sexta-feira, 15 de junho de 2012

O "cronista social futebolistico" disfarçado

É algo que está na moda. O apelidado "jornalista desportivo", ganha confiança com um ou mais futebolistas famosos, começa tratar os atletas por "tu" e com isso consegue umas entrevistas em exclusivo, onde o famoso jogador mostra a piscina, o cão, os carros potentes que tem na garagem, etc.

Penso que o primeiro "cronista social futebolistíco" a surgir na imprensa portuguesa, terá sido Daniel Oliveira, que tal como quase os todos "cronistas sociais" que por aí existem, nunca percebi bem a utilidade e o porquê deste senhor se ter tornado digno de aparecer na TV. Contudo, honra lhe seja feita, foi o primeiro a "inaugurar" esta actividade e , além do mais, nunca precisou de ser jornalista do que quer que seja (pelo menos que eu tenha conhecimento), para conseguir exclusivos na intimidade dos futebolistas. Penso que é o único "cronista social futebolistíco" assumido.

O que me incomoda mais, são os jornalistas desportivos, os tais que se regem por um código doentológico de isenção e de imparcialidade e que, por consequência disso mesmo, devem manter algum distanciamento no tratamento daqueles que analisam e noticiam todos os dias, começarem a tratar por "tu", tudo o que é futebolista, nomeadamente, os da selecção, para com isto conseguirem uma relação mais próxima, de modo a obterem uns sempre "apetitosos" exclusivos. Nuno Luz, é o expoente máximo disto mesmo. Trata tudo o que é craque do Real Madrid por "tu" e depois é vê-lo nos bastidores da selecção, na casa do Ronaldo, do Coentrão, do Pepe, etc.

Não me incomoda nada que estes exclusivos aconteçam e existam pessoas na comunicação social com uma relação tão próxima com os nossos jogadores. Nada disso. O que me incomoda é chamarem a um tipo como Nuno Luz de jornalista, quando ele tem relações tão próximas com aqueles que, por obrigação profissional, deve analisar com distanciamento e isenção. Pergunto-me, que imparcialidade terá Nuno Luz, quando publicamente tem uma relação "tu cá tu lá" com Ronaldo, para, em caso de necessidade, criticá-lo ou revelar uma notícia que não abone a favor do rapaz? Irá Nuno Luz, sentir-se à vontade para fazê-lo, depois de Ronaldo lhe ter aberto as portas da sua mansão para mais do que um exclusivo e a quem este até trata por "tu"? Ou melhor, imaginemos que Ronaldo é criticado ou que sai uma notícia onde é posto em causa por algum motivo e que Nuno Luz, num trabalho jornalístico, vem contrariar dizendo que é tudo falso. Será que alguém acreditará nele? Será que essa "intimidade" não fará que a credibilidade dessa informação (mesmo sendo verdadeira) não seja posta em causa?

Portanto, o que proponho, é que se deixe de chamar jornalista a Nuno Luz. Ela era jornalista (bom ou mau), quando levava com sacos de água no estágio da selecção, mas que mesmo assim, continuava a fazer o seu directo e a denunciar a situação. Aí sim, o homem era jornalista. Agora não. E não é só este Nuno Luz que já não é jornalista. Há por aí mais. Aliás, quando estamos em fases finais de Europeus ou Mundiais, há uma espécie de epidemia de "pseudo jornalistas".

Um jornalista desportivo, não é, de todo, compatível com a actividade de "cronista social desportivo". Daniel Oliveira é um "cronista social desportivo" assumido. Nada contra. Nuno Luz também o é, mas disfarçado de "jornalista desportivo". E isso sim, é mau. Digam ao homem que se assuma.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Genuinamente rock n' roll

Podia dar mais exemplos. Mas estes estão mais presentes na minha memória, pois só passaram 48 horas.

Queria só dizer, que se eu fosse músico e tivesse uma banda, quando quisesse perceber o que querem dizer expressões como "entrega em palco", "garra em palco" ou, de uma forma mais simples, "atitude", daria um saltinho ao YouTube e veria, por exemplo, uns vídeos dos concertos no Rock In Rio 2012 de Bruce Springsteen, acompanhado dos restantes "capangas" da E Street Band ou do concerto que lhe antecedeu por parte dos Xutos. Independentemente de gostos musicais ( e eu assumo que gosto muito dos dois), penso que são dois excelente exemplos de palco, em que não são necessárias coreografias, grandes efeitos pirotécnicos ou de luzes, nem meninas com "curvas" generosas a dançar, para se ver um grande, mas grande espectáculo.

Sim, são ambas as bandas e artistas, muito experientes e com muitos anos a "virar frangos". Podem dar-se ao luxo, de fazerem alinhamentos com hits atrás de hits. Mas a tal "entrega", a tal ""garra" e a tal "atitude", não vêm dos anos de carreira, nem do número de discos no top ou do números de seguidores. Penso que se assim fosse, o efeito seria precisamente o contrário. A "atitude" desta gente, é a mesma que sempre foi. É a mesma que era no início das suas carreiras. O Springsteen de hoje, debita palavras com a mesma "força" com que debitava nos anos 70. O Kalú da actualidade, "ataca" a bateria com a mesma "fúria", com que "atacava" no início da carreira dos Xutos. É o que chamo o "rock sem merdas". Um rock n' roll sem truques, que vem das veias, das artérias, do coração e da alma. E isso meus amigos, só quem o tem e o sente, pode demonstrá-lo. Eles demonstram e é arrepiante ver rock tão genuíno e tão puro, debitado por gajos que já podiam estar a gozar a reforma (nomeadamente, o "Boss"...).

A frase poderá estar na galeria das "frases feitas". O rock é "alma" e "coração". A tão propalada "atitude" de uma banda, mede-se por isso. O Bruce, os capangas do Bruce e o "gang" Xutos & Pontapés, ainda a têm para dar e vender. Sem truques e sem merdas. Aprendam.