sexta-feira, 17 de junho de 2011
João Vieira Pinto - O Maior Dos Meus Ídolos
Um dia teria que ser. Já o tinha prometido a mim mesmo e nem que fosse este o último texto que escrevesse na vida, teria que o fazer. Portanto, é esta a minha humilde prosa de homenagem, ao maior dos meus ídolos da bola e do clube ao qual jurei amor eterno e incondicional.
Antes dele, os meus ídolos na bola não tinham sido muitos. Nem poderia ser de outra forma, devido à tenra idade que tinha. Gostava de Futre (já estava no Atlético e era o melhor jogador português à época) e no meu clube começei por gostar do agora "barrigudo" Magnusson (em 89-90, o minha época zero nas coisas da bola, Bola de Prata), Rui Águas (na época seguinte, também ele Bola de Prata. O ano em que regressa ao Benfica, depois de uma estranha estadia a norte...) e Vítor Paneira (jogador de grande classe, que também saiu do Benfica de uma forma ingrata e estranha). Começei a despertar para João Pinto, no Mundial de 91 em Lisboa (o de Riade, não me recordo de ver). Logo no primeiro jogo, é ele que marca o golo da vitória num jogo nas Antas e logo aí, aquele "dez meio reis de gente", chamou-me a atenção. Durante esse Mundial, se bem me lembro, não voltou a marcar. Mas aquele finta curta, aquelas movimentações na frente de ataque, aquele jeito de atacar a bola sem medo e, sobretudo, aquela classe pura de pensar e executar mais rápido que todos os outros, ficaram na minha cabeça. Óbvio que, com 8 anos, não tinha ainda a "cultura" futebolistica suficiente para tirar todas estas conclusões. Mas hoje, consigo perceber a essência da minha "paixão" pelo futebol daquele rapaz.
Na época seguinte ao Mundial de Lisboa, João Pinto regressou ao Boavista , depois da experiência falhada no Atlético de Madrid. Faz uma época fantástica. Com um trio atacante muito bom, com João Pinto, Marlon e Ricky (Bola de Prata nessa época), o Boavista acaba em 4º lugar no campeonato e vence a Taça de Portugal numa final contra o Porto. João Pinto faz 7 golos no campeonato e logo nessa época começou algo que, mais tarde, se veio a tornar uma tradição. Logo nessa época, 3 dos 7 golos de João Pinto, foram marcados ao Sporting...
De qualquer modo, apesar da admiração que tinha por João Pinto, era necessário algo mais para que ele se tornasse num ídolo verdadeiro. E o que faltava, aconteceu em 92-93. João Pinto assina pelo Benfica e começou aí uma ligação especial, que durou 8 anos. Logo nessa época, apesar de uma lesão grave (pneumotórax), assume-se como titular e como um jogador preponderante (obviamente). A equipa era fantástica (Mozer, Paulo Sousa, Vítor Paneira, Rui Costa, Isaias, João Pinto, Futre, entre outros), mesmo não tendo sido campeã, ganhou a Taça de Portugal, num dos maiores shows de bola que vi na vida, vencendo o Boavista por 5-2 (1 golo de João Pinto).
Na época seguinte, depois de um início de época conturbado, que quase levava João Pinto para o outro lado da 2ª Circular, João Pinto acaba por ficar no Benfica. Marca 14 golos no campeonato e marca 3 em Alvalade, no jogo mais brilhante da sua vida ( a primeira nota 10 d'A Bola) e, mais não fosse por isso, já ficaria na história do Benfica. Mas para mim, reduzir a carreira de João Pinto no Benfica, a esta época (93-94) e a um jogo (o dos 3-6, em Alvalade), é um "sacrilégio" e uma injustiça do tamanho do antigo Estádio da Luz.
Depois da razia provocada aquando da chegada de Artur Jorge, o Benfica entrou na decadência desportiva que se sabe. E é aqui que João Pinto, na minha opinião, fica realmente na história do clube. Depois da saída de outros "históricos" do Benfica, foi vê-lo durante anos a fio a "carregar a equipa às costas". Aliás, tenho para mim que, desde que vejo bola, nunca houve uma equipa tão dependente de um só jogador (ou dois, se contarmos com o grande Preud'homme), como nessa altura o Benfica dependia de João Pinto. Desde que acompanho o Benfica, nunca vi um jogador ter uma relação tão especial com os adeptos, como a que João Pinto teve (peço desculpa, mas nem os muito respeitáveis Simão e Nuno Gomes, tiveram tal relação com a massa associativa). João Pinto era a esperança, era a classe, era a garra e, sobretudo, era a representação última da tal mistica perdida, para aqueles adeptos que se sentavam no cimento da antiga Luz.
Após o campeonato de 93-94, não mais João Pinto voltou a ser campeão no Benfica. Em 95-96, venceu a Taça de Portugal. Na final com o Sporting (a tal do very-light), assinou 2 golos e uma fantástica exibição. Esta também é a sua época mais produtiva de sempre, marcando 18 golos no campeonato.
Ainda hoje quando recordo este dia, fico triste. Aquele dia que eu não sei precisar qual foi ao certo, após o fim do campeonato de 99-00 e antes do início do Euro2000. O dia em que João Pinto foi dispensado do Benfica. Quando vi a notícia, pensei que só poderia um engano ou uma brincadeira (de mau gosto, diga-se). Quando vi que a coisa era a sério, não quis acreditar que era possível. Para mim tudo aquilo tinha tanto de absurdo, como de injusto. Aliás, se esquecermos a parte emocional da coisa, dispensar o jogador mais valioso do plantel daquela forma, foi um crime que lesou o clube financeira e desportivamente. Foi um dia muito triste para mim. Senti vergonha de ser do Benfica naquele dia (confesso...). Talvez seja parvo o que vou dizer, mas poucas derrotas do meu clube me custaram tanto, do que ver João Pinto sair do Benfica daquela forma.
