quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Assustado

Assusta-me que alguém como Seguro possa a chegar a Primeiro-Ministro do meu país. Assusta-me tanto, como me assustou Passos Coelho ter chegado ao poder, tendo como "braço-direito" alguém como Miguel Relvas (incrível como alguém que já foi mais que desmascarado, continua em funções no governo. Por aqui se vê a "força" que ele tem no actual PSD...).

Mas voltando a Seguro, assusta-me que alguém com tão pouco carisma e ideias próprias, possa chegar a chefe de governo. Assusta-me que alguém que ande a reboque das cisões no próprio partido e dos seus "clãs" (nomeadamente, o fortíssimo "clã Socratista"), possa governar o meu país.

Assusta-me mais do que tudo, a terrível classe política que temos na actualidade. Incapaz de criar consensos. Incapaz de pôr o interesse do Estado à frente das suas "clientelas". Assusta-me ver um debate como o do Prós e Contras na passada segunda-feira e ficar com a ideia que assisti a um debate de "surdos",  de gente que não consegue libertar-se dos seus interesses e olhar para os problemas do país e discutir verdadeiramente o que interessa.

É o que temos. E o que temos é muito mau. O nosso país é um verdadeiro susto.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O "3+1+50" para memória futura

"O Benfica tem hoje um projecto que é 3+1+50, nos próximos quatro anos. Tem de ganhar três campeonatos nacionais, ir a uma final europeia e ganhar 50 campeonatos nas modalidades."

Luís Filipe Viera em entrevista a A Bola TV a 24 de Outubro de 2012.

Esta frase deverá ser guardada por todos os sócios do Benfica, apoiantes ou não do actual presidente. Se possível fosse, deveria ser afixada em todas as portas do nosso estádio (pavilhões incluídos), durante os próximos quatro anos.

Amanhã, o meu voto será em branco. Não esquecendo os méritos da actual gestão (recuperação financeira, novo estádio e o retirar do Benfica da "lama" desportiva), penso que em nove anos, já seria tempo suficiente do Benfica ter voltado, pelo menos, a aproximar-se do Porto ao nível de campeonatos ganhos e taças (dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e quatro Taças da Liga  são o saldo futebolístico da era Vieira). Tal não aconteceu e, sinceramente (sendo este um argumento menos válido do ponto de vista prático), gostaria de ver à frente do Benfica pessoas com outro tipo de personalidade do que aquelas que neste momento por lá andam (o próprio Vieira ou Rui Gomes da Silva) e do que algumas que por lá vão andar (José Eduardo Moniz, por exemplo, que há uns tempos atrás era o rosto mais visível da oposição e que agora é o nome mais sonante da candidatura de Vieira. Será que esta "coligação" vai correr bem?). Do outro lado, a alternativa também não me parece melhor e, salvo melhor opinião, parece-me mais um grupo de "paraquedistas" (alguns deles pertencentes à direcção que mais envergonhou o nosso clube, além do apoio do "artista" José Veiga), nos quais não vejo uma ideia ou um verdadeiro projecto para o Benfica. Pelo contrário, a argumentação é demagógica e passa, acima de tudo, por acusações à actual direcção e pouco mais.

Como provavelmente, o autor da frase acima transcrita irá renovar o seu mandato, parece-me importante que esta seja a frase referência para os próximos quatro anos. E até lhe dou alguma margem de erro. Nem vou exigir que a mesma se cumpra na totalidade. Se andar lá perto, já serei um benfiquista feliz. Mas não me vou esquecer da frase e aconselho todos os sócios do Benfica a fazerem o mesmo. O que se diz em eleições, não pode cair em saco roto (para isso, já nos bastam as eleições legislativas...). Daqui a quatro anos cá estaremos para analisar o "3+1+50".






quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As Casas do Benfica são do Benfica

Ouvi por aí hoje (Antena 1, para ser mais concreto) que as Casas do Benfica, por unanimidade, irão apoiar a recandidatura de Luís Filipe Vieira a novo mandato.

Pois bem, não quero vir para aqui discutir candidaturas (ou possíveis candidaturas...) ou méritos (são alguns) e deméritos (que são outros tantos) da actual direcção. O que me parece errado, é que as Casas do Benfica tenham que apoiar ou não, quem quer seja.

A função das Casas do Benfica é a de promover o debate de ideias entre as candidaturas que possam surgir e o de esclarecer os sócios que estejam interessados em participar na votação. Nada mais. Parece-me que até do ponto de vista ético e da verdade democrática, um dos candidatos ter o apoio institucional das diversas delegações do Benfica espalhadas pelo país e pelo Mundo, deixa muito a desejar.

