. Se aquela fosse a equipa base do Barcelona, provavelmente, os catalães nem a manutenção na Liga Espanhola conseguiriam.... Portanto, esse argumento não é válido e é ridículo. Tão ridículo, como os golos falhados.

Venha a Liga Europa, onde acredito que o Benfica ou outra qualquer equipa de topo do futebol português, podem ter sempre uma palavra a dizer. Mas acima de tudo, quero ser Campeão Nacional. Estou farto da conversa do ganhar tudo e depois no fim, ter a Taça da Liga como recompensa (não que, repito, ela não seja de ganhar também...). Se não dá para tudo, que dê para o mais importante.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Desonestidade intelectual criminosa - Parte II

Acabadinho de ver o filme sobre Aristides de Sousa Mendes, dei comigo a pensar em certas comparações que por aí se fazem, mais concretamente, naquelas que vou lendo e vendo nas redes sociais e em algumas manifestações, em que Angela Merkel é comparada a Hitler. Quem o faz, ou sabe pouco de história e não sabe quem Hitler foi, ou então é, simplesmente, estúpido e atrasado mental.

Independentemente de não concordarmos com as políticas que estão a ser seguidas para combater a crise das dívidas soberanas (e eu sou um dos que não concordam), não me parece que Angela Merkel, tenha como objectivo final, provar a superioridade da raça ariana, nem sequer o extermínio de uma outra qualquer raça, etnia ou crença religiosa. Não me parece também que a Alemanha, tenha em funcionamento algum campo de concentração e também não tenho a informação, que Merkel esteja a planear invadir alguma nação europeia. Mais ainda, apesar de tudo o que vai mal nesta pseudo união europeia, não me parece que seja comparável o actual estado da Europa, com aquele que se vivia durante a Segunda Guerra Mundial.

Às vezes, antes de abrirmos a boca, teclarmos num computador ou, simplesmente, escrevermos num papel ou numa parede, convinha pensarmos duas vezes. Achar que Angela Merkel, por si só, é culpada por aquilo que agora vivemos, já de si é parvo. Além da "filha da putisse" das agências de rating e das "Goldman Sachs" deste mundo, além daqueles que andam a ganhar dinheiro com a desgraça dos outros, além desta pseudo união europeia e monetária, com regras diferentes aqui e ali, os principais culpados nasceram cá. Uns ainda cá estão e outros emigraram... Mas têm todos bilhete de identidade português. Aliás, nós cidadãos que votamos, também somos responsáveis, por termos estarmos tanto tempo desatentos e só agora que nos foram ao bolso, é que acordamos para a vida política. E mesmo que aceite, que Angela Merkel, sendo uma das principais defensoras das actuais políticas de combate à crise, tenha grande culpa no cartório pelo fraquíssimo resultado das mesmas, compará-la a Hitler é infame, criminoso e insultuoso para aqueles que viveram na pele um dos mais negros períodos da nossa história.

Hitler foi um assassino, um tirano e um tarado que quis exterminar raças e dominar o mundo. Quem tem dúvidas, que pergunte a um judeu ou a alguém de um país invadido pelos Nazis, se acha Hitler e Merkel figuras comparáveis. Ou então, leiam um pouco sobre esse período da história. Ou então, simplesmente, deixem de ser parvos e estúpidos.

Desonestidade intelectual criminosa: Parte I

Partir para a análise dos acontecimentos de quarta-feira passada, sem assumir como ponto de partida, que houve um grupo de pessoas que agrediram a polícia durante mais de uma hora, é desonestidade pura.

Uma polícia que é agredida durante mais de uma hora, que aguarda pacientemente e que avisa a população, minutos antes, que vai efectuar uma carga policial, não me parece que seja alvo de condenação. Quem estava na frente da manifestação à atirar pedras, certamente, ouviu o tal aviso e aqueles que, supostamente, não ouviram, tenho a certeza que sabiam o que se passava na frente da manifestação e sabiam que a polícia não poderia ter contemplações com aquilo que se estava a passar.

Critiquem o facto dos detidos não terem tido logo direito a advogados. Critiquem o que quiserem. Mas afirmarem que aquela carga policial não se justificava, é mais do que ridículo. Tão ou mais ridículo, é a insinuação sem provas que seria a própria polícia a provocar os desacatos (não, aquelas fotos que tenho visto no Facebook, com imagens de supostos polícias encapuzados e que estariam, também supostamente, a atirar pedras, não provam rigorosamente nada), da mesma forma que me parece injusto acusar a CGTP de ter incitado ou provocado aquela situação. A CGTP convocou uma greve e uma manifestação que, concorde-se ou não, são legítimas e teve o cuidado de demarcar-se, totalmente, das cenas de violência que se passaram já após o fim da manifestação. Aliás, certamente, que aquela violência toda, só teve o efeito de tirar do espaço mediático a greve e os efeitos da mesma. A notícia passou a ser os confrontos em frente à Assembleia da República e isso, certamente, não foi algo que beneficiasse os propósitos da CGTP.

Todos têm o direito a manifestar-se. Todos têm o direito a fazer greve ( e, já agora, a não fazê-la). Ninguém tem o direito de atacar a polícia. Confesso, se há algo que condeno na actuação da polícia naquela situação, apesar de entender os motivos, foi o tempo que esta demorou a reagir às pedras, aos petardos, às tochas e até aos sinais de trânsito com que foi atacada. Por mim, teria sido bem mais cedo.