Obviamente, que o tempo deu-me razão. Aliás, dias depois a razão que eu sabia que tinha, surgiu. No Euro2000, João Pinto foi elemento preponderante, naquela que é, para mim, a melhor selecção nacional de sempre. O golo à Inglaterra, é por muitos considerado o melhor do Europeu (para mim também foi). No que diz respeito ao Benfica, os beneficios da saída de João Pinto não foram nenhuns. Nos dois anos que se seguiram à sua saída, o Benfica nem sequer à Europa foi e só em 2003-2004, voltou a ganhar um título (Taça de Portugal) e só em 2004-2005 voltou a ser Campeão Nacional. No Sporting, João Pinto, naturalmente, assumiu-se como jogador importante que sempre foi por onde passou. Ganhou todos os títulos que poderia ganhar a nível nacional e foi o "pai" do melhor ponta-de-lança que por cá passou, Jardel.
Quando João Pinto, ingressou no Sporting, custou-me muito. O meu jogador preferido a jogar de "verde e branco", era um pesadelo enorme. Uma coisa sem sentido. Não deixei de ser do Benfica, mas o João Pinto continuou a ser o meu jogador preferido. Nunca o assobiei e achava uma injustiça enorme as assobiadelas e os insultos de que era alvo, sempre que regressava à Luz. Não estou a dizer que o aplaudissem, mas que o tratassem como os restantes adversários. Era o minímo sinal de respeito que os adeptos de Benfica podiam ter com quem, durante anos, foi o maior símbolo do clube e que só de lá saiu porque foi empurrado para tal. Os jogos da selecção eram um alívio para mim. Aí podia conjugar a minha admiração pelo jogador, com o facto de ele estar a jogar no "meu" lado da barricada.
O que vou escrever, talvez seja polémico e discutível. Mas até sei que há por aí uns quantos que concordam comigo. Na minha opinião, João Pinto foi o melhor jogador português da sua geração. E não pensem que estou confuso e estou a esquecer-me de Figo e Rui Costa. Não estou. Estes tiveram carreiras internacionais maiores, sem dúvida. Melhoraram muito fisicamente e atingiram outros patamares de notoriedade lá fora. Mas em "estado bruto", João Pinto era melhor. João Pinto era mais genial. Lembro-me que a dada altura, aquela posição atrás do ponta-de-lança, normalmente a posição em que João Pinto jogava, passou a ser apelidada, simplesmente, da "posição do João Pinto".
Foi, sem dúvida, o jogador que mais idolatrei na minha vida e o jogador mais marcante e empolgante que vi jogar no Benfica. E, para mim, nunca será o "Grande Artista", mas sim o "Menino de Ouro". Nunca será o "25" mas sim o "8". Maradona disse um dia acerca de João Pinto que "ele tem classe até à andar". Concordo.
Obrigado João.
http://www.youtube.com/watch?v=KgD86bzMZWc
http://www.youtube.com/watch?v=Ww_DOQN2Sg8&feature=grec_index
http://www.youtube.com/watch?v=yGrn57kcrU8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=LIKFm1hhK2E&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=xsPxxsdW3Bc&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=LzWEVp-D48c
http://www.youtube.com/watch?v=Syzcc3IY4PQ&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=QZXXcIi0cpU
domingo, 5 de junho de 2011
Uma Coisa Boa E A Tristeza Do Costume
Alguns desabafos sobre a noite de hoje.
Começo pelo que considero ser a única real boa notícia da noite. O país livrou-se de um primeiro-ministro que mentiu vezes sem conta e que encarnou o lado demagógico da política, de uma forma quase inigualável. E isto só pode ser uma boa notícia. Aliás, o facto de o senhor se demitir e não vir a ser líder da oposição, é também um facto importante e positivo. Apesar de ainda não estar "morto" políticamente (e o futuro vai dar-me razão, infelizmente...), quanto mais tempo políticos como este estiverem longe dos centros de decisão, mais respirável estará o país.
Tenho para mim (e não sou só eu), que o PSD ganha estas eleições de uma forma expressiva (mesmo sem a maioria absoluta), mais pela vontade do povo em afastar Sócrates do poder, do que por mérito próprio. Num futuro próximo, não acho que esta vitória do PSD, mesmo que expressiva, faça dos "laranjas" um partido de inequívoca confiança junto do eleitorado (mesmo até junto daquele, que é o seu eleitorado tradicional) e, daqui para frente, é provável que assistamos a hipócrita "colagem" do PS aos partidos à sua esquerda, como se este mesmo partido não tivesse governado o país nos últimos 6 anos e assinado o acordo com a "troika".
Em relação ao sucessor, Passos Coelho, ainda é para mim uma incógnita. Parece-me mais sério e menos permeável a demagogias do que aquele a quem vai suceder, mas aquele aparelho partidário que o rodeia, nomeadamente algumas figuras que o acompanham, fazem-me desconfiar do que aí vem. A ver vamos...
De resto, destaco nesta noite eleitoral mais uma triste figura dos aparelhos partidários dos dois maiores partidos deste país, nomeadamente, os seus "jotinhas"que, mais uma vez, fizeram questão de demonstrar a irresponsabilidade, a falta de sentido de Estado e de sentido democrático que aquelas cabeças possuem. Uns (os do PSD), agarradinhos aos pulos, como se o seu "clube" tivesse ganho a Liga dos Campeões. Outros (os do PS), numa vergonhosa atitude anti-democrática, a apuparem os jornalistas que faziam perguntas ao seu ainda líder.
Esta questão dos aparelhos partidários, dos "jotinhas" e afins, talvez seja uma das questões para, uma vez mais, a abstenção ter sido a grande vencedora da noite. A esta gente, talvez isto não preocupe. Mas a mim e a uns quantos que não fazem da política um jogo de futebol, só pode preocupar. Já o escrevi aqui antes e volto a escrever, que esta forma de fazer política, baseada em "casos" diários, em "gaffes" e em discursos carregados de retórica mas sem nenhuma ideia para o país, só afastam as pessoas da política. E repito também, que os jornalistas que "alimentam" isto, têm também eles culpa no cartório, pois não centram (nem tentam) o debate naquilo que é essencial para a vida das pessoas e do país.
O país não pode estar dependente de "aparelhos" e de "jotinhas". A sociedade cívil tem a obrigação de participar e de obrigar esta gente que nos governa a ser transparente, séria e responsável. O passado 12 de Março, foi um bonito dia, onde o povo, de uma forma totalmente "despartidarizada", saíu rua e demonstrou o seu descontentamento. Não esqueçamos esse dia e o seu exemplo.