O Benfica é um clube democrático. A nossa história, mesmo em momentos de ditadura no país, deu verdadeiras lições de democracia a outros. Isso orgulha-me. Não destruam essa tradição. O Benfica é, orgulhosamente, o clube do povo. Deixemos então o povo votar conscientemente. As Casas do Benfica são do clube. Não são do Vieira ou de outro qualquer.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Uma mentira dita muitas vezes, não tem que se tornar uma verdade

Para aqueles que acham que o Estado Novo perpetuou o "F" relativo ao futebol e, sobretudo, para aqueles que devido a um complexo de inferioridade histórico , que se desenvolveu e sobreviveu até aos dias de hoje, continuam a afirmar com a maior das certezas, que o Benfica era o clube preferido do antigo regime, talvez faça sentido recomendar-lhes a leitura de "O Jogo de Salazar - A Política e o Futebol no Estado Novo" de Ricardo Serrado.

Admitindo que poderão existir outros trabalhos com outros argumentos credíveis, os episódio descritos neste livro evidenciam, primeiro que tudo, que a relação do Estado Novo com o futebol, de pacífica teve muito pouco e que este sempre foi visto pelo regime como um fenómeno de massas que seria necessário abater e que o seu profissionalismo seria de todo evitável (aliás, seguindo a visão que o regime tinha para todos os desportos, a qual nenhum desporto deveria fomentar a competição, mas sim o convívio e a actividade física). A crescente e incontrolável popularidade do futebol, é que se impôs perante o regime, fazendo com que este o tivesse que controlar e regulamentar.

A outra curiosidade do livro, é o de pôr em causa o "mito" que o Benfica seria o clube mais apoiado pelo regime. Ao lermos este trabalho, temos uma ideia em que clubes estavam os homens do regime (há um clube que se destaca por ter mais e os mais importantes...) e da oposição ao mesmo, assim como os clubes que maior ajuda tiveram do Estado Novo. A título de exemplo, a descrição das inaugurações dos principais estádios portugueses na década de 50 com os seus festejos, figuras presentes e discursos proferidos, podem dar-nos pistas mais credíveis e válidas para se fazerem ou não, determinadas afirmações que se tornaram verdades absolutas.

Se a temática vos interessa, leiam e tirem as vossas conclusões. Sem clubismos e, muito menos, sem complexos de inferioridade.


sábado, 15 de setembro de 2012

Coisas que não se compreendem e outras que não se podem ignorar



Nenhum economista consegue explicar-me, como se consegue baixar o desemprego, aumentando o custo de vida das pessoas. Nenhum economista consegue explicar-me que, baixando a TSU para as empresas, estas irão, patrioticamente, começar a empregar pessoas só porque conseguem poupar mais uns euros com a baixa desta taxa. Nenhum economista consegue explicar-me, que as empresas vão começar a empregar pessoas (com excepção da pequena percentagem de empresas exportadoras do nosso tecido empresarial), mesmo que o consumo diminua e a sua necessidade de produzir/vender baixe drasticamente. Nenhum economista consegue explicar-me como se põe uma economia a funcionar, pondo austeridade em cima de austeridade.

Do mesmo modo, duvido que haja algum especialista em ciência política que consiga convencer-me que as impressionantes manifestações de hoje, não sirvam para nada e que não tenham qualquer tipo de significado político. Concordo que no meio de tanta gente, de tantas ideologias e de diversos quadrantes políticos (não, não eram só os eleitores do PC, do BE ou do PS que lá estavam. Estavam lá também os do PSD, os do CDS e aqueles que nos últimos anos têm votado em branco ou, simplesmente, aqueles que há muito não votam), seja difícil extrair uma ideia única e consensual. Mas, certamente, há algo que é indiscutível. Grande parte deste país, está zangado e é contra as últimas medidas apresentadas pelo governo. Negar isto, só demonstra cegueira, arrogância e falta de seriedade política.

Este governo teve condições e espaço de manobra que, pessoalmente, confesso não acreditei que fosse possível ter. Até à última 6ª feira, o principal partido da coligação, liderava as sondagens, mesmo depois de já terem sido impostas medidas de austeridade severas. Até à última 6ª feira, a população (ou parte dela) compreendia e acreditava que aquelas medidas tinham um propósito e um fim. Depois de 6ª feira, a margem de manobra terminou e o benefício da dúvida também. Há coisas que não se entendem e quando nem os especialistas, de uma forma consensual, conseguem ver lógica em certas medidas, fica difícil que o povo as entenda. Sejam humildes e reconheçam que foram longe demais. Antes que seja tarde...