Começo pelo que considero ser a única real boa notícia da noite. O país livrou-se de um primeiro-ministro que mentiu vezes sem conta e que encarnou o lado demagógico da política, de uma forma quase inigualável. E isto só pode ser uma boa notícia. Aliás, o facto de o senhor se demitir e não vir a ser líder da oposição, é também um facto importante e positivo. Apesar de ainda não estar "morto" políticamente (e o futuro vai dar-me razão, infelizmente...), quanto mais tempo políticos como este estiverem longe dos centros de decisão, mais respirável estará o país.
Tenho para mim (e não sou só eu), que o PSD ganha estas eleições de uma forma expressiva (mesmo sem a maioria absoluta), mais pela vontade do povo em afastar Sócrates do poder, do que por mérito próprio. Num futuro próximo, não acho que esta vitória do PSD, mesmo que expressiva, faça dos "laranjas" um partido de inequívoca confiança junto do eleitorado (mesmo até junto daquele, que é o seu eleitorado tradicional) e, daqui para frente, é provável que assistamos a hipócrita "colagem" do PS aos partidos à sua esquerda, como se este mesmo partido não tivesse governado o país nos últimos 6 anos e assinado o acordo com a "troika".
Em relação ao sucessor, Passos Coelho, ainda é para mim uma incógnita. Parece-me mais sério e menos permeável a demagogias do que aquele a quem vai suceder, mas aquele aparelho partidário que o rodeia, nomeadamente algumas figuras que o acompanham, fazem-me desconfiar do que aí vem. A ver vamos...
De resto, destaco nesta noite eleitoral mais uma triste figura dos aparelhos partidários dos dois maiores partidos deste país, nomeadamente, os seus "jotinhas"que, mais uma vez, fizeram questão de demonstrar a irresponsabilidade, a falta de sentido de Estado e de sentido democrático que aquelas cabeças possuem. Uns (os do PSD), agarradinhos aos pulos, como se o seu "clube" tivesse ganho a Liga dos Campeões. Outros (os do PS), numa vergonhosa atitude anti-democrática, a apuparem os jornalistas que faziam perguntas ao seu ainda líder.
Esta questão dos aparelhos partidários, dos "jotinhas" e afins, talvez seja uma das questões para, uma vez mais, a abstenção ter sido a grande vencedora da noite. A esta gente, talvez isto não preocupe. Mas a mim e a uns quantos que não fazem da política um jogo de futebol, só pode preocupar. Já o escrevi aqui antes e volto a escrever, que esta forma de fazer política, baseada em "casos" diários, em "gaffes" e em discursos carregados de retórica mas sem nenhuma ideia para o país, só afastam as pessoas da política. E repito também, que os jornalistas que "alimentam" isto, têm também eles culpa no cartório, pois não centram (nem tentam) o debate naquilo que é essencial para a vida das pessoas e do país.
O país não pode estar dependente de "aparelhos" e de "jotinhas". A sociedade cívil tem a obrigação de participar e de obrigar esta gente que nos governa a ser transparente, séria e responsável. O passado 12 de Março, foi um bonito dia, onde o povo, de uma forma totalmente "despartidarizada", saíu rua e demonstrou o seu descontentamento. Não esqueçamos esse dia e o seu exemplo.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Estou Com O Barça
Assumo. Torço pelo Barça esta noite. Torci pelo Barcelona a semana passada, torci quando foi, justamente, derrotado pelo Real Madrid na Copa do Rei, torci nos jogos do campeonato e até posso recuar mais e dizer que também torci pelo Barça na meia-final da Champions da época passada, quando o Inter (ou melhor, Mourinho), os conseguiu derrotar (sobre a justiça da derrota, tenho dúvidas, mas o que é interessa é que assim foi...).
O motivo é simples. Não tenho qualquer preferência clubistíca em Espanha. Quando começei a ver bola, gostava do Atlético Madrid, porque o Futre jogava lá. Entre os dois grandes de Espanha, tanto posso torcer pelo Barça como pelo Real. O que me faz pender para um lado ou outro, é a qualidade do seu futebol e dos seus executantes. Nada mais. Fui do Barça de Cruyff (Romário, Stoichkov, Guardiola, Bakero, Koeman, etc.), fui do Barça de Robson (Ronaldo "Fenómeno", Figo, Guardiola, etc.), fui do Real dos "Galácticos" (Zidane, Figo, Raul, etc) e voltei a ser do Barça de Guardiola (com Deco e Ronaldinho, numa primeira fase e agora numa segunda, com Messi, Xavi, Iniesta e restantes artistas). Sim, é verdade, tenho sido mais vezes do Barça do que do Real mas a culpa não é minha. O Barça tem encantado mais que o Real nos últimos 20 anos. É só isso.
De qualquer modo, tenho que dizer, que nunca fui tanto do Barça como sou agora. Também nunca como agora, houve uma equipa que me encantasse tanto com os seus executantes, com a sua identidade, ideia e qualidade de jogo, como este Barça. Aliás, há sensivelmente 20 anos que vejo bola com olhos de ver e nunca vi nada sequer parecido. Nem as equipas que atrás referi de Barça e Real, nem o Milan dos holandeses (a primeira grande equipa que vi), o fizeram.
Nada há mais bonito no mundo do futebol, que ver a posse de bola do Barça, de pé para pé, de uma forma simples (às vezes quase que parece displicente, mas não é) e onde o pontapé para a frente só é utilizado em último recurso (e às vezes, nem aí o é). Depois é a magia. É aquele segundo em que, de um momento para o outro, os génios de um Iniesta, de um Xavi, ou de um Messi, descobrem do nada, um buraco impossível e desequilibram o jogo. Aliás, a frase que mais ouço aos detractores do futebol do Barça (pergunto-me tantas vezes, como é possível que existam...) é e passo a citar: "o Barça joga tão bem, que até chateia ver aquilo". Pois é, a mim não chateia nada e a seguir a uma vitória do Benfica, nada me deu ou dá tanto prazer na bola, do que um jogo do Barça. É simplesmente, o topo da, tantas vezes banalizada, expressão "bom futebol". O Barça provou que esta expressão, a partir de agora não pode ser utilizada em qualquer momento, em qualquer exibição, em qualquer equipa. Mudou o paradigma do bom futebol. Ou então chamem outra coisa ao futebol do Barça... Ver jogar Xavi, Iniesta e Messi, é algo de grandioso para quem como eu, defende um determinado estilo e forma de se jogar à bola. Já o disse várias vezes e repito, que ver este Barça, é um privilégio para os que são vivos e já têm memória. Por isso e perdoem-me o paternalismo, penso que o deviam aproveitar e deixarem-se de dizer mal do que é tão bom. Não me levem a mal, mas acredito piamente no que estou a dizer.
Posto isto, acho que a eliminatória de logo, não está já ganha pelo Barça. Ninguém é imbatível. O Barça também perde e Mourinho sabe fazê-lo, como ninguém.
Lamento não ir na onda nacionalista de apoio ao Real, devido aos portugueses que por lá ganham o pão. Mourinho é o melhor treinador do mundo, Cristiano é o segundo melhor jogador do mundo, Carvalho talvez seja mesmo o melhor central do mundo e Pepe é "só" um bom jogador, com o qual não simpatizo particularmente, devido ao facto de continuar a insistir em "bater" muito e ter atitudes de verdadeiro cabrãozinho. E quem me conhece, sabe que nem sou muito moralista neste aspecto. Mas a "filha da putisse", dispenso... Em condições normais, apoiaria esta gente. Contudo, isto para mim não chega. O jogo do Barça ultrapassa tudo isto... Uma ideia de jogo tão fantástica, merece que vingue e seja bem sucedida.
É natural que se a "remontada" acontecer, alguns detractores do futebol do Barça, se virem para mim, pondo em causa o que penso sobre o jogo da equipa catalã. Desde já afirmo que, aconteça o que acontecer (e já disse atrás, que tudo pode acontecer), a minha opinião não mudará. O Barça é para mim, indiscutivelmente, a melhor equipa de futebol dos últimos 20 anos e tenho sérias dúvidas, que não seja mesmo a melhor equipa de sempre da história deste desporto. Tenho dito.
O motivo é simples. Não tenho qualquer preferência clubistíca em Espanha. Quando começei a ver bola, gostava do Atlético Madrid, porque o Futre jogava lá. Entre os dois grandes de Espanha, tanto posso torcer pelo Barça como pelo Real. O que me faz pender para um lado ou outro, é a qualidade do seu futebol e dos seus executantes. Nada mais. Fui do Barça de Cruyff (Romário, Stoichkov, Guardiola, Bakero, Koeman, etc.), fui do Barça de Robson (Ronaldo "Fenómeno", Figo, Guardiola, etc.), fui do Real dos "Galácticos" (Zidane, Figo, Raul, etc) e voltei a ser do Barça de Guardiola (com Deco e Ronaldinho, numa primeira fase e agora numa segunda, com Messi, Xavi, Iniesta e restantes artistas). Sim, é verdade, tenho sido mais vezes do Barça do que do Real mas a culpa não é minha. O Barça tem encantado mais que o Real nos últimos 20 anos. É só isso.
De qualquer modo, tenho que dizer, que nunca fui tanto do Barça como sou agora. Também nunca como agora, houve uma equipa que me encantasse tanto com os seus executantes, com a sua identidade, ideia e qualidade de jogo, como este Barça. Aliás, há sensivelmente 20 anos que vejo bola com olhos de ver e nunca vi nada sequer parecido. Nem as equipas que atrás referi de Barça e Real, nem o Milan dos holandeses (a primeira grande equipa que vi), o fizeram.
Nada há mais bonito no mundo do futebol, que ver a posse de bola do Barça, de pé para pé, de uma forma simples (às vezes quase que parece displicente, mas não é) e onde o pontapé para a frente só é utilizado em último recurso (e às vezes, nem aí o é). Depois é a magia. É aquele segundo em que, de um momento para o outro, os génios de um Iniesta, de um Xavi, ou de um Messi, descobrem do nada, um buraco impossível e desequilibram o jogo. Aliás, a frase que mais ouço aos detractores do futebol do Barça (pergunto-me tantas vezes, como é possível que existam...) é e passo a citar: "o Barça joga tão bem, que até chateia ver aquilo". Pois é, a mim não chateia nada e a seguir a uma vitória do Benfica, nada me deu ou dá tanto prazer na bola, do que um jogo do Barça. É simplesmente, o topo da, tantas vezes banalizada, expressão "bom futebol". O Barça provou que esta expressão, a partir de agora não pode ser utilizada em qualquer momento, em qualquer exibição, em qualquer equipa. Mudou o paradigma do bom futebol. Ou então chamem outra coisa ao futebol do Barça... Ver jogar Xavi, Iniesta e Messi, é algo de grandioso para quem como eu, defende um determinado estilo e forma de se jogar à bola. Já o disse várias vezes e repito, que ver este Barça, é um privilégio para os que são vivos e já têm memória. Por isso e perdoem-me o paternalismo, penso que o deviam aproveitar e deixarem-se de dizer mal do que é tão bom. Não me levem a mal, mas acredito piamente no que estou a dizer.
Posto isto, acho que a eliminatória de logo, não está já ganha pelo Barça. Ninguém é imbatível. O Barça também perde e Mourinho sabe fazê-lo, como ninguém.
Lamento não ir na onda nacionalista de apoio ao Real, devido aos portugueses que por lá ganham o pão. Mourinho é o melhor treinador do mundo, Cristiano é o segundo melhor jogador do mundo, Carvalho talvez seja mesmo o melhor central do mundo e Pepe é "só" um bom jogador, com o qual não simpatizo particularmente, devido ao facto de continuar a insistir em "bater" muito e ter atitudes de verdadeiro cabrãozinho. E quem me conhece, sabe que nem sou muito moralista neste aspecto. Mas a "filha da putisse", dispenso... Em condições normais, apoiaria esta gente. Contudo, isto para mim não chega. O jogo do Barça ultrapassa tudo isto... Uma ideia de jogo tão fantástica, merece que vingue e seja bem sucedida.