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

It's only rock n' roll

É, provavelmente, o título mais utilizado em textos que refiram algo sobre os Rolling Stones. De qualquer modo, é o que vem logo à cabeça, nomeadamente, quando acabamos de ler a biografia de Keith Richards.

Não, não vou armar-me em crítico literário (nem disso, nem de nada). É só uma breve nota. A biografia de Keith Richards, "Life", foi, certamente, das coisas que mais prazer me deu a ler, até hoje (não, também não estou a armar-me em gajo que lê muitos livros, pois não é, de todo, verdade).

O discurso na primeira pessoa e a forma como o mesmo é escrito, "transpiram" uma tal honestidade, que é como se tivessemos o próprio Richards à nossa frente, com um copo na mão e um cigarro na boca, a contar-nos todas aquelas histórias fantásticas, mirabolantes e cheias de rock n´roll.

Já o tenho dito algumas vezes e vou repeti-lo: se quiserem um dia definir o que é o verdadeiro rock n' roll, tanto musicalmente, como no espírito, bastará colocarem uma imagem de Keith Richards. Ela, por si só, dirá tudo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nelson Oliveira: opção certa, aconteça o que acontecer

No futebol ou na vida, as opções devem ser tomadas. Podemos errar ou acertar. Podemos avaliar os prós e os contras. Mas há que tomar decisões. E depois de decidido, não há "ses".

Na minha opinião, Nélson Oliveira e Roderick, foram muito bem emprestados ao Corunha. No Benfica, não teriam o espaço suficiente para assumir a titularidade e sendo eles daqueles jogadores que não enganam e na idade em que estão, seria uma pena para eles, para o seu futuro e para o futuro do Benfica, que eles passassem um ano a jogar de vez em quando ou, numa outra opção, serem emprestados novamente a clubes de menor dimensão da nossa liga ou a clubes de outras ligas de menor dimensão. Qualquer uma destas hipóteses, certamente não ajudaria nada à sua evolução como jogadores e seriam opções que, provavelmente, poderiam desmotivá-los.

O Corunha, está longe de ser um grande em Espanha. Mas joga numa das melhores ligas do mundo, onde jogam os dois melhores jogadores do planeta e, certamente, é uma solução que os motiva e que poderá contribuir para a sua evolução e amadurecimento como jogadores.

E voltando à parte inicial deste texto, quem acredita como eu que esta foi a melhor solução, não poderá mudar a sua opinião, baseando-se naquilo que será a época do Benfica. Quem agora diz, como eu, que esta foi a melhor decisão, não poderá daqui a uns meses, caso as coisas corram mal, caso Cardozo ou Rodrigo não marquem, caso os centrais não correspondam, pôr em causa a mesma.

O cenário actual é este: Cardozo e Rodrigo, mesmo que não simpatizemos com os estilos destes e por mais que queiramos ver um jogador português e formado nas escolas do Benfica, como ponta-de-lança da nossa equipa, temos que admitir que nenhum destes dois fica atrás de Nélson Oliveira no rendimento e, no caso de Rodrigo, no potencial de futuro que também este poderá ter para o Benfica. No caso de Roderick, o caso ainda mais consensual me parece. Luisão e Garay, são os melhores centrais deste campeonato e ninguém põe em causa que serão estes os centrais titulares. Roderick poderia ser o central suplente. Uma segunda opção. Mas será que isso o ajudava a evoluir? Parece-me que não.

As decisões são tomadas, segundo os cenários que temos no presente. Há prós e contras sempre. Mas as decisões existem para serem decididas. E depois de tomadas e aceites, não deve haver segundas leituras. Aceito que não se concorde. Não aceito que se diga que a mesma não tem lógica. Não concordo com algumas opções tomadas na composição deste plantel, mas com esta concordo em absoluto. No final da época, aconteça o que acontecer, mesmo que tudo corra mal, repetirei que concordei com a decisão. A coerência é uma coisa bonita. A honestidade intelectual também. E lançar "bombas" só porque há que dizer mal, é feio. Mesmo que estejamos a falar de bola.

P.S.: A propósito daquilo que não concordo ou não entendo, para quê tanto extremo? Será tão difícil, encontrar, no mínimo, um "Dimas" para jogar a defesa-esquerdo?