É natural que se a "remontada" acontecer, alguns detractores do futebol do Barça, se virem para mim, pondo em causa o que penso sobre o jogo da equipa catalã. Desde já afirmo que, aconteça o que acontecer (e já disse atrás, que tudo pode acontecer), a minha opinião não mudará. O Barça é para mim, indiscutivelmente, a melhor equipa de futebol dos últimos 20 anos e tenho sérias dúvidas, que não seja mesmo a melhor equipa de sempre da história deste desporto. Tenho dito.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Ainda "O Sócio"
É só mais um desabafo sobre o post anterior. Peço desculpa pela insistência e talvez esteja a dar demasiada importância a isto. Admito que sim. De qualquer modo, vou desabafar e como quem manda aqui sou eu (e em abono da verdade são poucos os que passam "cartão" ao que eu digo, portanto...), cá vai.
Queria só dizer que está provado que fazer figura de parvo, compensa. Não interessa ser bom numa determinada área ou actividade. Não interessa ser bom político, engenheiro, arquitecto, carpinteiro, jogador de futebol, etc. Interessa é ser parvo ou fazer passar-se como tal. Que interessa ter sido o melhor português da década de 80 e início de 90? Que interessa ter sido um dos melhores jogadores europeus da sua geração? Que interessa ter sido a grande figura futebolistíca e desportiva portuguesa, durante uma série de anos? Nada! O que está a dar é ser parvo. Ora então vamos lá fazer uma conferência de imprensa cómica e parva... Está feito!
Nunca como agora, Futre teve tanto destaque nos media portugueses. É na SIC, é na TVI, são os jornais, etc. Tudo a tentar perceber a ideia do chinês e dos charters e depois, lá pelo meio (mal parecia que não o fizessem...), lá tentam lembrar ao povo esquecido, quem foi Paulo Futre. Até para um anúncio a uma conhecida marca de bebida alcóolica o homem foi convidado... Fantástico!
Da minha parte, nada contra. Aliás, eu, no lugar dele, aproveitaria bem este momento para facturar. O que me faz confusão e tristeza, é um gajo que é das maiores figuras do desporto em Portugal ter que fazer figura de parvo, para ser reconhecido. Um homem que em Espanha não passa despercebido, que é colunista do maior diário desportivo espanhol, que é "só" a maior figura do Atlético Madrid e que em Portugal ninguém se lembrava dele, teve que fazer uma figura rídicula, para ter destaque no seu país.
Talvez eu esteja a pedir demais. Um país que tem políticos que não se entendem, quando o Estado está a beira da falência. Um país que dá tempo de antena (e não só.... o que torna tudo mais grave), a gente como José Socrates, Pedro Silva Pereira ou Miguel Relvas (candidato ao prémio "Voz Mais Cínica Da Política Portuguesa), talvez não possa fazer muito mais. Talvez o que dê mesmo, é ser parvo. Vamos todos ser parvos então...
Queria só dizer que está provado que fazer figura de parvo, compensa. Não interessa ser bom numa determinada área ou actividade. Não interessa ser bom político, engenheiro, arquitecto, carpinteiro, jogador de futebol, etc. Interessa é ser parvo ou fazer passar-se como tal. Que interessa ter sido o melhor português da década de 80 e início de 90? Que interessa ter sido um dos melhores jogadores europeus da sua geração? Que interessa ter sido a grande figura futebolistíca e desportiva portuguesa, durante uma série de anos? Nada! O que está a dar é ser parvo. Ora então vamos lá fazer uma conferência de imprensa cómica e parva... Está feito!
Nunca como agora, Futre teve tanto destaque nos media portugueses. É na SIC, é na TVI, são os jornais, etc. Tudo a tentar perceber a ideia do chinês e dos charters e depois, lá pelo meio (mal parecia que não o fizessem...), lá tentam lembrar ao povo esquecido, quem foi Paulo Futre. Até para um anúncio a uma conhecida marca de bebida alcóolica o homem foi convidado... Fantástico!
Da minha parte, nada contra. Aliás, eu, no lugar dele, aproveitaria bem este momento para facturar. O que me faz confusão e tristeza, é um gajo que é das maiores figuras do desporto em Portugal ter que fazer figura de parvo, para ser reconhecido. Um homem que em Espanha não passa despercebido, que é colunista do maior diário desportivo espanhol, que é "só" a maior figura do Atlético Madrid e que em Portugal ninguém se lembrava dele, teve que fazer uma figura rídicula, para ter destaque no seu país.
Talvez eu esteja a pedir demais. Um país que tem políticos que não se entendem, quando o Estado está a beira da falência. Um país que dá tempo de antena (e não só.... o que torna tudo mais grave), a gente como José Socrates, Pedro Silva Pereira ou Miguel Relvas (candidato ao prémio "Voz Mais Cínica Da Política Portuguesa), talvez não possa fazer muito mais. Talvez o que dê mesmo, é ser parvo. Vamos todos ser parvos então...
quarta-feira, 30 de março de 2011
Futre E O País Da Má Memória
Depois de uns dia fora de Portugal e ao saber que o governo já tinha pedido a sua demissão, pensava para mim lá nas nuvens, que ao pisar território nacional, não iria ouvir falar de outra coisa, senão de "crise", "eleições antecipadas", "dissolução de parlamento", "FMI", etc. Estava enganado... O tema do momento era Paulo Futre e a sua já mitíca conferência de imprensa. Ao ligar o Facebook, não foi difícil encontrar amigos na rede (e não só), com os diversos vídeos que continham as declarações do homem do Montijo.
Ok. A coisa está, de facto, engraçada tanto na forma como, principalmente, no conteúdo. Aquele tom com que Futre falava e as suas mirabolantes ideias (nomeadamente, a do chinês e respectivos charters, museus, etc.) têm muito de cómico e também de ridículo. Também eu ri muito e também eu comentei a situação com o sarcasmo que a mesma merece (aliás, todo este acto eleitoral do Sporting é, por si só, um enorme contributo para o humor nacional).
Contudo, com o passar dos dias e com a continuação da enorme repercussão que o tema continuava a ter, tanto nas conversas de rua, como nas redes sociais, dei por mim a pensar em algo que considero curioso e, ao mesmo tempo, paradigmático no nosso país.
Futre foi o maior nome do futebol em Portugal, num período não tão curto quanto isso, que compreende o final de carreira de Eusébio, até ao aparecimento da "geração de ouro". Futre foi, no final dos anos 80 e princípio dos anos 90, um dos melhores jogadores do futebol europeu e mundial e, de longe, o mais prestigiado futebolista português da sua geração. Futre é "só" o mais importante futebolista da história do Atlético de Madrid, estando ligado aos melhores anos do clube colchonero. Futre foi e continua a ser um Senhor em Madrid e em Espanha, respeitado por todos, inclusivê pelos adeptos do clube rival, Real Madrid, tendo a sua carreira sido alvo de homenagens, prémios e reconhecimento por parte daqueles que foram brindados pelo seu génio futebolistico.
Posto isto e já antes desta conferência de imprensa, eu comentava muitas vezes, que não entendia como alguém tão importante no nosso futebol e que durante os seus melhores anos, tanto prestigiou o nome do país, tenha sido votado a tão enorme esquecimento por parte dos portugueses, nomeadamente, a Federação Portuguesa de Futebol e até da cidade que o viu nascer, o Montijo (o próprio Futre, numa recente entrevista, dizia que a cidade do Montijo, nunca sequer lhe tinha feito uma singela homenagem). É, para mim, impressionante, que o país, as federações, os municípios e as pessoas, esqueçam as figuras que os prestigiam e que os levam a atravessar fronteiras. Tenho para mim, que quem não honra a sua memória, não merece a história que tem e o esforço daqueles que a fizeram.
Basicamente, o que quero transmitir, é que a minha memória principal de Futre, não vai ser o vídeo com as suas recentes declarações. Lamento se vou contra a corrente generalizada, mas a minha memória principal de Futre, não vai ser um momento menos feliz que teve e a consequente ridicularização de que foi alvo. As minhas memórias de Futre são outras. A minha memória de Futre, é vê-lo a "partir" três ou quatro defesas e depois ir à linha de fundo, oferecer o golo a alguèm. A minha memória de Futre, é vê-lo a marcar ao Sporting, em pleno Estádio da Luz, um grande golo, depois de uma excelente combinação com João Pinto. A minha memória de Futre, é vê-lo no Estádio Nacional, a fazer uma enorme exibição com a camisola do meu clube, marcando dois dos cinco golos, com que ganhámos uma Taça de Portugal. A minha memória de Futre, é vê-lo, novamente, em pleno Estádio da Luz, naquele seu jeito muito peculiar e empolgante, a correr com a bola colada ao pé como se não houvesse amanhã, sempre a dar aos braços, a flectir da esquerda para o meio e a desferir um portentoso pontapé à baliza estónia, levantando 100 mil adeptos, eu incluído... Chamem-me saudosista, o que quiserem, mas é assim que prefiro recordar Futre. Haja memória amigos. Da boa. E, já agora, justiça.
http://www.youtube.com/watch?v=T3PwrqqKIpw&NR=1&feature=fvwp
http://www.youtube.com/watch?v=Mjvfr28qyDE
http://www.youtube.com/watch?v=1o9WOmbxtLY&playnext=1&list=PL337F93EDB5711766
http://www.youtube.com/watch?v=usZ8sKc1I2k
http://www.youtube.com/watch?v=LzWEVp-D48c
Ok. A coisa está, de facto, engraçada tanto na forma como, principalmente, no conteúdo. Aquele tom com que Futre falava e as suas mirabolantes ideias (nomeadamente, a do chinês e respectivos charters, museus, etc.) têm muito de cómico e também de ridículo. Também eu ri muito e também eu comentei a situação com o sarcasmo que a mesma merece (aliás, todo este acto eleitoral do Sporting é, por si só, um enorme contributo para o humor nacional).
Contudo, com o passar dos dias e com a continuação da enorme repercussão que o tema continuava a ter, tanto nas conversas de rua, como nas redes sociais, dei por mim a pensar em algo que considero curioso e, ao mesmo tempo, paradigmático no nosso país.
Futre foi o maior nome do futebol em Portugal, num período não tão curto quanto isso, que compreende o final de carreira de Eusébio, até ao aparecimento da "geração de ouro". Futre foi, no final dos anos 80 e princípio dos anos 90, um dos melhores jogadores do futebol europeu e mundial e, de longe, o mais prestigiado futebolista português da sua geração. Futre é "só" o mais importante futebolista da história do Atlético de Madrid, estando ligado aos melhores anos do clube colchonero. Futre foi e continua a ser um Senhor em Madrid e em Espanha, respeitado por todos, inclusivê pelos adeptos do clube rival, Real Madrid, tendo a sua carreira sido alvo de homenagens, prémios e reconhecimento por parte daqueles que foram brindados pelo seu génio futebolistico.
Posto isto e já antes desta conferência de imprensa, eu comentava muitas vezes, que não entendia como alguém tão importante no nosso futebol e que durante os seus melhores anos, tanto prestigiou o nome do país, tenha sido votado a tão enorme esquecimento por parte dos portugueses, nomeadamente, a Federação Portuguesa de Futebol e até da cidade que o viu nascer, o Montijo (o próprio Futre, numa recente entrevista, dizia que a cidade do Montijo, nunca sequer lhe tinha feito uma singela homenagem). É, para mim, impressionante, que o país, as federações, os municípios e as pessoas, esqueçam as figuras que os prestigiam e que os levam a atravessar fronteiras. Tenho para mim, que quem não honra a sua memória, não merece a história que tem e o esforço daqueles que a fizeram.
Basicamente, o que quero transmitir, é que a minha memória principal de Futre, não vai ser o vídeo com as suas recentes declarações. Lamento se vou contra a corrente generalizada, mas a minha memória principal de Futre, não vai ser um momento menos feliz que teve e a consequente ridicularização de que foi alvo. As minhas memórias de Futre são outras. A minha memória de Futre, é vê-lo a "partir" três ou quatro defesas e depois ir à linha de fundo, oferecer o golo a alguèm. A minha memória de Futre, é vê-lo a marcar ao Sporting, em pleno Estádio da Luz, um grande golo, depois de uma excelente combinação com João Pinto. A minha memória de Futre, é vê-lo no Estádio Nacional, a fazer uma enorme exibição com a camisola do meu clube, marcando dois dos cinco golos, com que ganhámos uma Taça de Portugal. A minha memória de Futre, é vê-lo, novamente, em pleno Estádio da Luz, naquele seu jeito muito peculiar e empolgante, a correr com a bola colada ao pé como se não houvesse amanhã, sempre a dar aos braços, a flectir da esquerda para o meio e a desferir um portentoso pontapé à baliza estónia, levantando 100 mil adeptos, eu incluído... Chamem-me saudosista, o que quiserem, mas é assim que prefiro recordar Futre. Haja memória amigos. Da boa. E, já agora, justiça.
http://www.youtube.com/watch?v=T3PwrqqKIpw&NR=1&feature=fvwp
http://www.youtube.com/watch?v=Mjvfr28qyDE
http://www.youtube.com/watch?v=1o9WOmbxtLY&playnext=1&list=PL337F93EDB5711766
http://www.youtube.com/watch?v=usZ8sKc1I2k
http://www.youtube.com/watch?v=LzWEVp-D48c
sexta-feira, 11 de março de 2011
Ainda Não Estou À Rasca Mas Vou
Eu vou ao denominado Protesto da Geração À Rasca. Não vou devido aos Homens da Luta, nem aos Deolinda, nem ao apelo (que me agradou, apesar de desconfiar das intenções...) do Presidente da República. Vou porque estou farto de políticos da treta, da esquerda à direita, que se regem por princípios demagógicos, de puro populismo e mentira, meramente com a intenção de atingirem o poder e de por lá ficarem, o máximo de tempo possível. E não me venham dizer que eu é que estou a ser demagogo, pois eu tenho a certeza que não estou.
As provas cabais de que esta gente não presta e que se preocupa unicamente com o poder, são muitas. São, por exemplo, as últimas eleições legislativas (há um ano e meio atrás), quando o partido do governo e o seu chefe, diziam à boca cheia, que o que fazia falta eram os TGV's , os Magalhães e afins. Ou então, actualmente, onde os partidos da oposição por razões de puro tacticismo e cinismo político, não cumprem, verdadeiramente, o seu papel. O Bloco de Esquerda, apresenta uma moção de censura ridícula, que todos sabiam que não iria ser aprovada, somente com o objectivo de se demarcar da hipócrita colagem que teve ao PS, nas últimas eleições presidenciais e de ganhar terreno, na contestação ao governo, aos colegas do lado no parlamento e arqui-rivais do PCP (não se gramam mesmo...). No centro-direita, o cenário não é melhor. O PSD, cinicamente, não quer assumir já o poder, porque sabe que o pode perder rapidamente e o CDS e o seu líder Paulo Portas, não passam de verdadeiros populistas (Portas, Louçã e Sócrates, são mestres neste capítulo, em particular), armados em conservadores. As perguntas são estas: Onde está o sentido de estado desta gente? É o país que lhes interessa? Ou não serão, somente, os respectivos "quintais" de cada um? É com esta gente que isto melhora? As respostas são, respectivamente, "em lado nenhum", "claro que não", "claro que sim" e "claro que não".
Confesso, que não aderi logo a este protesto. Desconfiei. Normalmente, estas acções têm algo por trás e quando digo isto, refiro-me a uma máquina partidária qualquer. Aparentemente (e espero não estar enganado...), foi algo espontâneo, que nasceu devido a um sentimeno generalizado de uma geração que quer mas não consegue. A uma geração que, basicamente, não passa do mesmo, quer estude muito, quer trabalhe muito, que se esforçe muito, etc.
Devo dizer que não me considero dos piores. Tenho trabalho, um ordenado, cama, comida, roupa lavada e ainda consigo ter alguma diversão extra. Vivo na casa dos meus pais, trabalho a full-time desde os 18 anos e, à minha custa, consegui licenciar-me. A questão é que tenho 27 anos e como toda a gente, gostaria de sair de casa dos meus pais e ter o meu espaço. Mas como? Compre ou arrende uma casa, ao fazê-lo sozinho, grande parte do meu ordenado, ficará no pagamento do empréstimo ou na renda. A juntar isto, as despesas da própria da casa, alimentação, combustível, etc e ficaria com o quê? Mudava de casa, mas na prática, continuaria dependente da casa dos meus pais. Mudar de emprego? Para onde? Vou a entrevistas e oferecem-me o mesmo ou muito menos... Recordo-me, em gerações não muito anteriores à minha, que mais novos e com trabalhos com um rendimento perfeitamente normal, conseguiam sair de casa muito mais facilmente e construir uma vida própria. Hoje não é assim... Mas nós também temos direito a uma vida própria. Repito, que não estou a fazer-me de coitadinho. Existem situações bem mais precárias que a minha, que respeito muito e é também e, sobretudo, por elas, que amanhã vou participar no protesto, mais não seja, para marcar uma posição de descontentamento com a actual situação do país.
Algo tem que mudar. Estou farto de "crises", de "mercados", de "agências de rating" e afins. Expressões que ouvimos todos os dias e que para o comum dos mortais, significam zero! Quero um país governado, definitivamente, com pessoas com sentido de Estado, que não vendam ilusões e falem a verdade. Quero um país, onde os meus compatriotas, tenham espírito crítico e saibam distinguir gente séria, de gente mentirosa e que percebem também que o Estado, somos todos nós. Nada mais! E mais uma vez digo, que não aceito que me digam que isto é demagogia. Não é! Está provado que temos sido governados por gente irresponsável e mentirosa, exclusivamente preocupados com os seus aparelhos partidários.
Por último, queria só expressar, uma vez mais, o desejo, que não haja qualquer tipo de aproveitamento por parte dos partidos políticos deste protesto. Tal como alguém escreveu no mural do evento no Facebook, este protesto é do Povo e os partidos devem ficar em casa! Pessoalmente, não me importarei de ver pessoas dos vários partidos, presentes na manifestação de amanhã. É legítimo e normal que assim seja, visto que todos os presentes têm as suas convicções e ideologias. Agora, se me aperceber de qualquer tipo de colagem por parte de algum partido (seja ele qual for) neste protesto e se essa mesma colagem, for aceite pelos organizadores do protesto, abandonarei imediatamente o mesmo. Este protesto só será credível e só terá expressão, se for feito pelo Povo e, somente, pelo Povo. Assim seja...
PS: Espero também que grupos radicais de extrema-direita ou extrema-esquerda, não apareçam para estragar a tarde de amanhã. Espero que o pacifismo impere e que a força esteja na presença de cada um de nós.
PS2: Aqueles que querem empregos, mas que não gostam de trabalhar, aqueles que têm emprego e que nada fazem para mantê-lo, que faltam constantemente, não se aplicam nas suas tarefas, que chegam constantemente atrasados, etc., não fazem, rigorosamente, falta nenhuma neste protesto. Eles não querem trabalhar e não merecem um salário justo. Gostam de viver á custa do trabalho dos outros e o ideal nestas mentes, seria estar em casa a ganhar dinheiro, sem fazer nenhum. E todos conhecemos gente assim e não me digam que é falso... Desses eu não tenho pena nenhuma. O protesto de amanhã é para aqueles que querem, lutam e acreditam num país melhor e mais justo e não num país de preguiçosos e de "chico-espertos".
As provas cabais de que esta gente não presta e que se preocupa unicamente com o poder, são muitas. São, por exemplo, as últimas eleições legislativas (há um ano e meio atrás), quando o partido do governo e o seu chefe, diziam à boca cheia, que o que fazia falta eram os TGV's , os Magalhães e afins. Ou então, actualmente, onde os partidos da oposição por razões de puro tacticismo e cinismo político, não cumprem, verdadeiramente, o seu papel. O Bloco de Esquerda, apresenta uma moção de censura ridícula, que todos sabiam que não iria ser aprovada, somente com o objectivo de se demarcar da hipócrita colagem que teve ao PS, nas últimas eleições presidenciais e de ganhar terreno, na contestação ao governo, aos colegas do lado no parlamento e arqui-rivais do PCP (não se gramam mesmo...). No centro-direita, o cenário não é melhor. O PSD, cinicamente, não quer assumir já o poder, porque sabe que o pode perder rapidamente e o CDS e o seu líder Paulo Portas, não passam de verdadeiros populistas (Portas, Louçã e Sócrates, são mestres neste capítulo, em particular), armados em conservadores. As perguntas são estas: Onde está o sentido de estado desta gente? É o país que lhes interessa? Ou não serão, somente, os respectivos "quintais" de cada um? É com esta gente que isto melhora? As respostas são, respectivamente, "em lado nenhum", "claro que não", "claro que sim" e "claro que não".
Confesso, que não aderi logo a este protesto. Desconfiei. Normalmente, estas acções têm algo por trás e quando digo isto, refiro-me a uma máquina partidária qualquer. Aparentemente (e espero não estar enganado...), foi algo espontâneo, que nasceu devido a um sentimeno generalizado de uma geração que quer mas não consegue. A uma geração que, basicamente, não passa do mesmo, quer estude muito, quer trabalhe muito, que se esforçe muito, etc.
Devo dizer que não me considero dos piores. Tenho trabalho, um ordenado, cama, comida, roupa lavada e ainda consigo ter alguma diversão extra. Vivo na casa dos meus pais, trabalho a full-time desde os 18 anos e, à minha custa, consegui licenciar-me. A questão é que tenho 27 anos e como toda a gente, gostaria de sair de casa dos meus pais e ter o meu espaço. Mas como? Compre ou arrende uma casa, ao fazê-lo sozinho, grande parte do meu ordenado, ficará no pagamento do empréstimo ou na renda. A juntar isto, as despesas da própria da casa, alimentação, combustível, etc e ficaria com o quê? Mudava de casa, mas na prática, continuaria dependente da casa dos meus pais. Mudar de emprego? Para onde? Vou a entrevistas e oferecem-me o mesmo ou muito menos... Recordo-me, em gerações não muito anteriores à minha, que mais novos e com trabalhos com um rendimento perfeitamente normal, conseguiam sair de casa muito mais facilmente e construir uma vida própria. Hoje não é assim... Mas nós também temos direito a uma vida própria. Repito, que não estou a fazer-me de coitadinho. Existem situações bem mais precárias que a minha, que respeito muito e é também e, sobretudo, por elas, que amanhã vou participar no protesto, mais não seja, para marcar uma posição de descontentamento com a actual situação do país.
Algo tem que mudar. Estou farto de "crises", de "mercados", de "agências de rating" e afins. Expressões que ouvimos todos os dias e que para o comum dos mortais, significam zero! Quero um país governado, definitivamente, com pessoas com sentido de Estado, que não vendam ilusões e falem a verdade. Quero um país, onde os meus compatriotas, tenham espírito crítico e saibam distinguir gente séria, de gente mentirosa e que percebem também que o Estado, somos todos nós. Nada mais! E mais uma vez digo, que não aceito que me digam que isto é demagogia. Não é! Está provado que temos sido governados por gente irresponsável e mentirosa, exclusivamente preocupados com os seus aparelhos partidários.
Por último, queria só expressar, uma vez mais, o desejo, que não haja qualquer tipo de aproveitamento por parte dos partidos políticos deste protesto. Tal como alguém escreveu no mural do evento no Facebook, este protesto é do Povo e os partidos devem ficar em casa! Pessoalmente, não me importarei de ver pessoas dos vários partidos, presentes na manifestação de amanhã. É legítimo e normal que assim seja, visto que todos os presentes têm as suas convicções e ideologias. Agora, se me aperceber de qualquer tipo de colagem por parte de algum partido (seja ele qual for) neste protesto e se essa mesma colagem, for aceite pelos organizadores do protesto, abandonarei imediatamente o mesmo. Este protesto só será credível e só terá expressão, se for feito pelo Povo e, somente, pelo Povo. Assim seja...
PS: Espero também que grupos radicais de extrema-direita ou extrema-esquerda, não apareçam para estragar a tarde de amanhã. Espero que o pacifismo impere e que a força esteja na presença de cada um de nós.
PS2: Aqueles que querem empregos, mas que não gostam de trabalhar, aqueles que têm emprego e que nada fazem para mantê-lo, que faltam constantemente, não se aplicam nas suas tarefas, que chegam constantemente atrasados, etc., não fazem, rigorosamente, falta nenhuma neste protesto. Eles não querem trabalhar e não merecem um salário justo. Gostam de viver á custa do trabalho dos outros e o ideal nestas mentes, seria estar em casa a ganhar dinheiro, sem fazer nenhum. E todos conhecemos gente assim e não me digam que é falso... Desses eu não tenho pena nenhuma. O protesto de amanhã é para aqueles que querem, lutam e acreditam num país melhor e mais justo e não num país de preguiçosos e de "chico-espertos".
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